Quem está juntando dinheiro para comprar a primeira casa nos Estados Unidos tem uma data para anotar. O portal de imóveis Realtor.com aponta a semana de 27 de setembro a 3 de outubro como a mais favorável ao comprador em 2026. Nesse intervalo, segundo o estudo anual do site, há mais casas à venda, menos gente disputando e preços abaixo do pico do verão.
O dado chega na mesma época em que outro custo da casa própria bateu recorde. O relatório Mortgage Monitor de setembro da Intercontinental Exchange (ICE) mostra que o seguro residencial custou em média US$ 209 por mês no segundo trimestre, o equivalente a 9,6% da parcela típica da hipoteca.
Os números da semana
O Realtor.com pontuou cada semana do ano em seis medidas de oferta e procura: imóveis ativos, anúncios novos, preço pedido, tempo no mercado, procura dos compradores e redução de preço. A semana de 27 de setembro liderou o conjunto. Para ela, o site projeta:
- Mais opções: 31,9% mais imóveis à venda que no começo do ano e 13,3% mais que numa semana média.
- Menos disputa: a procura, medida pelas visualizações de cada anúncio, fica 30,1% abaixo do pico anual.
- Mais tempo para decidir: as casas devem ficar cerca de 64 dias à venda, 13 dias a mais que no período mais aquecido.
- Preço menor: o preço pedido costuma cair 3,5% em relação ao pico da temporada. Numa casa de preço mediano, de cerca de US$ 416 mil, isso dá uns US$ 14 mil.
- Espaço para negociar: historicamente, 5,7% das casas têm o preço reduzido nessa semana.
O que a economista recomenda
"Quem vai procurar casa neste outono vai encontrar uma oportunidade rara nos últimos anos: mais opções e menos pressa", disse Hannah Jones, economista sênior do Realtor.com. Ela lembra que os juros da hipoteca seguem acima dos de um ano atrás, e que a vantagem da estação está no preço e na margem de negociação.
Jones também avisou que a data não é um prazo. "O comprador deve usar essa janela de forma estratégica, e não tratar uma semana como prazo final", disse. Segundo ela, quem busca mais variedade tende a se sair melhor procurando no começo do outono, e quem prioriza preço pode encontrar mais flexibilidade mais para o fim da estação. A economista recomenda chegar preparado, com uma ideia realista da parcela mensal e a pré-aprovação do financiamento em mãos.
Cada região tem a sua semana.
A semana nacional coincide com a melhor semana local em 14 das 50 maiores regiões metropolitanas, entre elas Atlanta, Austin, Chicago, Dallas, Denver, Houston, Los Angeles, Minneapolis e Filadélfia. Em outras, o calendário é diferente. Alguns exemplos da tabela do Realtor.com:
- Nova York e Newark: a melhor semana foi de 6 a 12 de setembro e já passou.
- Seattle: de 18 a 24 de outubro, com preço pedido 7,5% abaixo do pico.
- Boston e Orlando: 25 a 31 de outubro. Em Boston, o preço cai 6,7% em relação ao pico.
- Miami e Tampa: as mais tardias, de 29 de novembro a 5 de dezembro.
Ao todo, 42 das 50 maiores regiões têm a melhor semana a menos de um mês da data nacional. O site ressalta que o estudo usa dados de 2018 a 2025, sem 2020 por causa da pandemia, e que a taxa de juros ficou fora do cálculo por não seguir um padrão sazonal.
O mercado mudou de lado.
O Realtor.com explica que 2026 começou firme, mas os juros mais altos durante boa parte do verão esfriaram a procura. O número de imóveis à venda continuou subindo na comparação anual, embora ainda esteja cerca de 11% abaixo do nível de antes da pandemia no país. Procura mais fraca e ritmo mais lento puxaram o mercado para o lado do comprador.
O seguro no recorde
O custo que mais cresceu na parcela nos últimos anos foi o seguro. Pelos dados da ICE publicados pelo HousingWire, os US$ 209 mensais pagos em média no segundo trimestre estão quase 80% acima do valor do início de 2020.
A alta, porém, perdeu fôlego. O aumento em relação ao primeiro trimestre foi de 1,8%, o menor desde que a ICE começou a medir. Em 12 meses, a alta foi de 8,7%, abaixo dos 11,4% do começo do ano e do pico de 15,1% no fim de 2024. Segundo a ICE, cerca de dois terços do aumento anual vieram de coberturas maiores, e não de preço mais alto por dólar segurado.
"O seguro residencial tem sido um dos componentes que mais crescem na parcela da hipoteca, mas os dados deste trimestre mostram que o ritmo finalmente está diminuindo", disse Andy Walden, chefe de pesquisa de hipotecas e mercado imobiliário da ICE.
O peso varia muito pelo país. O seguro representa 24,3% da parcela média em Nova Orleans e 4,3% em San Jose, na Califórnia. Miami e Nova Orleans têm os seguros mais caros do país, embora tenham registrado algumas das menores altas no último ano.
Trocar de seguradora compensou.
Para quem já tem casa, o dado mais útil do relatório é outro. Os proprietários que mudaram de seguradora privada no último ano reduziram o valor pago em 6,6% em média, a maior economia registrada pela ICE desde 2013. Quem ficou na mesma empresa viu o prêmio subir 10,4%. A diferença média entre os dois grupos foi de US$ 440 por ano, e quem trocou ainda conseguiu franquia 1,4% menor e cobertura 7,3% maior.
Para quem vai comprar, o recado dos números é pedir cotação de seguro antes de fechar negócio. Com o seguro respondendo em média por 9,6% da parcela, segundo a ICE, a diferença entre uma seguradora e outra pode mudar a conta de quanto a família consegue pagar por mês.
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