O preço da casa nos Estados Unidos subiu 1,9% nos 12 meses encerrados em julho, segundo o índice S&P CoreLogic Case-Shiller, divulgado nesta terça-feira (29) pela S&P Dow Jones Indices. A alta ganhou força em relação a junho, quando o avanço anual tinha sido de 1,6%. O mapa, porém, está partido ao meio: o Leste sobe, e o Oeste recua. Seattle teve a maior queda anual entre as metrópoles pesquisadas pelo segundo mês seguido, e Denver ficou com a terceira pior marca.
NO mesmo dia trouxe o índice da FHFA, a agência federal que regula Fannie Mae e Freddie Mac. Ele aponta alta de 0,3% em julho e de 2,6% em um ano, com a região das Montanhas, onde fica o Colorado, registrando o pior mês do país.
Os números nacionais
Além do índice nacional, a S&P acompanha dois compostos de metrópoles. O composto de 10 cidades subiu 3,4% em 12 meses, contra 3,0% em junho. O de 20 cidades avançou 2,5%, ante 2,2% no mês anterior. Foi o quinto mês seguido de aceleração do índice nacional, segundo a publicação especializada Inman.
Na comparação de julho com junho, sem ajuste sazonal, o índice nacional subiu 0,12%, o composto de 10 cidades 0,03% e o de 20 cidades caiu 0,01%. Com o ajuste sazonal, as altas foram de 0,3%, 0,4% e 0,3%. A Cotality, empresa de dados que é parceira do índice, observa que a alta mensal de 0,1% ficou muito abaixo da média de 0,5% registrada nos meses de julho entre 2015 e 2019.
Detroit ficou de fora do ranking de julho. A S&P informou que atrasos no registro de imóveis no condado de Wayne impediram o cálculo do mês.
Casa perde para a inflação pelo 14º mês.
Descontada a inflação, o preço da casa caiu pelo 14.º mês consecutivo. O índice de preços ao consumidor subiu 3,4% em 12 meses até julho, cerca de 1,5 ponto percentual acima da valorização dos imóveis. Parte grande dessa inflação vem da energia, que subiu 14,7%, com a gasolina em alta de 24,6%. O núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, ficou em 2,5%.
"Embora os preços das casas tenham continuado a cair em termos reais em julho de 2026, marcando o 14.º mês consecutivo de queda real, uma inflação um pouco menor e uma valorização nominal mais forte ajudaram a estreitar a diferença", afirmou Rebecca Kaufman, diretora associada de commodities da S&P Dow Jones Indices.
Seattle e Denver no fim da fila.
Seattle recuou 1,6% em 12 meses e liderou as quedas anuais pelo segundo mês. Las Vegas veio em seguida, com baixa de 1,3%, e Denver ficou em terceiro, com recuo de 1,1%. Portland, Tampa e Dallas também fecharam o período no negativo, e Phoenix ficou praticamente estável.
Na variação mensal sem ajuste, Seattle caiu 0,46% de junho para julho e Denver, 0,35%. Com o ajuste sazonal, as duas metrópoles tiveram leve alta no mês, de 0,22% e 0,13%. A queda, portanto, aparece no acumulado de 12 meses e no dado bruto do mês.
"Seattle registrou a maior queda anual pelo segundo mês consecutivo, recuando 1,6%, seguida por Las Vegas (-1,3%) e Denver (-1,1%)", disse Kaufman. A Cotality cita "quedas anuais persistentes no Oeste e no Sul", com Seattle, Las Vegas, Denver, Tampa, Portland e Dallas na lista.
A divisão entre Leste e Oeste
Chicago liderou o ranking pelo quinto mês seguido, com alta de 6,9% em um ano. Nova York subiu 5,8%, Cleveland 4,2%, Miami 3,5% e San Francisco 3,5%. A distância entre o mercado mais forte e o mais fraco chegou a quase 9 pontos percentuais, segundo a S&P.
"A divisão de anos entre Leste e Oeste persiste, com seis dos oito mercados do Leste registrando variações anuais maiores em julho do que em junho, contra apenas dois dos oito mercados do Oeste", afirmou Kaufman.
O índice da FHFA, que mede só imóveis com hipoteca comprada por Fannie Mae e Freddie Mac, mostra o mesmo desenho. A divisão das Montanhas, que inclui o Colorado, caiu 0,8% em julho, o pior resultado entre as nove regiões, e acumula alta de apenas 0,6% em 12 meses. A divisão do Pacífico, que inclui Washington, subiu 0,6% no mês e 0,7% em um ano. No outro extremo, a região do Médio Atlântico avançou 1,5% em julho e 6,3% em 12 meses.
O juro que acompanha o desconto
O preço menor no Oeste chega junto com um financiamento mais caro. Na pesquisa semanal da Freddie Mac, divulgada em 24 de setembro, a taxa média do financiamento fixo de 30 anos foi a 7,03%, contra 6,95% na semana anterior e 6,30% um ano antes. O de 15 anos subiu para 6,42%. A taxa da pesquisa considera um comprador que dá 20% de entrada e tem crédito excelente.
Thomas Malone, economista principal da Cotality, vê espaço para quem está comprando, mas com prazo curto. Embora os preços tenham subido só 0,1% no mês, as concessões dos vendedores estão abrindo oportunidades para os compradores. Isso pode durar pouco, porém, com juros de hipoteca mais altos, continuando a criar um alvo móvel para os compradores", afirmou.
Anthony Smith, economista sênior do Realtor.com, disse à Inman que, se o custo do financiamento continuar perto de 7% no outono, "a aceleração vista desde a primavera pode ser difícil de sustentar".
O que isso significa para quem compra ou já é dono?
Para o brasileiro que planeja comprar em Seattle ou Denver, os dados mostram preço em queda no acumulado do ano, o que abre margem de negociação, mas com uma prestação pressionada pelo juro acima de 7%. A Cotality aponta as concessões do vendedor, como o pagamento de custos de fechamento, como a principal abertura do momento.
Para quem já tem casa nessas metrópoles, a combinação de queda nominal no preço e inflação de 3,4% significa que o patrimônio encolheu em termos reais nos últimos 12 meses. Isso pesa para quem conta com a valorização do imóvel para refinanciar, vender ou usar como garantia.
A fragilidade da recuperação
A Cotality considera que a estabilização ainda é frágil. Em julho, 11 metrópoles caíram na comparação mensal, com San Francisco no pior resultado, recuo de 0,6%, e Cleveland no melhor, alta de 1,0%. Nos 16 mercados com dados por faixa de preço, as casas mais baratas e as mais caras ficaram estáveis em média, e as de faixa intermediária caíram 0,2%.
Kaufman atribuiu parte da fraqueza de julho a fatores sazonais e disse que a inflação persistente de moradia e de outros itens do núcleo tende a ter efeito mais direto sobre a capacidade de compra de uma casa do que a oscilação do preço da energia.
O que vem a seguir
O próximo índice Case-Shiller sai na última terça-feira de outubro, com os dados de agosto. A FHFA divulga o seu relatório de agosto em 27 de outubro. A Inman relata que analistas esperam o Federal Reserve mantendo a alta de juros ao longo de 2026, o que dificulta uma queda rápida das taxas de financiamento. Na leitura da publicação, julho pode ter sido o último mês de valorização do preço da casa neste ano.
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