O aluguel mediano nos Estados Unidos caiu 0,1% em setembro e chegou a US$ 1.388 por mês, segundo o relatório nacional da Apartment List divulgado nesta semana. Foi a primeira queda mensal desde janeiro, típica da chegada do outono, quando menos gente se muda. Em Denver e em Seattle, o aluguel está abaixo do que era há um ano: 3,1% a menos em Denver e 2,8% a menos em Seattle.
O mesmo relatório, porém, mostra o mercado nacional apertando: a queda de setembro foi a menor para o mês em anos, e a fatia de apartamentos vazios voltou a diminuir. Para quem aluga e vai renovar contrato, o momento ainda favorece a negociação, mas a janela pode estar se fechando.
Uma queda menor do que o normal.
De 2022 a 2025, o aluguel caiu em média 0,5% em setembro. Entre 2017 e 2019, anos considerados de mercado equilibrado, a queda média no mês foi de 0,3%. Neste ano, foi de 0,1%. A Apartment List diz que é o primeiro mês em anos em que o crescimento do aluguel supera a média de antes da pandemia.
Na comparação com setembro de 2025, o aluguel nacional ainda está 0,4% mais baixo, o equivalente a US$ 6 a menos por mês. Essa queda anual, porém, vem diminuindo há cinco meses seguidos, depois de chegar a 1,6% negativos em abril. Desde o pico, em meados de 2022, o aluguel mediano nacional recuou 3,7%, ou US$ 54 por mês.
Se o ano terminar no ritmo atual, 2026 será o primeiro ano desde 2022 com alta do aluguel no acumulado de 12 meses, segundo a empresa.
Menos apartamento vazio.
A taxa de vacância dos prédios de apartamentos, acompanhada pela Apartment List, caiu para 7% em setembro, depois de bater 7,3% em fevereiro, o nível mais alto desde o início da série, em 2017. A taxa ainda está acima da média de 6,4% de 2017 a 2019 e, no ritmo atual, levaria mais de um ano para voltar a esse patamar.
A explicação está na construção. Em 2024, mais de 600 mil apartamentos novos chegaram ao mercado, o maior volume em um ano desde 1986. As entregas diminuíram desde então, e as unidades vazias estão sendo ocupadas.
Um dado ainda joga a favor do inquilino: em setembro, um apartamento levou em média 34 dias entre o anúncio e a assinatura do contrato, o prazo mais longo para um mês de setembro desde 2019, quando a medição começou.
Denver e Aurora: aluguel abaixo de 2025.
Em Denver, o aluguel mediano está em US$ 1.613, com US$ 1.427 para um quarto e US$ 1.778 para dois quartos. O valor caiu 0,2% em setembro e está 3,1% abaixo do de um ano atrás, uma queda maior que a média do Colorado (2,1%) e que a nacional (0,4%). No acumulado de 2026, porém, os preços em Denver já subiram 2,7%, mais que o 1,0% do mesmo período de 2025.
Em Aurora, o aluguel mediano é de US$ 1.526, com US$ 1.245 para um quarto e US$ 1.575 para dois. A queda em 12 meses é de 3,3%.
A região de Denver faz parte do grupo de mercados que mais receberam prédios novos nos últimos anos e que ainda registram as maiores quedas de preço do país. Segundo a Apartment List, essas quedas já são menores do que no início do ano.
Seattle: queda maior que a do estado.
Em Seattle, o aluguel mediano está em US$ 2.088, com US$ 1.948 para um quarto e US$ 2.432 para dois. O preço caiu 0,2% em setembro e está 2,8% abaixo do de setembro de 2025, recuo maior que a média do estado de Washington (0,9%). Em 2026, os aluguéis da cidade subiram 2,3% até setembro, bem menos que os 7,1% do mesmo período do ano passado. Seattle é a 16ª grande cidade mais cara do país para alugar.
Desconto virou regra em Denver.
O relatório da Realtor.com, divulgado em 17 de setembro, com dados de agosto, reforça o quadro. Nas 50 maiores regiões metropolitanas, o aluguel mediano foi de US$ 1.699, 0,9% abaixo de um ano antes, o 37º mês seguido de queda anual. Os anúncios com algum tipo de concessão, como taxa reduzida ou mês grátis, chegaram a 43,5%, ante 40,4% um ano antes.
Na região metropolitana de Denver, o aluguel mediano ficou em US$ 1.771, queda de 3,2% em 12 meses, e 71,9% dos anúncios ofereciam concessão, a maior fatia entre as 50 metrópoles. Na região de Seattle, o aluguel foi de US$ 1.895, recuo de 0,5%, com concessão em 57,9% dos anúncios. A economista sênior da Realtor.com, Jiayi Xu, disse que os inquilinos entram no outono com mais opções e mais poder de negociação do que tinham no auge do mercado.
Onde o aluguel sobe e o que vem pela frente
A alta mais forte do país está na região da Baía de São Francisco: mais 12% em São Francisco e mais 9% em San Jose em 12 meses, segundo a Apartment List, que atribui o movimento à onda de empregos bem pagos criada pelo boom da inteligência artificial. Na outra ponta, San Antonio, no Texas, tem a maior queda entre as grandes metrópoles, de 4,5%.
A Apartment List aponta riscos para os próximos meses, como a confiança fraca do consumidor e a inflação persistente. Ao mesmo tempo, avalia que os juros de financiamento em alta podem fazer quem pensava em comprar a primeira casa continuar alugando por mais tempo, o que aperta o mercado de aluguel.
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