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Moradia

Juro do financiamento de casa salta de 7,03% para 7,28% em uma semana, a maior alta em quatro anos, e estudo mostra quanto score, entrada e credor mexem na taxa

A Freddie Mac registrou na quinta-feira (1º) a sexta alta seguida da taxa de 30 anos, agora no maior nível desde novembro de 2023, e os pedidos de financiamento caíram 6%. Estudo do Realtor.com com 1,35 milhão de contratos mostra que, no mesmo mês, a taxa varia até 0,93 ponto percentual de um comprador para outro.

Redação Brazuca News 03 de October de 2026, 11:10 6 visualizações
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Juro do financiamento de casa salta de 7,03% para 7,28% em uma semana, a maior alta em quatro anos, e estudo mostra quanto score, entrada e credor mexem na taxa
Foto: Pavel Danilyuk / Pexels License

A taxa média do financiamento imobiliário de 30 anos com juro fixo subiu de 7,03% para 7,28% em uma semana, segundo a pesquisa que a Freddie Mac divulgou na quinta-feira (1º). Foi a sexta alta seguida e, de acordo com o Spectrum News, o maior salto semanal em quatro anos. A Associated Press (AP) registra que a taxa não ficava tão alta desde 22 de novembro de 2023, quando marcou 7,29%.

Para o brasileiro que planeja comprar casa nos Estados Unidos, o número pesa na parcela e no valor do imóvel que cabe no orçamento. No mesmo dia, o Realtor.com publicou um estudo sobre a parte da taxa que depende do comprador: score de crédito, entrada e escolha do credor.

O que a Freddie Mac divulgou

Há um ano, a taxa de 30 anos estava em 6,34%. O financiamento de 15 anos foi de 6,42% para 6,60%; um ano atrás, custava 5,55%.

A pesquisa considera empréstimos convencionais para compra, de tomadores com 20% de entrada e crédito excelente. No fim de fevereiro, segundo a AP, a taxa chegou a 5,98%, o menor nível desde o fim de 2022.

Por que o juro disparou?

A taxa de financiamento acompanha o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano, que os credores usam como referência para definir o preço do empréstimo. A AP informa que esse rendimento estava em 3,97% no fim de fevereiro, antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, e chegou a 5,27% no meio do pregão de quinta-feira, patamar próximo ao de 2007.

A agência atribui a escalada à expectativa de inflação mais alta com o petróleo caro. O Spectrum News cita analistas para quem a guerra prolongada aumenta o gasto do governo e pode agravar a inflação.

Pedidos de financiamento caem ao ritmo mais lento desde 2025.

O efeito apareceu primeiro no balcão dos credores. A Mortgage Bankers Association (MBA) informou na quarta-feira (30) que os pedidos de financiamento caíram 6% na semana encerrada em 25 de setembro. Os pedidos para compra recuaram 4% na semana, com ajuste sazonal, e ficaram 14% abaixo da mesma semana de 2025, sem ajuste. Os de refinanciamento caíram 9% e estão 56% abaixo do nível de um ano atrás.

"As taxas de financiamento saltaram para o nível mais alto em quase três anos e afastaram os tomadores", disse no comunicado Joel Kan, vice-presidente e economista-chefe adjunto da MBA. Compra e refinanciamento desceram, segundo ele, ao ritmo semanal mais lento desde 2025.

FHA e juro variável também ficaram mais caros.

No levantamento da MBA, a taxa média do contrato de 30 anos dentro do limite convencional, de até US$ 832.750, passou de 7,12% para 7,30%. A do empréstimo garantido pela FHA (Federal Housing Administration) subiu de 6,78% para 6,97%, e os pontos cobrados na contratação foram de 0,96 para 1,18.

O financiamento de juro variável ganhou espaço e chegou a 10,3% dos pedidos, a maior participação desde outubro de 2025. Kan afirma que essa modalidade tem taxa cerca de 0,80 ponto percentual menor que a de juro fixo. Ela também encareceu: a taxa média do modelo 5/1 foi de 6,10% para 6,47%.

Emprego fraco animou economistas, mas a sexta-feira fechou com taxa mais alta.

O relatório de emprego de setembro, publicado na sexta-feira (2), mostrou criação de 29 mil vagas e desemprego de 4,2%, ante 4,1% em agosto. Para Lawrence Yun, economista-chefe da National Association of Realtors, as taxas "podem ter um leve alívio depois das altas brutais do último mês", porque o mercado de trabalho não deve pressionar a inflação e o petróleo recuou um pouco. A declaração está em nota reproduzida pelo site Inman.

Sam Williamson, economista sênior da First American, afirmou em nota citada pelo mesmo site que o dado facilita ao Federal Reserve manter o juro básico em outubro, depois da alta de setembro. A ressalva dele: contratação mais lenta limita a confiança de quem pensa em comprar casa.

O alívio não veio no mesmo dia. O Mortgage News Daily registrou que os títulos melhoraram logo depois do relatório e devolveram o ganho ao longo da sexta-feira, com a recuperação do preço do petróleo entre os motivos. O credor médio começou o dia com taxa um pouco menor e terminou acima do nível de quinta-feira.

No mesmo mês, a taxa varia até 0,93 ponto de um comprador para outro.

A média semanal esconde uma dispersão grande. O Realtor.com analisou 1.351.302 financiamentos de compra adquiridos pela Freddie Mac entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025 e comparou a taxa de cada contrato com a média divulgada no mês em que o tomador provavelmente travou o juro.

Com a média em 7%, metade dos tomadores ficou entre 6,73% e 7,21%. Os 80% centrais foram de 6,50% a 7,43%, um intervalo de 0,93 ponto percentual. Para quem dispõe de US$ 2.000 por mês para principal e juros, essa distância equivale a cerca de US$ 28.400 no preço da casa, calcula o estudo.

O perfil do tomador explica parte da diferença. Quem tem score de 780 ou mais e dá pelo menos 30% de entrada paga, em média, 0,21 ponto abaixo da taxa de referência. Quem tem score inferior a 660 e entrada menor que 10% paga 0,25 ponto acima.

Score, entrada e credor: quanto vale cada passo?

  • Score de crédito: os degraus de 700 e de 720 são os mais valiosos, cerca de 0,055 ponto cada. Sair da faixa de 680 e chegar a 720 vale 0,11 ponto, ou cerca de US$ 3.200 no preço do imóvel com o mesmo orçamento mensal.
  • Entrada: abaixo de 20%, o degrau que conta é o de 10%. Passar da faixa de 5% a 9% para a de 10% a 14% reduz a taxa em 0,055 ponto. Chegar a exatos 20% quase não mexe no juro (0,007 ponto), mas elimina o seguro hipotecário.
  • Credor: trocar um credor de varejo típico por um dos 10% mais baratos vale 0,19 ponto, cerca de US$ 5.800 em poder de compra. É aproximadamente o dobro do ganho de subir o score de 690 para 720.

Os autores apontam os limites do trabalho. A base só inclui contratos comprados pela Freddie Mac, o que deixa de fora FHA, VA e jumbo. Os dados também não mostram os pontos de desconto pagos no fechamento, e por isso parte da variação reflete dinheiro adiantado para baixar a taxa.

Para o imigrante com histórico de crédito curto, o prazo de cada medida importa. O estudo estima que mover o score em 30 pontos exige cerca de um ano de antecedência, enquanto a comparação entre credores pode ser feita em uma semana.

O que observar em outubro

As pesquisas da Freddie Mac e da MBA são semanais, e as próximas edições vão mostrar se o dado de emprego bastou para interromper a sequência de seis altas. O Federal Reserve volta a decidir o juro básico em outubro, e o relatório de emprego seguinte sai em 6 de novembro, informa o Inman.

A AP descreve o efeito para o comprador: taxa mais alta acrescenta centenas de dólares por mês ao custo do empréstimo, e parte dos interessados adia o negócio. O Realtor.com conclui que, com o juro em alta desde agosto, comparar credores depois de escolher o imóvel importa em dobro.

Onde confirmar?

  • Freddie Mac (comunicado via GlobeNewswire, no Yahoo Finance) · Mortgage Rates Average 7.28% (01/10/2026)
  • Associated Press, no The Independent: "Average long-term US mortgage rate churns upward to its highest level in nearly 3 years at 7.28%" (01/10/2026).
  • Mortgage Bankers Association · Mortgage Applications Decrease in Latest MBA Weekly Survey (30/09/2026)
  • Spectrum News · Mortgage rate hits 7,28%, seu maior ganho semanal em quatro anos (01/10/2026).
  • Realtor.com Research · Beating the Headline Mortgage Rate: What Borrowers Still Control in a 7% Market (01/10/2026)
  • Inman · After 'softer' September jobs report, could mortgage rates dip? (02/10/2026)
  • Mortgage News Daily · Mortgage Rates End Higher Despite Promising Start (02/10/2026)

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