Inquilinos que pagaram aluguel de apartamento nos Estados Unidos entre 18 de outubro de 2018 e 21 de novembro de 2025 podem ter direito a uma parte de um fundo de US$ 359.925.000. O dinheiro vem de 37 acordos fechados com 40 administradoras de imóveis acusadas de combinar preços de aluguel usando um mesmo software de precificação.
O pedido é feito pela internet, é gratuito e não exige advogado. O prazo final para apresentar a reivindicação é 29 de janeiro de 2027.
Do que a ação trata
O processo acusa as administradoras de participar de uma conspiração ilegal para inflar e fixar preços de aluguel em prédios residenciais multifamiliares, em violação à Lei Sherman, a lei antitruste americana, e a leis estaduais equivalentes. O mecanismo apontado é a troca de informação comercialmente sensível entre concorrentes por meio do software de gestão de receita da RealPage, conhecido pelos nomes LRO, YieldStar e AIRM.
Na descrição da acusação, cada empresa alimentava o sistema com dados de aluguéis fechados, prazos de contrato e vagas, e recebia de volta uma recomendação de preço calculada com base no que as concorrentes estavam cobrando. Em vez de disputar inquilino baixando o valor, os prédios seguiam a mesma sugestão.
Quem entra na lista
A classe definida no acordo abrange todas as pessoas e empresas nos Estados Unidos e territórios que pagaram aluguel em pelo menos um contrato residencial multifamiliar em imóvel que usava o software de gestão de receita da RealPage, no período entre 18 de outubro de 2018 e 21 de novembro de 2025.
Não é preciso ter ouvido falar da RealPage nem saber se o prédio usava o sistema. Quem define isso é a lista de propriedades publicada pelo administrador judicial: o inquilino busca o endereço onde morou e descobre ali se aquele imóvel está coberto.
Entre as empresas que fecharam acordo estão Greystar Management Services, Equity Residential, Camden Property Trust, Lincoln Property Co., Mid-America Apartment Communities e Avenue5 Residential, além de outras administradoras de grande porte.
Como pedir
O caminho oficial é o site realpagerentalsettlement.com. Ali é possível procurar o endereço na lista de propriedades e, se ele constar, preencher o formulário de reivindicação com nome, contato e o número da notificação, para quem recebeu aviso pelo correio ou por e-mail.
Quem morou em mais de um endereço coberto no período deve listar todos. Contrato de locação, extrato de pagamento do aluguel, extrato bancário ou cheque compensado são o tipo de documento que sustenta o pedido, e vale procurar esses papéis agora, antes do prazo.
O alerta contra quem cobra por isso
O próprio site do acordo traz um aviso em letras maiúsculas: não é preciso contratar nem pagar advogado, empresa ou pessoa alguma para apresentar a reivindicação. O procedimento é gratuito e feito diretamente com o administrador judicial.
O alerta não é decorativo. Acordos coletivos com milhões de beneficiários atraem empresas que oferecem "recuperar seu dinheiro" mediante taxa ou percentual, serviço que cobra por algo que o próprio interessado faz de graça em poucos minutos.
Nada é pago antes da audiência de outubro
Os acordos ainda dependem de aprovação final da Justiça. O segundo conjunto recebeu aprovação preliminar em 22 de maio de 2026, e a audiência de aprovação definitiva está marcada para 15 de outubro de 2026.
Enquanto isso não acontece, nenhum pagamento é liberado. Quem quiser ficar de fora do acordo, para processar por conta própria, ou apresentar objeção, tem prazo até 22 de setembro de 2026, segundo o site oficial.
O valor individual não é fixo. O rateio será proporcional ao aluguel pago no período coberto, depois de descontados impostos, custos administrativos e honorários aprovados pelo juiz. Quem pagou mais aluguel recebe mais.
O Colorado processou a RealPage por conta própria
A disputa é maior do que esse fundo. Em 23 de agosto de 2024, o procurador-geral do Colorado, Phil Weiser, entrou com ação contra a RealPage na Corte Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Carolina do Norte, ao lado do Departamento de Justiça e de outros estados.
"O software e o domínio de mercado da RealPage permitiram o conluio entre proprietários para fixar aluguéis", afirmou Weiser no comunicado da procuradoria, que estima em cerca de 80% a fatia da empresa no mercado de software de gestão de receita para locação. O texto sustenta que a conduta custou milhões de dólares em aluguel aos moradores do Colorado, estado em que metade dos inquilinos compromete mais de 30% da renda com moradia.
O que ainda está em aberto
As ações privadas foram reunidas em um processo multidistrital na Corte Distrital do Distrito Central do Tennessee desde setembro de 2023, e os acordos anunciados resolvem apenas parte dessa litigância. O caso segue contra as empresas que não fecharam acordo.
Para o inquilino, porém, a decisão prática é uma só e tem data: procurar o endereço na lista, reunir a comprovação e enviar o pedido antes de 29 de janeiro de 2027.
Onde confirmar
Site oficial do acordo, realpagerentalsettlement.com, mantido pelo administrador judicial; matéria do ClassAction.org sobre os 37 acordos; comunicado da Procuradoria-Geral do Colorado de 23 de agosto de 2024; e o acompanhamento das ações sobre precificação algorítmica publicado pelo Multifamily Dive.
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