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Moradia

Construção de casas novas cai 12,4% em julho e aperta a oferta de moradia lá na frente

Obras residenciais iniciadas somaram 1,239 milhão em ritmo anual, com queda de 13,5% em doze meses, informaram Censo e HUD. As licenças de construção, porém, subiram 5%, e um em cada três construtores cortou preço em agosto.

Redação Brazuca News 18 de August de 2026, 18:15 1 visualizações
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Construção de casas novas cai 12,4% em julho e aperta a oferta de moradia lá na frente
Foto: Robert So / Pexels License

A construção de casas novas nos Estados Unidos caiu 12,4% em julho, para um ritmo anualizado de 1,239 milhão de unidades, informaram nesta terça-feira (18) o Censo americano e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano (HUD). É menos moradia entrando na fila de entrega justamente no momento em que o inquilino ganhou algum poder de negociação e o comprador ainda esbarra no juro alto.

O que o dado de julho mostra?

O número que o mercado acompanha são os housing starts, as obras residenciais iniciadas no mês, convertidas em taxa anual e ajustadas por sazonalidade. Em julho, elas ficaram 12,4% abaixo da estimativa revisada de junho, de 1,415 milhão, e 13,5% abaixo do ritmo de julho de 2025, de 1,432 milhão.

As casas unifamiliares, que respondem pela maior parte do que se constrói no país, caíram para 808 mil unidades, ante 897 mil em junho. Na comparação com um ano antes, o recuo foi de 15,7%, segundo a agência Reuters. Os prédios com cinco unidades ou mais — o estoque que abastece o mercado de aluguel — ficaram em 421 mil unidades no mês.

A margem de erro pede cautela.

O próprio Censo publica o intervalo de confiança de cada variação, e ele muda a leitura de algumas linhas do relatório. A queda de 12,4% no total vem com margem de 9,5 pontos percentuais: mesmo no pior cenário estatístico, houve queda.

Já o recuo de 9,9% nas casas unifamiliares carrega margem de 10,4 pontos, ou seja, maior que a própria variação medida. O mesmo vale para a queda de 9,1% nas obras concluídas, com margem de 10,2 pontos. Na prática, o órgão não consegue afirmar com segurança estatística que essas duas quedas mensais são diferentes de zero — o que não apaga a tendência, mas recomenda olhar a série de vários meses em vez de um número isolado.

Licenças em alta: o outro lado do relatório.

Nem tudo no levantamento aponta para baixo. As licenças de construção, que sinalizam a intenção de obra futura, subiram 5,0% em julho, para 1,443 milhão de unidades, e ficaram 3,1% acima de julho de 2025. As licenças para casas unifamiliares avançaram 2,5%, para 894 mil, com alta de 1,1% em doze meses. Para prédios de cinco unidades ou mais, o total ficou em 490 mil.

Os dois indicadores superaram a expectativa do mercado em direções opostas: economistas ouvidos pela Reuters projetavam 1,35 milhão de obras iniciadas e 1,37 milhão de licenças. As obras vieram bem abaixo; as licenças, acima.

O que trava a construção, segundo quem constrói,

Um dia antes, a Associação Nacional dos Construtores de Casas (NAHB) divulgou seu índice de confiança, medido em parceria com o Wells Fargo. O indicador subiu um ponto em agosto, para 35 — abaixo de 50, o nível que separa quem enxerga o mercado como bom de quem o vê como ruim.

"Os construtores continuam a lidar com custos altos de construção e com incerteza econômica mais ampla", afirmou Bill Owens, presidente da NAHB e construtor em Worthington, Ohio. Ele citou a alta da gasolina e do diesel, pressionando o preço de material, e a fraqueza da obra por conta própria, feita antes de haver comprador. O economista-chefe da entidade, Robert Dietz, apontou que agosto marcou o 16º mês seguido com o índice abaixo de 40.

O juro segue no centro do problema. A taxa contratada do financiamento de 30 anos, o modelo mais usado no país, recuou na semana encerrada em 7 de agosto — a primeira queda desde meados de junho —, mas seguia em 6,77%, perto do maior patamar em mais de um ano, segundo a Associação de Bancos Hipotecários (MBA) citada pela Reuters.

Desconto e incentivo viraram rotina.

A pesquisa da NAHB mostra o tamanho do esforço para fechar negócio: 35% dos construtores cortaram preço em agosto, ante 37% em julho. O corte médio foi de 6%, o mesmo do mês anterior, e 63% ofereceram algum tipo de incentivo de venda, percentual estável.

Dentro do índice, o componente de vendas atuais subiu dois pontos, para 39; a expectativa para os próximos seis meses ficou em 43; e o fluxo de compradores visitando estandes seguiu em 23, o pedaço mais fraco do levantamento.

O Oeste é a região mais fraca do país.

Na média móvel de três meses por região, o Meio-Oeste aparece em 45 e o Nordeste em 44. O Sul marcou 31. O Oeste — recorte que inclui Colorado e Washington, onde vive boa parte dos leitores do Brazuca News — ficou em 27, o menor da lista.

Owens apontou o Meio-Oeste como ponto positivo do setor, com alta de mais de 2% nas vendas de casas novas na região em 2026. Dietz acrescentou que mercados menores e menos adensados vêm tendo desempenho melhor que as grandes áreas metropolitanas, e que construtores de porte menor relatam condições relativamente mais favoráveis.

O que isso muda para quem procura casa ou aluguel?

Obra iniciada hoje vira moradia disponível daqui a meses. Um julho fraco em canteiro significa menos unidades entrando no mercado no fim de 2026 e em 2027, o que tende a segurar a oferta lá na frente. As licenças em alta apontam para o efeito contrário, com defasagem parecida.

No curto prazo, quem negocia aluguel ou compra encontra vendedores e construtores mais dispostos a ceder: um em cada três cortou preço em agosto, e quase dois terços ofereceram incentivo. Quem tem prazo para decidir ganha ao acompanhar as duas pontas — o custo do financiamento e o ritmo da entrega de unidades novas.

Próxima leitura: 17 de setembro.

O Censo divulga os números de agosto em 17 de setembro. Serão eles que dirão se a queda de julho foi um tropeço pontual ou o começo de uma sequência — e as revisões costumam mexer no resultado do mês anterior, como aconteceu com junho neste relatório.

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