O aluguel médio pedido nos Estados Unidos chegou a US$ 1.962 em julho, alta de 2,3% em doze meses e o ritmo mais rápido em mais de um ano. O dado é do relatório mensal da Zillow, divulgado em 18 de agosto.
A virada tem uma explicação de oferta. A onda de prédios novos que inundou o mercado nos últimos dois anos, e que vinha obrigando proprietários a competir por inquilino, começou a recuar.
Menos prédios novos a caminho.
As licenças para construção de edifícios multifamiliares no segundo trimestre ficaram 31% abaixo do pico registrado em 2022, segundo a Zillow. Menos autorização hoje significa menos apartamento entrando no mercado em 2027 e 2028.
A taxa de vacância em prédios multifamiliares está em 7,2%, perto do topo recente, mas caiu pela primeira vez desde o fim de 2021. É o primeiro sinal estatístico de que o excesso de unidades vazias parou de crescer.
Os números oficiais apontam o mesmo patamar. O Censo dos Estados Unidos informou, em levantamento divulgado em 28 de julho, vacância de 7,3% nos imóveis de aluguel no segundo trimestre, praticamente estável em relação aos 7,0% de um ano antes. A taxa de casa própria ficou em 65,0%, também sem variação relevante.
A renda que o aluguel exige
A Zillow calcula que uma família precisa de US$ 78.488 por ano para bancar o aluguel típico do país sem comprometer mais do que o recomendado do orçamento. Para arcar com a prestação de uma casa própria típica, o cálculo sobe para cerca de US$ 99.800.
A diferença passa de US$ 21 mil por ano. Para quem chegou há pouco tempo e ainda está formando histórico de crédito e juntando entrada, é a distância entre um contrato de aluguel viável e uma prestação fora de alcance.
O desconto ainda existe, e Denver está entre os líderes.
Quase 40% dos anúncios de aluguel ofereciam algum tipo de concessão em julho — mês grátis, taxa abatida, estacionamento incluído. Um ano antes eram 36%.
Os mercados que mais receberam construção nova continuam sendo os mais generosos. Charlotte lidera, com 68,1% dos anúncios oferecendo desconto, seguida de Denver, com 67,2%, e Dallas, com 65,6%.
O número tem uso prático em Denver: com dois em cada três anúncios oferecendo alguma vantagem, pedir concessão na assinatura ou na renovação deixou de ser exceção e virou o comportamento normal do mercado local. Quem aceita o primeiro valor anunciado sem perguntar tende a pagar mais que o vizinho.
Onde o aluguel dispara
Do outro lado da conta estão as cidades com pouca construção nova. San Francisco registrou alta de 9,7% em doze meses, com aluguel típico de US$ 3.372 — mais de US$ 1.400 acima da média nacional.
A Zillow projeta que os aluguéis em prédios multifamiliares subam cerca de 1,9% ao ano e os de casas unifamiliares, 2,9%. As duas taxas seguem abaixo da média histórica, mas a diferença entre elas indica onde a pressão será maior: em casa para alugar, formato procurado por famílias com filhos.
Comprar segue caro.
Do lado da compra, o mercado se mexeu pouco. As vendas de casas usadas caíram 1,7% em julho, para uma taxa anualizada de 4,06 milhões de unidades, ainda 0,7% acima do mesmo mês do ano passado, segundo a National Association of Realtors. O preço mediano ficou em US$ 434.100, alta de 2,0% em um ano e 37º mês consecutivo de aumento anual.
No Oeste, região que inclui Colorado e Washington, o preço mediano é o mais alto do país: US$ 622.200, praticamente estável em doze meses, com as vendas 1,4% acima do ano passado.
O estoque nacional soma 1,54 milhão de imóveis à venda, o equivalente a 4,6 meses de oferta no ritmo atual. Um imóvel leva em média 29 dias para sair do mercado, e compradores de primeira viagem responderam por 29% dos negócios. O índice de acessibilidade da entidade subiu para 103,3, ante 98,3 um ano antes — melhora modesta, puxada pela renda, não pela queda de preço.
O que isso significa na prática?
Para quem aluga, a leitura combinada dos relatórios é direta: o poder de barganha do inquilino ainda existe, mas está encolhendo. A janela de descontos nasceu do excesso de construção, e a construção nova já caiu quase um terço em relação ao pico.
Quem tem contrato vencendo nos próximos meses tende a encontrar condição melhor agora do que na renovação seguinte, sobretudo em mercados com muita oferta recente, como o de Denver. Contrato mais longo trava o valor atual; contrato curto deixa o inquilino exposto ao reajuste do ano que vem.
Onde confirmar?
- Zillow — relatório mensal do mercado de aluguel divulgado em 18 de agosto de 2026, com renda exigida, concessões e projeções.
- U.S. Census Bureau — pesquisa trimestral de vacância residencial e taxa de casa própria do segundo trimestre de 2026.
- National Association of Realtors — relatório de vendas de casas usadas de julho de 2026, com preço mediano e dados por região.
- Mortgage News Daily — análise do relatório da NAR e do índice de acessibilidade habitacional.
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