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Lei de pagamento mínimo para entregador em Seattle dobrou a taxa, mas ganho real não mudou

Desde 2024, Seattle exige que apps de entrega paguem um mínimo por corrida, quilometragem e tempo de espera. Um estudo com dados do Gridwise mostra que o pagamento base por entrega praticamente dobrou, mas o ganho mensal total do entregador ficou quase igual — pedidos caíram e gorjetas encolheram.

Redação Brazuca News 14 de July de 2026, 11:20 4 visualizações
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Lei de pagamento mínimo para entregador em Seattle dobrou a taxa, mas ganho real não mudou
Foto: Yoda / Pexels License

Desde 2024, Seattle exige que aplicativos de entrega paguem aos motoristas um valor mínimo por corrida, além de compensação por quilometragem rodada e tempo de espera, com proteção contra desativação arbitrária da conta do entregador, segundo a KUOW, emissora de rádio pública de Seattle. Passados dois anos, um estudo do National Bureau of Economic Research encontrou um resultado inesperado: o pagamento base por entrega praticamente dobrou, saindo de cerca de US$ 5 para mais de US$ 12 — mas o ganho mensal total do entregador ficou quase igual ao de antes da lei, segundo o Phys.org, que noticiou a pesquisa.

Por que o pagamento por entrega subiu e o bolso não sentiu

O estudo, conduzido pelos economistas Andrew Garin, Brian K. Kovak e Yuan An com dados do aplicativo Gridwise, encontrou três fatores que anularam o ganho: entregadores passaram a completar de 20% a 30% menos corridas por mês, as gorjetas caíram o bastante para compensar mais de um terço do aumento no pagamento base, e o tempo de espera entre um pedido e outro praticamente dobrou.

A explicação está do lado do cliente: os aplicativos repassaram o custo mais alto para quem pede comida, e uma refeição de US$ 12 a US$ 15 no restaurante passou a custar de US$ 35 a US$ 40 pelo app, segundo reportagem da KUOW. Menos gente pediu, e mais motoristas entraram na plataforma atraídos pelo pagamento mais alto por corrida — dividindo um número menor de pedidos entre mais gente.

"Tinha que rodar a noite toda"

O entregador Michael Lowe contou à KUOW que chegou a receber US$ 58 por uma corrida que antes da lei renderia cerca de US$ 17 — um salto e tanto no papel. Mas ele próprio reconhece que, no sistema antigo, "the wage they had, you had to run all night long to make any money" (com o pagamento que existia, era preciso rodar a noite toda para ganhar algum dinheiro) — ou seja, o ganho por corrida era baixo, mas havia volume de pedidos suficiente para compensar ao longo do turno. Hoje o pagamento por corrida é mais alto, mas o volume de corridas caiu, e o resultado no fim do mês tende a ser parecido.

O que isso significa para quem entrega em Seattle

Para o brasileiro que vive de entrega por aplicativo na região de Seattle, o efeito prático da lei foi mudar a forma como o dinheiro chega, não necessariamente aumentar o total ganho por mês: menos corridas, cada uma pagando mais, com mais tempo parado entre uma e outra esperando o próximo pedido cair na tela. Quem decide onde e quando rodar pode considerar esse tempo ocioso maior no cálculo, já que ele conta como hora de trabalho sem pagamento direto enquanto o aplicativo não manda uma nova corrida.

A lei não deixou de trazer benefício concreto: o pagamento mínimo por quilometragem e tempo de espera, além da proteção contra desativação arbitrária da conta, seguem valendo mesmo com o ganho mensal total estabilizado — uma rede de segurança que não existia antes de 2024.

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