A conta de luz de Seattle vai subir — e bastante. A Seattle City Light propõe aumento médio de 9,5% em 2027 e mais 9,5% em 2028. Na prática, são cerca de US$ 10 a mais por mês no ano que vem e outros US$ 10 no seguinte: perto de US$ 20 a mais por mês até 2028.
Antes de você fechar esta página achando que não há o que fazer, leia a segunda metade da matéria. Existe um desconto de 60% na conta de luz que muita família brasileira em Seattle não pede — por medo ou por não saber que ele existe.
Por que a conta sobe
A concessionária, que é pública, alega rede elétrica envelhecida, inflação, tarifas de importação e problemas na cadeia de fornecimento, além do crescimento da demanda com carros elétricos e com a troca do aquecimento a gás pelo elétrico.
Os números dos insumos explicam parte da conta: desde 2020, os postes ficaram 19% mais caros, os transformadores subiram 23% e os fios e cabos, 93%.
"A indústria de energia está num ponto de virada, e nós também", diz a empresa. "Como usamos energia, de onde ela vem e quanto ela custa está mudando rápido."
O plano também cria uma classe tarifária separada para grandes data centers — a ideia é que o custo da demanda dessas instalações não caia no bolso do cliente residencial.
Onde a decisão está
O plano de seis anos foi apresentado ao comitê do conselho municipal em junho, e o voto do plenário era esperado para este verão. Até onde foi possível verificar na pauta oficial, a votação final ainda não aconteceu. Ou seja: o processo continua aberto, e quem quiser se manifestar ainda tem para quem reclamar — os vereadores.
O desconto de 60% — e a frase que importa
Seattle mantém o Utility Discount Program (UDP), o programa de desconto de contas públicas. Ele dá:
- 60% de desconto na conta de luz, todo mês;
- 50% de desconto em água, esgoto e lixo.
A economia média é de US$ 732 por ano.
E aqui está o ponto que trava tanta gente: a página oficial do programa afirma, textualmente, que a prefeitura "não pergunta sobre cidadania ou status migratório", e que "todos são bem-vindos aqui".
Quem tem direito e como pedir
- Critério: a renda total da casa no mês anterior ao pedido precisa ser igual ou menor que 70% da renda mediana do estado. Vale para dono ou inquilino, com a conta da City Light ou da Seattle Public Utilities no próprio nome.
- Onde: o pedido é feito on-line, em utilityassistance.seattle.gov. Leva de 30 a 40 minutos.
- Documentos: documento com foto de todos os adultos da casa e comprovantes de renda do último mês completo.
- Prazo: o processamento leva de 4 a 6 semanas.
- Telefone: (206) 684-0268, de segunda a quinta, das 7h30 às 15h — com intérprete gratuito. Você pode ser atendido em português.
O desconto pode alcançar mais 31 mil famílias
O vereador Dan Strauss propôs mudar o critério de renda — passando da mediana estadual para 60% da renda mediana da área —, o que tornaria elegíveis mais 31 mil domicílios de baixa renda, entre eles cerca de 8.800 lares de idosos.
"Isto é sobre tornar a vida mais acessível para famílias trabalhadoras, rápido", disse Strauss. "Neste momento, um barista que ganha um pouco acima do salário mínimo paga a mesma tarifa de serviços públicos que um gestor de fundo milionário."
A ampliação custaria, em média, 50 centavos por mês a mais na conta de luz dos demais clientes e 27 centavos na de água.
Para quem já está no programa de desconto, os aumentos propostos pela City Light ficariam em cerca de US$ 4 por mês em cada ano, em vez de US$ 10.
É a diferença entre um aumento que dói e um que quebra o orçamento. Vale a ligação.
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