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Cessar-fogo com o Irã ruiu: EUA lançam novos ataques após navios atingidos em Ormuz, e petróleo dispara 6%

Três navios mercantes foram atingidos no estreito entre segunda e terça, os EUA responderam com ataques na madrugada de quarta e Trump declarou o acordo 'encerrado'. O Brent se aproximou de US$ 79 — e a queda recente da gasolina, que aliviava o bolso do imigrante, está ameaçada.

Redação Brazuca News 08 de July de 2026, 12:11 3 visualizações
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Cessar-fogo com o Irã ruiu: EUA lançam novos ataques após navios atingidos em Ormuz, e petróleo dispara 6%
Foto: İrfan Simsar / Pexels License

Durou pouco o alívio na bomba de gasolina. A trégua entre Estados Unidos e Irã — que vinha normalizando o tráfego no Estreito de Ormuz e derrubando o preço do petróleo — ruiu em 48 horas. Entre a noite de segunda (6) e a terça-feira (7), três navios mercantes foram atingidos por projéteis no estreito, na costa de Omã; na madrugada de quarta (8), os EUA responderam com uma série de ataques contra alvos iranianos, chamando os incidentes de “clara violação do cessar-fogo”. Horas depois, o presidente Trump declarou que o acordo está “encerrado”.

Entre os navios atingidos estão o tanque de gás natural catariano Al Rekayyat — que pegou fogo na casa de máquinas, com a tripulação a salvo — e um petroleiro de bandeira saudita. Autoridades americanas atribuem os disparos à Guarda Revolucionária do Irã, que teria lançado ao menos dois mísseis contra navios comerciais; Teerã não assumiu formalmente a autoria, e a TV estatal iraniana disse que o navio de GNL foi “atingido após ignorar advertências”. “Eles demonstraram claramente que não estão ouvindo. Estamos aumentando o volume”, disse uma autoridade americana à PBS. O Tesouro também revogou a licença que autorizava a venda de petróleo iraniano, parte do acordo interino.

O choque nos preços

O mercado reagiu na velocidade de sempre: o Brent saltou 5,6% na terça, para US$ 76, e subiu mais 6,2% na quarta com a escalada, aproximando-se de US$ 79 o barril — as bolsas americanas caíram. É a reversão do movimento que o leitor acompanhou na segunda-feira, quando a OPEP+ ampliava a produção e o barril rodava abaixo de US$ 72, com a gasolina americana em queda de quase 40 centavos no mês.

A aritmética do estreito explica a sensibilidade: por Ormuz passam cerca de 20 milhões de barris por dia — um quinto do petróleo mundial —, e o tráfego mal havia se normalizado (108 travessias no fim de semana, contra a linha de base de 120 a 140). Cada incidente ali se transmite em semanas para a bomba de gasolina, as passagens aéreas e o frete que encarece o supermercado.

O acordo que era frágil por desenho

O cessar-fogo se apoiava num Memorando de Entendimento assinado em 14 de junho, com janela de negociação de 60 dias e a promessa de estreito “livre para toda a navegação” — mas sem especificar consequências para violações, fragilidade que analistas ouvidos pela PBS já apontavam. As conversas indiretas no Catar terminaram na semana passada sem avanço. A postura americana, nas palavras que o próprio Trump usou antes da escalada: “Ou fazemos um acordo, ou terminamos o serviço”.

O que observar — e o que fazer

Para a família brasileira nos EUA, três marcadores práticos: o preço da gasolina nas próximas duas semanas (o repasse do barril à bomba não é imediato — quem puder, aproveita os preços atuais); as passagens aéreas para o fim do ano, que tendem a subir com combustível de aviação mais caro — antecipar a compra da viagem de dezembro ao Brasil ficou mais atraente; e a inflação de energia, que entra na conta do Fed sobre juros. No front diplomático, a janela do memorando vence em meados de agosto — e o mercado monitora se o Irã tentará restringir de novo a navegação, cenário que levaria o barril (e a bomba) a outro patamar.

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