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Deportados dos EUA horas antes do terremoto na Venezuela, mais de 100 seguem desaparecidos — e cresce pressão por pausa nas remoções

Um voo de deportação saído de Miami com 146 venezuelanos pousou horas antes dos tremores de 24 de junho, e o hotel onde o governo alojou o grupo desabou na mesma noite. Organizações pedem que Washington suspenda as deportações ao país em colapso humanitário — precedente que interessa a todo imigrante.

Redação Brazuca News 06 de July de 2026, 22:25 12 visualizações
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Deportados dos EUA horas antes do terremoto na Venezuela, mais de 100 seguem desaparecidos — e cresce pressão por pausa nas remoções
Foto: samimibirfotografci / Pexels License

Um voo de deportação saído de Miami com 146 venezuelanos — 19 mulheres e 7 crianças — pousou na Venezuela horas antes dos terremotos gêmeos de 24 de junho. O grupo foi levado ao Hotel Santuario La Llanada, em La Guaira, que desabou na mesma noite. Duas semanas depois, mais de 100 desses deportados seguem desaparecidos, segundo apuração da Associated Press baseada no rastreamento do ICE Flight Monitor, da organização Human Rights First. O ICE não respondeu aos pedidos de comentário.

O caso virou o centro da pergunta que agora pressiona Washington: o que acontece com as deportações quando o país de destino entra em colapso? Os tremores de magnitude 7.2 e 7.5 — o evento sísmico mais significativo da Venezuela em mais de um século — deixaram, pelo balanço de 2 de julho compilado pela Al Jazeera, ao menos 2.295 mortos, 11 mil feridos e cerca de 60 mil edifícios danificados ou destruídos, com a ONU estimando 1,8 milhão de pessoas precisando de assistência.

Entre os sobreviventes, o relato de Lisbeth Portillo, de 58 anos, que escapou com cerca de 20 pessoas e caminhou 5 quilômetros até um posto da Guarda Nacional: “Nasci de novo; Deus me deu uma segunda chance. Estou traumatizada”.

A pressão pela pausa nas deportações

O Venezuelan American Caucus, liderado por Adelys Ferro, e outras organizações pedem que o governo Trump suspenda as remoções à Venezuela e restaure proteções — mais de 500 mil venezuelanos ficaram sob risco de deportação depois que a Suprema Corte permitiu ao governo encerrar o TPS do país. Até o fechamento, não havia resposta do DHS nem da Casa Branca.

O precedente importa além da comunidade venezuelana: a forma como Washington tratar um país em crise humanitária aguda define o critério que, um dia, pode valer para qualquer nacionalidade — inclusive em desastres no Brasil.

Um milagre nos escombros — e a comunidade que ajuda

Em meio ao luto, um símbolo de resistência: o vigilante Hernan Gil, de 43 anos, foi resgatado com vida em 2 de julho, oito dias depois de ficar preso sob um prédio de sete andares em Catia La Mar, numa operação de quase 72 horas com equipes de sete países, incluindo os EUA. “Não foi fácil chegar ao ponto exato onde a vítima estava”, contou o chefe da equipe chilena, Cristian Vera.

A Venezuela já somava mais de 7,6 milhões de deslocados antes dos terremotos — o maior êxodo da história recente da América Latina —, e dezenas de milhares vivem em Denver e Seattle, onde são colegas de trabalho, igreja e escola dos brasileiros. Comunidades venezuelanas nos EUA organizam coletas de ajuda; quem quiser contribuir deve preferir organizações estabelecidas com operação no país (agências da ONU, como o UNICEF e o Programa Mundial de Alimentos, mantêm canais oficiais de doação para a emergência) e desconfiar de vaquinhas sem rastreabilidade, terreno fértil para golpes em tragédias.

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