O presidente da China, Xi Jinping, faz uma visita de Estado aos Estados Unidos de 23 a 25 de setembro, a convite do presidente Donald Trump. O Ministério das Relações Exteriores chinês confirmou a viagem nesta segunda-feira (21), em comunicado divulgado em Pequim e relatado pela agência Reuters. Será a primeira visita de Estado de Xi ao país desde setembro de 2015, ainda no governo de Barack Obama.
A viagem interessa ao brasileiro também pelo agronegócio. Antes mesmo de Xi embarcar, a China aumentou as compras de soja dos Estados Unidos, e a Associação da Indústria de Óleos Vegetais do Brasil, a Abiove, reduziu a previsão de exportação do grão brasileiro para este ano.
O que Pequim anunciou
Segundo a Reuters, o porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, disse em entrevista coletiva que Xi "terá uma troca de opiniões aprofundada com o presidente Trump sobre grandes questões das relações China-EUA, assim como sobre paz e desenvolvimento mundiais".
Guo afirmou que as visitas recíprocas dos dois chefes de Estado num intervalo de seis meses têm "significado histórico, de marco". Segundo o porta-voz, a China está disposta a trabalhar com os Estados Unidos para fortalecer o diálogo e a cooperação e administrar as diferenças de forma adequada.
Onze anos depois,
A emissora sul-coreana SBS lembra que Xi esteve nos Estados Unidos em 2013, 2016, 2017 e 2023, mas a única visita de Estado foi a de 2015. Naquela viagem, que começou por Seattle, Xi usou a imagem de "óculos coloridos" para criticar o que via como política americana de contenção da China. Em Washington, divergiu de Obama sobre o Mar do Sul da China, direitos humanos, liberdade religiosa e Tibete. Sobre a Coreia do Norte, porém, Xi se alinhou a Obama e se opôs a ações que aumentassem a tensão na península ou violassem resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Os dois lados também acertaram cooperação naquele ano em temas como o programa nuclear do Irã, a mudança climática e o comércio. A SBS compara os lemas: em 2015, Xi defendia um "novo modelo de relação entre grandes potências", centrado na cooperação. Agora, a China fala em uma "relação construtiva de estabilidade estratégica", com foco em evitar conflitos.
A pauta: terras raras e inteligência artificial.
Em 2015, um dos temas centrais era a espionagem cibernética chinesa. Desta vez, segundo a SBS, a segurança da inteligência artificial entrou na agenda. Outro assunto que deve pesar são as terras raras, que a emissora descreve como a nova moeda de pressão da China sobre os Estados Unidos.
Na coletiva desta segunda, jornalistas perguntaram a Guo sobre a avaliação americana de que a China não cumpriu totalmente os acordos sobre terras raras fechados nas negociações comerciais. O porta-voz não respondeu diretamente.
O efeito na soja brasileira
O agronegócio brasileiro acompanha a viagem de perto. Segundo a Forbes Brasil, a China, maior importadora de soja do mundo, intensificou as compras do grão americano nas últimas semanas, antes da visita de Xi a Washington.
Na sexta-feira (18), a Abiove reduziu a previsão de exportação de soja do Brasil em 2026 para 115 milhões de toneladas, 400 mil toneladas a menos que a projeção do mês anterior. Foi o primeiro corte mensal da estimativa desde pelo menos março. A entidade não comentou especificamente o motivo da redução.
O tamanho do corte é pequeno diante do volume total. Mesmo com o ajuste, a exportação brasileira deve fechar 2026 com alta de 6,3% sobre 2025, apoiada numa safra recorde de mais de 180 milhões de toneladas colhida no primeiro semestre. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil deve encerrar setembro com 102,6 milhões de toneladas embarcadas no ano, o que deixa pouco volume para o último trimestre.
A China é o principal cliente.
A dependência do mercado chinês explica a atenção. De janeiro a agosto, 70% da soja exportada pelo Brasil foi para a China, segundo a Anec.
Enquanto a exportação do grão perde um pouco de força, a indústria brasileira de processamento cresce. A Abiove elevou para o recorde de 63,5 milhões de toneladas a previsão de soja esmagada no Brasil em 2026. A produção de farelo deve chegar a 48,9 milhões de toneladas, e a de óleo, a 12,8 milhões, com exportação de óleo revista para 1,8 milhão de toneladas, alta de 5,9% sobre a estimativa anterior. A exportação de farelo foi mantida em 25,3 milhões de toneladas.
"O ajuste nas estimativas reflete o forte desempenho do processamento nacional de soja e o aquecimento do mercado internacional para o óleo de soja", disse Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove.
"Seguimos acompanhando os indicadores de oferta e demanda com cautela para garantir o suprimento regular de grãos e derivados ao longo do ano", completou Amaral.
O que vem a seguir
A visita vai de quarta (23) a sexta (25). A chancelaria chinesa não detalhou a agenda de Xi além do encontro com Trump. Os anúncios que saírem da reunião, sobretudo sobre comércio agrícola e terras raras, devem ser acompanhados pelos exportadores brasileiros e pelo mercado de grãos nas semanas seguintes.
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