Entrar
Brazuca News

A informação que conecta brasileiros e latinos nos EUA

Voltar
Educação

Universidades dos EUA devem perder 111 mil estudantes estrangeiros neste semestre, aponta projeção da NAFSA

Levantamento da NAFSA divulgado em 11 de agosto projeta queda de até 9,5% na matrícula internacional no ano letivo 2026-27, com perda de US$ 3,4 bilhões e quase 40 mil empregos. A pós-graduação concentra o tombo.

Redação Brazuca News 19 de August de 2026, 11:12 3 visualizações
Compartilhar
Universidades dos EUA devem perder 111 mil estudantes estrangeiros neste semestre, aponta projeção da NAFSA
Foto: Stanley Morales / Pexels License

As universidades americanas devem receber cerca de 111 mil estudantes internacionais a menos no ano letivo 2026-27, segundo projeção divulgada em 11 de agosto pela NAFSA, a associação de educadores internacionais dos Estados Unidos. A queda equivale a até 9,5% do total e derrubaria o número de matriculados de aproximadamente 1.168.600 no ciclo 2025-26 para algo entre 1.056.900 e 1.104.900 neste ano letivo.

O Washington Post e a Forbes noticiaram o levantamento em 12 de agosto, com o mesmo intervalo de perda. É a projeção mais pessimista para o setor desde a interrupção provocada pela pandemia.

Como a projeção foi construída

A NAFSA montou um modelo por quartis a partir das respostas ao Spring 2026 Snapshot, pesquisa conduzida pelo Institute of International Education (IIE). As respostas qualitativas das instituições foram convertidas em faixas percentuais — uma queda descrita como significativa entra no modelo como variação de 15% a 30%, e uma queda leve, como variação de 2% a 7%.

A taxa de resposta ficou entre 22% e 36% conforme o quartil, o que a própria entidade registra. O número final, portanto, é uma estimativa a partir do que as universidades relataram antes do início do semestre, e não uma contagem de matrículas efetivadas.

A pós-graduação puxa o tombo.

O documento aponta que a queda na pós-graduação é o principal motor da perda econômica. As projeções de matrícula de pós-graduação recuam em todos os quartis, com variações de -6,75% a -15%.

Na graduação, o quadro se divide: as instituições maiores projetam algo entre estabilidade e crescimento modesto, enquanto as de porte médio aparecem com quedas mais pesadas, de 10% a 15%. A diferença importa porque programas de pós-graduação costumam concentrar estudantes que pagam mensalidade integral e sustentam laboratórios e departamentos inteiros.

US$ 3,4 bilhões e 40 mil empregos.

A NAFSA calcula que a economia americana pode deixar de receber até US$ 3,4 bilhões em contribuição econômica direta neste outono. Perto de 40 mil empregos ficam em risco, o que representa redução de aproximadamente 9% em relação à base de comparação do outono de 2025.

A conta inclui não só mensalidade, mas o gasto do estudante estrangeiro com moradia, alimentação, transporte e serviços na cidade onde estuda — a parcela que sustenta comércio e empregos fora do campus.

O que aparece antes da matrícula

Os sinais de queda já vinham dos dados de candidatura. O levantamento cita números do Common App com recuo de 34% nas candidaturas de Gana, 17% da Nigéria e 14% da Índia. Índia e China permanecem como os dois maiores países de origem de estudantes internacionais nos Estados Unidos.

Nas reportagens do Washington Post e da Forbes sobre o estudo, a retração é atribuída a políticas de vistos mais rígidas e à incerteza em torno de programas de estágio pós-formatura, como o Optional Practical Training.

Onde o Brasil entra nessa conta?

O levantamento da NAFSA não abre os números por país de origem, e não há projeção específica para o Brasil. Os dados mais recentes disponíveis vêm do Open Doors: eram 16.877 estudantes brasileiros nos Estados Unidos no ano letivo 2023-24, segundo análise publicada pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS) em abril de 2025.

O pico brasileiro foi em 2014-15, com 23.675 estudantes, impulsionado pelo Ciência sem Fronteiras, programa que financiou mais de 25 mil bolsistas entre 2011 e 2016. Em contribuição econômica, os brasileiros levaram US$ 1 bilhão ao setor educacional americano em 2023, contra US$ 271 milhões em 2010. O Brasil está entre os dez maiores países de origem de estudantes internacionais no país.

O que sustentou a presença brasileira

A análise do CSIS, assinada por Julie Baer, do IIE, e por Juliana Rubio e Eitan Casaverde, da instituição, atribui o salto da década passada a dois programas de intercâmbio. O Ciência sem Fronteiras, mantido pelo governo brasileiro entre 2011 e 2016, respondeu pela maior parte do fluxo; do lado americano, a iniciativa 100,000 Strong in the Americas ampliou as parcerias entre instituições dos dois países.

O encerramento do Ciência sem Fronteiras explica boa parte da distância entre os 23.675 estudantes de 2014-15 e os 16.877 de 2023-24 — uma queda de quase 30% em menos de uma década, anterior a qualquer efeito das mudanças de visto agora em discussão. O crescimento da contribuição econômica no mesmo período, de US$ 271 milhões em 2010 para US$ 1 bilhão em 2023, indica que o perfil mudou: menos bolsista financiado por programa público, mais estudante que paga a própria mensalidade.

O efeito que chega a quem já está matriculado

A perda de receita não fica contida no escritório de assuntos internacionais. Universidades que perdem estudantes de pós-graduação relatam rombos orçamentários e cortes de programas, o que atinge também o aluno americano e o imigrante já residente — turma cancelada, curso encerrado, assistente de ensino a menos.

Para a família brasileira que planeja mandar um filho para a faculdade nos Estados Unidos, o efeito prático é ambíguo. Menos concorrência internacional pode abrir vaga em programas antes disputados; ao mesmo tempo, orçamento apertado tende a reduzir bolsa e auxílio, justamente o item que decide se o curso cabe no bolso.

O que ainda pode mudar o número?

A projeção da NAFSA é anterior ao fechamento das matrículas do semestre. O número consolidado só aparece no relatório Open Doors, produzido pelo IIE, que, na edição de 2025, registrou 1.177.766 estudantes internacionais no ano letivo 2024-25, alta de 5% sobre o ciclo anterior — o retrato do momento em que a curva ainda subia.

A comparação entre as duas séries dará a medida real da inflexão. Até lá, o que existe é a estimativa das próprias instituições sobre um semestre que começou.

Comentários

Faça login para comentar

Entrar

Seja o primeiro a comentar!