Brazuca News

A informação que conecta brasileiros e latinos nos EUA

Voltar
Educação

Um em cada quatro alunos do Colorado faltou 10% ou mais das aulas, e quem ainda aprende inglês falta mais.

O relatório anual de frequência do Departamento de Educação do Colorado mostra 27,5% de alunos cronicamente ausentes em 2025-26, taxa que sobe para 37% entre estudantes multilíngues. Em Denver, o índice é de 36,6%.

Redação Brazuca News 31 de August de 2026, 21:15 1 visualizações
Compartilhar
Um em cada quatro alunos do Colorado faltou 10% ou mais das aulas, e quem ainda aprende inglês falta mais.

Mais de 230 mil estudantes do Colorado perderam pelo menos 10% dos dias letivos no ano escolar de 2025-26. O número equivale a 27,5% de todos os alunos das escolas públicas do estado e está no relatório anual de frequência divulgado pelo Departamento de Educação do Colorado na quinta-feira, 27 de agosto.

É uma melhora pequena em relação ao ano anterior, quando a taxa foi de 28,4%, e ainda distante do patamar de antes da pandemia: em 2019-20, o índice era de 22,6%. Também está longe do alvo oficial, que é derrubar a chamada ausência crônica para 15% até 2027-28.

A comparação com o pico ajuda a medir o tamanho da recuperação. Em 2021-22, no auge do efeito da pandemia sobre a rotina escolar, a taxa do Colorado chegou a 34,5%. De lá para cá, o estado recuperou sete pontos percentuais, mas travou perto de um em cada quatro alunos e não conseguiu fechar a distância que ainda o separa do índice de 2019-20.

Como o estado conta a falta

O Colorado classifica como cronicamente ausente o aluno que perde 10% ou mais dos dias em que esteve matriculado, sem distinguir falta justificada de falta não justificada. Num calendário de 170 dias, isso significa faltar 17 vezes ao longo do ano, pouco menos de dois dias por mês.

A contagem inclui gripe, viagem, consulta médica e problema de transporte. O motivo muda a conversa com a família, mas não muda o efeito sobre a aprendizagem: pesquisa citada pelo departamento associa esse volume de ausência à queda de desempenho escolar.

O grupo em que muitas famílias brasileiras se encaixam

O dado que mais interessa a quem chegou há pouco aos Estados Unidos está no recorte por perfil de aluno. Entre os estudantes multilíngues, categoria que reúne quem ainda está aprendendo inglês, a taxa de ausência crônica foi de 37%, quase dez pontos acima da média estadual.

Outros grupos aparecem em situação parecida ou pior. Alunos que recebem merenda gratuita ou com desconto ficaram em 38,6%. Estudantes com plano individualizado de educação, o IEP, somaram 34,9%. Entre crianças e adolescentes em situação de rua, o índice chegou a 57,5%.

Por raça e etnia, 37% dos alunos latinos e 33% dos alunos negros faltaram 10% ou mais dos dias, contra 20% dos alunos brancos. O maior índice ficou com estudantes havaianos e das ilhas do Pacífico, 52,1%, único grupo que piorou em relação ao ano anterior, quando marcava 51,1%.

O ensino médio é o ponto mais frágil

A ausência cresce conforme o aluno avança. Do sétimo ao décimo ano, a taxa gira em torno de 30%. No último ano do ensino médio, o 12th grade, passa de 40%, o pior índice de todas as séries.

É justamente o período em que o adolescente começa a trabalhar, e a obrigação de emprego aparece entre as causas mapeadas pelas escolas. Distritos que participam da campanha estadual citam ainda doença e situações de bullying como motivos recorrentes das faltas.

Denver melhorou, mas segue acima da média

As Escolas Públicas de Denver reduziram a ausência crônica de 38,1% para 36,6% de um ano para o outro. É queda real, mas o distrito continua nove pontos acima da média do Colorado.

No condado vizinho, o Jeffco Public Schools recuou de 26,6% para 26,2%. No total, a taxa caiu em 109 dos 182 distritos do estado, e mais de 60% deles mantiveram ou melhoraram os índices de frequência.

O caso mais extremo foi o de Sheridan, onde o índice saltou de 34,6% para 66,2%. O distrito atribui a disparada à greve de professores que durou mais de três semanas em abril.

O que o estado está fazendo

"Fizemos progresso, mas ainda temos um trabalho significativo pela frente", disse a comissária de Educação do Colorado, Susana Córdova, ao comentar os números.

Desde 2024, o departamento mantém a campanha "Every School Day Matters!", voltada a colocar a escola atrás do aluno que começa a sumir. A meta era engajar 80% dos distritos, mas menos de um terço aderiu até agora.

Onde a campanha pegou, o formato se repete: alguém da escola fica responsável por identificar cedo quem está faltando e procurar a família antes que o buraco fique grande. O Boulder Valley School District, por exemplo, designou profissionais especificamente para essa função.

O que a família pode acompanhar

O número que importa para cada família não é o estadual, e sim o do próprio filho. Nos distritos do Colorado, a frequência acumulada aparece no portal do responsável, e dá para checar quantos dias já foram perdidos no ano, inclusive as ausências justificadas, que também entram na conta oficial.

Quando a falta vem de doença ou de dificuldade de transporte, o registro dessa conversa com a escola costuma ser o que separa uma ausência acompanhada de uma notificação de faltas. Nas unidades que mantêm programa de frequência, existe profissional designado para tratar exatamente disso, e o contato parte da secretaria da escola.

Onde confirmar

Reportagem do Chalkbeat Colorado de 27 de agosto de 2026; cobertura da KUNC de 30 de agosto; e reportagem do Denver7 sobre o relatório anual de frequência do Departamento de Educação do Colorado.

Comentários

Faça login para comentar

Entrar

Seja o primeiro a comentar!