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Educação

Perdão da dívida estudantil: contagem de parcelas cai sem explicação para quem trabalha em ONG, escola e hospital

O Departamento de Educação está refazendo o histórico de quem busca o perdão por serviço público e, em alguns casos, retirou meses já creditados. Especialistas recomendam guardar prova de cada pagamento e pedir reconsideração.

Redação Brazuca News 28 de August de 2026, 21:19 1 visualizações
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Perdão da dívida estudantil: contagem de parcelas cai sem explicação para quem trabalha em ONG, escola e hospital
Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels License

O Departamento de Educação dos Estados Unidos revisou o histórico de contas de quem persegue o Public Service Loan Forgiveness (PSLF) e, em parte dos casos, reduziu o número de parcelas consideradas válidas — empurrando esses devedores para longe do cancelamento da dívida. Um mutuário relatou ver a contagem cair de quase 120 para 94 parcelas, segundo a CNBC.

O programa existe desde 2007 e apaga o saldo do empréstimo federal de quem trabalha para o governo ou para organizações sem fins lucrativos depois de 120 pagamentos mensais qualificados, o equivalente a dez anos. Cerca de 1,2 milhão de servidores já tiveram a dívida perdoada, com saldo médio de quase US$ 75 mil, segundo levantamento da Brookings Institution citado pela emissora.

Três problemas ao mesmo tempo.

O advogado Adam S. Minsky, especializado em dívida estudantil, identificou na Forbes três falhas distintas atingindo os mesmos devedores. A primeira é a ausência dos pagamentos de julho e agosto de 2026 no painel do StudentAid.gov, mesmo para quem cumpriu todos os requisitos.

A segunda é intencional: o departamento está retirando créditos concedidos entre 2024 e 2026, sobretudo meses de forbearance e parcelas feitas nos planos Extended e Extended Graduated, que não deveriam ter sido contados.

Esses créditos vieram do ajuste de contas feito na gestão anterior. Naquele período, o devedor pôde pedir a reavaliação do histórico de parcelas do PSLF e passou a receber crédito por intervalos que antes não contavam, incluindo certos períodos de pausa no pagamento. É justamente parte desse crédito que agora está sendo retirada.

A terceira é a mais preocupante — um erro de sistema que converte pagamentos legítimos em inelegíveis. Um devedor relatou ter perdido 12 parcelas qualificadas feitas entre julho de 2025 e maio de 2026, apesar de atender às regras do programa.

O que o governo diz

Um porta-voz do Departamento de Educação afirmou à CNBC que a pasta corrige “erros de codificação” cometidos na gestão Biden. “Esses erros resultaram em contagens de pagamento imprecisas para alguns devedores”, escreveu o porta-voz, acrescentando que a pasta segue comprometida em creditar corretamente cada parcela qualificada.

O departamento não respondeu às perguntas da CNBC sobre quais mudanças da gestão anterior produziram os erros, nem divulgou cronograma público de correção. Avisos no próprio StudentAid.gov ainda indicam que as contagens podem estar incorretas, e o processamento de pagamentos recentes leva de 30 a 90 dias.

Nem toda mudança é para baixo.

Scott Buchanan, diretor-executivo da Student Loan Servicing Alliance, entidade que representa as empresas que administram os empréstimos federais, atribuiu os ajustes a falhas contábeis. “Foram puramente erros técnicos de contabilidade”, disse. Segundo ele, parte dos devedores verá a contagem subir com a revisão.

Por que a falta de explicação preocupa?

O especialista em ensino superior Mark Kantrowitz apontou o problema central: o governo não informa o motivo específico de cada alteração. “Quando o devedor não recebe uma explicação específica, ele fica impossibilitado de verificar se a mudança foi correta”, afirmou à CNBC.

Nancy Nierman, diretora-assistente do Education Debt Consumer Assistance Program, em Nova York, disse que a organização já atendeu clientes cuja contagem de PSLF caiu. “É preocupante quando alguém que confia em números informados pelo governo descobre que, sem culpa nenhuma, aqueles números estavam errados”, afirmou.

O efeito prático em quem trabalha no serviço público

Uma contagem menor significa mais anos pagando — e, para muitos, mais anos presos a um emprego de salário menor só para manter a elegibilidade. Defensores dos devedores ouvidos pela CNBC apontam que o adiamento do perdão costuma empurrar para frente decisões como comprar a primeira casa, casar ou ter filhos.

O problema atinge em cheio parte da comunidade imigrante que estudou nos Estados Unidos e foi trabalhar em hospital, escola pública, prefeitura, universidade ou organização social, setores em que o PSLF é o principal caminho para se livrar da dívida.

O que fazer agora?

Nierman recomenda medidas de proteção a quem viu a contagem mudar. A primeira é o pedido formal de reconsideração do PSLF ao Departamento de Educação, quando o devedor entende que houve erro. Além disso:

  • Tirar print da contagem de parcelas na conta do Federal Student Aid, criando um registro próprio da situação atual;
  • Baixar os extratos bancários que comprovem cada pagamento feito;
  • Preencher o formulário de certificação de emprego pelo menos uma vez por ano e guardar cópia de todos eles.

A recomendação de manter documentação própria não é nova. Um relatório do Government Accountability Office de 2022 já havia concluído que os devedores nem sempre recebiam contabilização correta das parcelas, e o Consumer Financial Protection Bureau alertava desde 2015 que muita gente era empurrada para períodos de forbearance caros, em que os juros correm e o crédito para o perdão fica parado.

O que ainda está em aberto

Sem prazo divulgado para a conclusão da revisão, quem está perto das 120 parcelas segue no escuro. O departamento afirma que todos os pagamentos qualificados serão contados ao final. Enquanto isso, a defesa disponível ao devedor é o próprio arquivo de comprovantes.

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