O galão do diesel chegou a US$ 5,652 na média nacional da semana encerrada em 24 de agosto, alta de US$ 1,944 sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos. A conta chega às escolas na pior hora: a do primeiro dia de aula.
Cerca de 90% dos 480 mil ônibus escolares americanos rodam a diesel, informou a NPR em reportagem publicada nesta quinta-feira. Distritos de todo o país entram no ano letivo 2026-2027 com um item de orçamento que dobrou de tamanho e sem receita nova para cobri-lo — e a saída, na maioria dos casos, tem sido mexer na rota e no horário do sinal.
O tamanho do aperto
Um levantamento feito em maio por entidades que representam superintendentes escolares e empresas de transporte apontou que mais da metade dos distritos consultados já estava acima do orçamento por causa do diesel. Entre os entrevistados, 40% disseram estar consolidando rotas de ônibus e 20%, limitando viagens que não são obrigatórias.
A escalada começou na primavera de 2026, com a guerra contra o Irã e o efeito sobre a oferta global de combustível. Na segunda semana de agosto, motoristas americanos pagaram em média US$ 4 pelo galão de gasolina e US$ 5,40 pelo de diesel, os maiores valores já registrados para a época do ano, informou a publicação setorial Transport Topics com base em dados da AAA. Um ano antes, esses mesmos galões custavam US$ 3,20 e US$ 3,70.
O que muda para o aluno?
Consolidar rota significa menos ônibus circulando e mais crianças em cada veículo. Na prática, o ponto de embarque pode ficar mais longe de casa, o trajeto fica mais longo e o horário de acordar muda. Escalonar o sinal — abrir escolas em horários diferentes para que a mesma frota faça duas ou três viagens — desloca o início e o fim das aulas, o que afeta o turno de trabalho de quem leva e busca o filho.
O corte de viagens não obrigatórias atinge passeio, excursão e, em parte dos distritos, deslocamento para competição esportiva. São despesas que a escola não tem obrigação legal de bancar e, por isso, saem primeiro.
Yakima, no estado de Washington.
Jacob Kuper, superintendente assistente de finanças e operações do distrito escolar de Yakima, calculou que o diesel mais caro custaria 38% a mais no ano letivo 2026-2027, ou US$ 130 mil adicionais. O distrito reagiu consolidando rotas, escalonando horários de sinal, reduzindo o número total de viagens e colocando mais alunos no mesmo ônibus. A projeção de economia ficou entre US$ 400 mil e US$ 500 mil.
"O equivalente a um professor", resumiu Kuper à NPR, ao traduzir o valor no que ele representa dentro de um orçamento escolar.
Boise aposta em ônibus elétrico.
Em Boise, no Idaho, o custo de transporte subiu cerca de US$ 600 mil. Lanette Daw, supervisora de transporte do distrito, observou que cada parada adicional encarece a operação. O distrito recebeu nesta semana oito ônibus elétricos, comprados com recursos do programa federal Clean School Bus, e agora avalia se a troca de combustível segura a despesa no longo prazo.
Em Monterey, na Califórnia, o diretor de transporte, Tom Thorpe, converteu a maior parte dos 50 ônibus do distrito para gasolina. O alívio foi parcial: o galão de gasolina na região saía a US$ 5,77, contra média nacional de US$ 4,10. "Eu não projetei o suficiente, chefe", disse Thorpe.
A conta muda de região para região.
A média nacional esconde diferenças grandes. Na semana encerrada em 24 de agosto, o galão de diesel custava US$ 5,537 na região das Montanhas Rochosas, que inclui o Colorado, e US$ 6,407 na Costa Oeste, que inclui o estado de Washington. Na Califórnia, chegou a US$ 7,040. O Meio-Oeste pagou US$ 5,636 e a Costa Leste, US$ 5,498.
Só na última semana o preço nacional subiu US$ 0,198 por galão. Distritos que fecharam orçamento em junho, com o galão bem abaixo disso, entram no ano letivo com a diferença já corroendo a reserva.
De onde os distritos estão tirando o dinheiro?
Muitos estão recorrendo a fundos de reserva, uma solução temporária: o dinheiro guardado para emergência cobre o rombo de um ano, não a mudança de patamar do combustível. Quando a reserva acaba, a decisão volta para o cardápio conhecido — cortar rota, cortar viagem ou cortar pessoal.
Para as famílias, o efeito visível é o calendário e o ponto de ônibus. Vale confirmar com a secretaria da escola, ainda nas primeiras semanas de aula, se o horário do sinal mudou, se o ponto de embarque foi transferido e se o transporte para atividades extracurriculares continua garantido.
O que vem a seguir
O Departamento de Energia projeta que a gasolina fique em média a US$ 4 o galão no trimestre atual e caia para US$ 3,72 no último trimestre do ano, ainda acima do padrão sazonal. Para o diesel, a projeção é de queda para pouco abaixo de US$ 5 até o fim do ano. As refinarias devem priorizar a produção de diesel para repor a oferta perdida, o que pode apertar ainda mais a disponibilidade de gasolina.
Se a projeção se confirmar, o segundo semestre letivo chega com combustível mais barato que o de agosto — mas ainda muito acima do preço que sustentava os orçamentos escolares até o ano passado.
Onde confirmar?
- NPR (via KUNC) — reportagem de 27 de agosto de 2026 sobre o efeito do preço do diesel no transporte escolar, com os casos de Yakima, Boise e Monterey.
- U.S. Energy Information Administration — painel semanal de preços de gasolina e diesel, leitura de 24 de agosto de 2026 e médias por região.
- Transport Topics — reportagem de 12 de agosto de 2026 sobre os recordes sazonais de preço e as projeções do Departamento de Energia.
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