A Ucrânia propôs à Rússia um acordo para que os dois lados parem de atacar navios civis no Mar Negro, com o objetivo de reabrir o corredor por onde escoa parte relevante do grão que abastece o mundo. A proposta surge em meio a alertas de que os ataques a embarcações vêm pressionando o preço global dos alimentos.
O Mar Negro é rota de saída de trigo, milho e óleo de girassol de dois dos maiores produtores mundiais. Quando a rota trava, o efeito não fica na região: aparece no preço internacional das commodities agrícolas e, com defasagem de semanas a meses, na prateleira.
Por que isso chega ao mercado americano?
Os Estados Unidos não dependem do grão do Mar Negro para se abastecer — são, eles próprios, grandes exportadores. O canal de transmissão é outro: o preço internacional.
Trigo e milho são negociados em mercado global. Quando a oferta de uma origem importante fica sob risco, o preço sobe para todos os compradores, inclusive dentro dos Estados Unidos. Isso encarece pão, massa, biscoito, óleo e também ração animal — que depois reaparece no preço de carne, frango, leite e ovo.
Não é o único fator. A conta do supermercado americano também responde a combustível, transporte e mão de obra. Mas grão em alta é uma das pressões mais persistentes, porque atravessa quase toda a cadeia.
O quadro mais amplo
A guerra segue produzindo desdobramentos fora do campo de batalha. Na Polônia, o primeiro-ministro informou a prisão de um cidadão russo que preparava o assassinato de um cidadão americano de origem ucraniana em Varsóvia.
Em outra frente, um tribunal sírio condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad e seu irmão, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos ao longo dos 14 anos de conflito no país. E o Parlamento da Turquia aprovou lei que institui perdão condicional a milhares de militantes curdos, passo do processo de paz do governo com o grupo insurgente.
O que observar daqui para frente?
Para quem faz mercado nos Estados Unidos, o indicador a acompanhar não é a manchete de guerra, e sim o índice de preços ao consumidor na linha de alimentos — que subiu 3,0% em doze meses na leitura de julho, com o item de supermercado abaixo disso.
Se o corredor do Mar Negro voltar a funcionar com estabilidade, a pressão sobre grãos tende a ceder ao longo dos meses seguintes. Se os ataques continuarem, o efeito aparece primeiro nos produtos com mais farinha e óleo na composição.
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