A tempestade tropical Dolly avançava rapidamente pelo Atlântico na manhã desta sexta-feira, 28 de agosto, e o Centro Nacional de Furacões (NHC) projeta que ela perca a organização antes de alcançar as Ilhas de Sotavento, no Caribe oriental. A chuva associada ao sistema, porém, deve chegar às ilhas de qualquer forma.
O boletim número 4, emitido às 5h da manhã no horário do Atlântico, localiza o centro da tempestade em 14,5 graus de latitude norte e 44,8 graus de longitude oeste — cerca de 1.145 milhas, ou 1.840 quilômetros, a leste das Ilhas de Sotavento.
O que o boletim das 5h traz?
Dolly tem ventos máximos sustentados de 40 milhas por hora (65 km/h), com rajadas mais fortes, e se desloca para oeste a 24 milhas por hora (39 km/h). A pressão central mínima estimada é de 1007 milibares. Os ventos com força de tempestade tropical se estendem por até 115 milhas (185 km) ao norte do centro.
O NHC não espera mudança significativa de intensidade nos próximos dois dias. O texto assinado pelo meteorologista Cangialosi é direto: “Dolly deve degenerar em uma onda tropical antes de chegar às Ilhas de Sotavento.”
O que significa degenerar em onda tropical
Na prática, o sistema perde a estrutura fechada que o define como tempestade nomeada e segue viagem como uma área desorganizada de instabilidade. Some o nome, não some a chuva — e é por isso que o boletim mantém o aviso de precipitação para as ilhas.
Para onde a chuva vai?
O NHC projeta chuva forte nas Ilhas de Sotavento entre a noite de sábado e o domingo. Depois disso, a precipitação avança para as Ilhas Virgens, Porto Rico e Hispaniola — a ilha dividida entre Haiti e República Dominicana — no domingo e na segunda-feira.
O alerta específico do boletim é para enxurradas nas áreas de terreno mais alto das Ilhas de Sotavento, onde a água desce rápido pelas encostas.
Nenhum alerta costeiro em vigor.
Até o boletim das 5h, não havia nenhum aviso ou alerta costeiro decretado. A orientação do NHC é de monitoramento: “Interessados nas Ilhas de Sotavento devem acompanhar o progresso de Dolly.” O próximo boletim completo estava previsto para as 11h no horário do Atlântico.
A quarta tempestade nomeada de uma temporada fraca
Dolly se formou na quinta-feira, 27 de agosto, segundo a FOX Weather, e é a quarta tempestade nomeada da temporada de furacões do Atlântico de 2026 — o código do sistema no NHC, AL042026, confirma a posição.
Chegar ao fim de agosto com quatro nomes usados é pouco. Em uma temporada típica, o Atlântico produz 14 tempestades nomeadas, das quais sete viram furacões, incluindo três de grande intensidade, segundo a NOAA. Até 6 de agosto, quando a agência atualizou sua previsão sazonal, a temporada tinha registrado apenas duas tempestades nomeadas — Arthur e Bertha, ambas formadas no Golfo — e nenhum furacão.
O El Niño explica boa parte da conta
A NOAA manteve em agosto a previsão de temporada abaixo da média no Atlântico: 7 a 13 tempestades nomeadas, das quais 2 a 6 podem virar furacões, incluindo de zero a 2 furacões de grande intensidade. A agência calcula 75% de chance de atividade abaixo do normal, 20% de temporada próxima da média e apenas 5% de temporada acima do normal.
O motivo é o El Niño, que surgiu no Pacífico equatorial em junho. O fenômeno aumenta o cisalhamento do vento, condição que atrapalha a formação de tempestades e impede que as já formadas ganhem força. “Quando o El Niño aparece, ele normalmente se torna o fator dominante na atividade total da temporada de furacões, e este El Niño continua ficando mais forte a cada mês”, disse Matt Rosencrans, meteorologista-chefe da previsão de temporada do Serviço Nacional de Meteorologia.
No caso específico de Dolly, a FOX Weather aponta ainda a poeira do Saara como fator adicional de enfraquecimento.
No Pacífico, o efeito é o contrário
O mesmo El Niño que segura o Atlântico solta o Pacífico. A NOAA projeta de 15 a 22 tempestades nomeadas no Pacífico Leste, acima da média, e de 5 a 13 tempestades e depressões tropicais no Pacífico Central, também acima do normal.
Tempestade fraca não significa temporada tranquila
O diretor do Serviço Nacional de Meteorologia, Ken Graham, faz questão de separar as duas coisas. “A chuva no interior é uma causa importante de estragos em tempestades tropicais e furacões, como Arthur demonstrou”, afirmou. “Por isso é importante se preparar para toda tempestade que se projeta atingir sua área, mesmo que ela nunca chegue à força de furacão.”
Arthur, a primeira tempestade nomeada do ano, formou-se em meados de junho no Golfo, na costa do Texas, levou chuva recorde a partes da Louisiana e gerou tornados ao longo da costa. A temporada do Atlântico vai de 1.º de junho a 30 de novembro, e o pico climatológico começa no início de setembro.
Onde confirmar?
- Centro Nacional de Furacões (NOAA) — boletim público número 4 da tempestade tropical Dolly, 5h AST de 28 de agosto de 2026.
- NOAA — “NOAA maintains prediction for below-normal Atlantic hurricane season”, previsão atualizada de 6 de agosto de 2026.
- FOX Weather — “Tropical Storm Dolly forms as Atlantic hurricane season struggles to wake up”.
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