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Quase 95% do Oeste montanhoso está em seca depois de uma monção que não veio.

O balanço federal de 20 de agosto aponta 94,44% da região entre Arizona, Colorado, Novo México, Utah e Wyoming em seca, com cerca de 30% nos níveis extremo ou excepcional. Julho foi o mês mais quente já registrado em vários desses estados.

Redação Brazuca News 25 de August de 2026, 21:16 1 visualizações
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Quase 95% do Oeste montanhoso está em seca depois de uma monção que não veio.
Foto: Cara Denison / Pexels License

O balanço de seca do Intermountain West, divulgado em 20 de agosto pelo sistema federal de informação sobre seca, o NIDIS, coloca 94,44% da região em algum grau de seca. Cerca de 30% da área está nos dois níveis mais graves da escala, seca extrema e seca excepcional. A região abrange Arizona, Colorado, Novo México, Utah e Wyoming.

A causa imediata é a combinação de calor recorde com uma estação de monção que não entregou o que costuma entregar. Julho trouxe chuva isolada, concentrada sobretudo no Arizona e em Utah, sem produzir melhora ampla ou significativa no abastecimento de água da região.

Julho entrou para a série histórica.

Wyoming registrou o julho mais quente desde o início das medições. Colorado, Novo México e Utah tiveram o segundo mais quente. O Arizona ficou com o quarto. Em Laughlin, Nevada, a temperatura mínima chegou a 99°F — recorde absoluto para uma mínima na cidade.

O acumulado do ano é ainda mais chamativo. De janeiro a julho, quase todo o condado do Intermountain West viveu o ano mais quente já registrado. No plano global, julho de 2026 foi o mês mais quente da série histórica, empatado com julho de 2024.

A monção choveu, mas no lugar errado.

A monção norte-americana é a estação de tempestades de verão que abastece boa parte do sudoeste dos Estados Unidos entre junho e setembro. Neste ano, o NIDIS a classificou como fraca. As tempestades foram pontuais: fortes onde caíram, ausentes a poucos quilômetros dali.

Chuva concentrada em pouco tempo tem efeito limitado sobre reservatório e lençol freático. A água escorre rápido, o solo ressecado absorve pouco e o volume que chega ao rio é uma fração do que uma chuva distribuída produziria.

Denver acumula menos que o esperado para agosto.

Em Denver, o acumulado de agosto até o dia 20 era de 0,73 polegada, contra 1,17 polegada esperadas para a mesma altura do mês — cerca de 38% abaixo do ritmo normal. A média para o mês inteiro é de 1,58 polegada. No começo de agosto, a cidade marcou 102°F em dias consecutivos.

O Serviço Nacional de Meteorologia previa novas chances de pancadas e trovoadas na região nos dias seguintes, com probabilidade maior no meio da semana seguinte.

Chuva forte em terreno queimado vira enxurrada.

O paradoxo da seca aparece quando a chuva finalmente cai. Perto da cicatriz do incêndio Aspen Acres, no Colorado, o Serviço Nacional de Meteorologia chegou a emitir uma Emergência de Enchente Relâmpago depois que 1 a 3 polegadas de chuva caíram sobre a área queimada, provocando fluxo de detritos.

Terreno que perdeu a vegetação não segura água. O que seria uma tempestade comum vira, ali, uma corrente de lama e pedra capaz de tomar uma estrada em minutos. Quem dirige pelas montanhas do Colorado no fim do verão precisa tratar aviso de enchente relâmpago em cicatriz de incêndio como o que ele é: risco imediato, não previsão.

Os reservatórios contam a mesma história.

Na leitura de 13 de agosto, o Lago Mead estava no menor nível desde que começou a ser enchido, em 1937. O Lago Powell aparecia com 22% da capacidade, contra uma média histórica de 33% para a data.

No Colorado, o reservatório Blue Mesa estava em torno de 24% a 26% da capacidade, e cresce a preocupação de que caia abaixo do mínimo necessário para gerar energia hidrelétrica ainda neste ano. O quadro mais extremo está no Novo México: o Elephant Butte marcava 1,4% da capacidade, e um trecho de 82 milhas do Médio Rio Grande secou.

Os condados de Eagle, Pitkin, Lake, Garfield, Rio Blanco, Routt, Grand e Summit, no Colorado, seguem classificados em seca excepcional, o grau mais severo da escala.

O que esperar até novembro?

A projeção federal indica temperatura acima do normal no Oeste até o começo de setembro. A seca deve persistir pelo menos até novembro, com possibilidade de melhora leve em parte da área. A NOAA projetava, para as duas semanas seguintes ao balanço, calor acima da média no Oeste com precipitação perto do normal.

O que o El Niño pode mudar?

Há mais de 90% de chance de um El Niño muito forte no outono e no inverno de 2026-27, segundo a mesma avaliação federal. Historicamente, El Niño intenso costuma trazer outono mais úmido para parte do sudoeste americano.

Chuva de outono, porém, não resolve déficit de reservatório acumulado em anos. O que recompõe estoque de água no Oeste é neve de inverno que derrete devagar na primavera — e essa conta só começa a ser feita a partir de dezembro.

Onde confirmar?

  • NIDIS / NOAA — Drought Status Update for the Intermountain West, 20 de agosto de 2026.
  • Summit Daily — reportagem sobre o agravamento da seca no Colorado, 17 de agosto de 2026.
  • Fox Weather — balanço da chuva de agosto em Denver e situação da seca no Colorado.

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