Uma cúpula de calor parada sobre o sul dos Estados Unidos manteve as temperaturas acima dos 100°F (37,8°C) do Texas à Flórida nesta semana e derrubou dezenas de recordes históricos. Na terça e na quarta-feira, cidades de oito estados registraram as marcas mais altas já anotadas para a data, e a previsão indica que o padrão continua por pelo menos boa parte da próxima semana.
Miami chegou a 100°F, algo que a cidade só havia registrado uma outra vez desde o início da série, em 1895 — e igualou uma marca que não se repetia havia 84 anos. Little Rock, no Arkansas, bateu 105°F na terça e 107°F na quarta. Fort Smith, também no Arkansas, chegou a 109°F.
Onde o calor apertou
Os recordes se espalharam por Texas, Oklahoma, Arkansas, Alabama, Geórgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Flórida. Entre as marcas confirmadas estão McAllen, no Texas, com 104°F; Brownsville, também no Texas, com 100°F; Tallahassee, na Flórida, com 100°F; Tuscaloosa, no Alabama, com 102°F; e Savannah, na Geórgia, com 99°F. Fort Lauderdale, Jacksonville, Fayetteville e Charleston também entraram na lista.
A sensação térmica passou dos 120°F (48,9°C) em pontos do sul do país. Jacksonville marcou 107°F de sensação, Nova Orleans 105°F, Laredo 107°F, El Paso 101°F e Phoenix 111°F. Os alertas do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) chegaram a se estender até Oregon e Idaho.
Por que a umidade piora tudo?
O que diferencia esta onda de calor do calor seco do Sudoeste é o ponto de orvalho, o indicador que mede quanta água há no ar. Na região afetada, ele ficou na casa dos 70°F — nível em que o suor evapora mal e o corpo perde eficiência para se resfriar. É por isso que a sensação térmica dispara bem acima do número do termômetro.
O segundo agravante é a noite. Nas áreas sob a cúpula, as mínimas não caíram abaixo dos 70°F, o que elimina a janela de recuperação que o organismo costuma ter na madrugada. O NWS alerta que vários dias seguidos de estresse térmico alto, sem alívio noturno, levam à doença, mesmo quem está saudável.
Que alertas estão valendo?
O NWS trabalha com dois níveis nesse tipo de evento. O heat advisory sinaliza calor perigoso para grupos sensíveis e para quem trabalha exposto. O extreme heat warning é o nível superior, emitido quando as condições ameaçam a população em geral. Nesta semana, os dois estiveram em vigor simultaneamente em diferentes trechos do Sul.
Quanto tempo ainda dura?
A previsão aponta máximas de três dígitos no Texas e em Oklahoma, pelo menos até boa parte da próxima semana. O interior do Sudeste deve ter algum alívio antes: a expectativa é de queda do ponto de orvalho para a casa dos 50°F no começo da semana, o que reduz bastante a sensação térmica mesmo sem queda expressiva da temperatura.
Os três quadros de emergência e o que fazer.
O NWS separa os efeitos do calor em três quadros, com condutas diferentes.
Cãibras de calor aparecem como espasmos dolorosos nas pernas e no abdômen, acompanhados de suor intenso. A orientação é aplicar pressão ou massagear com cuidado a musculatura afetada e oferecer goles de água, salvo se houver náusea. Cãibra que passa de uma hora exige atendimento médico.
Exaustão pelo calor combina suor intenso, fraqueza, pele fria, pálida e pegajosa, pulso rápido e fraco, tontura, náusea, dor de cabeça e desmaio. A conduta é levar a pessoa para um ambiente fresco ou com ar-condicionado, retirar o excesso de roupa, aplicar panos úmidos frios ou dar um banho frio e oferecer goles de água. Vômito, piora do quadro ou sintomas que passam de uma hora pedem socorro imediato.
Insolação é emergência médica. Os sinais são dor de cabeça latejante, confusão mental, fala arrastada, náusea, tontura, temperatura corporal acima de 103°F (39,4°C), pele quente e avermelhada — seca ou úmida —, pulso rápido e forte, desmaio e perda de consciência. A orientação do NWS é ligar para o 911 ou levar a pessoa ao hospital de imediato, transferi-la para um ambiente fresco e baixar a temperatura corporal com panos frios ou banho frio. Nesse quadro, não se deve oferecer líquidos.
O detalhe do ventilador
Há uma recomendação que costuma pegar de surpresa quem não tem ar-condicionado: o NWS orienta não usar ventilador quando a sensação térmica está na casa dos 90°F ou acima. Com o ar já muito quente, o aparelho passa a soprar calor sobre a pele e aumenta a carga térmica do corpo em vez de aliviá-la.
O que observar se você tem gente na região?
O núcleo do episódio está no Sul e no Sudeste, ainda que os alertas tenham chegado a Oregon e Idaho. Para quem mora no Colorado ou em Washington, a frente de atenção é outra: parentes e amigos em estados como Flórida, Texas e Geórgia, viagens marcadas para a região nos próximos dias e conhecidos que trabalham ao ar livre — construção, paisagismo, entrega, agricultura —, o grupo que o NWS aponta como o mais exposto nesse tipo de evento.
Os alertas do NWS por CEP são atualizados ao longo do dia, e a leitura que importa nesse quadro é a de sensação térmica, não a da temperatura registrada.
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