O furacão Nolo entrou na madrugada desta terça-feira, 29 de setembro, no Monumento Nacional Marinho Papahanaumokuakea, a noroeste do Havaí, como categoria 3, com ventos máximos sustentados de 185 km/h. O boletim número 35 do Centro Nacional de Furacões (NHC), emitido às 23h de segunda-feira no horário do Havaí, colocava o centro da tempestade a 680 quilômetros a oeste de Honolulu, com deslocamento para norte-noroeste a cerca de 24 km/h e pressão mínima de 958 milibares.
O centro do furacão não atinge as ilhas habitadas. O efeito que resta para moradores e turistas vem das faixas externas de chuva e do mar agitado: o NHC prevê de 76 a 152 milímetros de chuva em Kauai e Niihau entre terça e quinta-feira, com risco de alagamento e de deslizamento em terreno íngreme.
Onde vale o alerta de furacão.
O Hurricane Warning em vigor cobre apenas o monumento marinho, no trecho de Nihoa a French Frigate Shoals. O NHC informou que um Hurricane Watch pode ser necessário para outras partes do monumento ainda na terça. Para as ilhas principais do Havaí, não há alerta de furacão.
O monumento é uma área de conservação de cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, segundo a CBS News. O NHC avisa que as ondas geradas pelo Nolo devem inundar parte dos atóis baixos da região.
Chuva em Kauai na terça e em Oahu a partir da noite.
O escritório do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) em Honolulu detalhou a ordem de chegada da chuva. Kauai e Niihau recebem as primeiras pancadas na terça, a partir do fim da manhã. Oahu, onde fica Honolulu, entra na faixa de chuva da noite de terça para quarta-feira e pode acumular até 100 milímetros no período.
As encostas sul e sudeste das ilhas, que costumam ser as mais secas, devem receber mais chuva que o habitual. Apesar dos volumes, os meteorologistas de Honolulu escreveram que não consideram emitir um Flood Watch neste momento, porque a chuva se distribui por vários dias e as pancadas passam rápido.
Mar perigoso nas costas sul e oeste.
As ondulações do Nolo afetam as costas sul e oeste das ilhas principais pelos próximos dias e, de acordo com o NHC, devem provocar arrebentação e correntes de retorno com risco de morte. A agência estadual de gestão de emergências do Havaí pede que moradores e visitantes evitem áreas perigosas da orla e acompanhem os boletins oficiais.
Para quem voa entre as ilhas, o NWS mantém um aviso de turbulência moderada abaixo de 2.700 metros de altitude sobre o relevo das ilhas e a sotavento dele, provavelmente até quarta-feira.
Furacão deve perder força e quase parar perto de Kauai.
A tabela de previsão do NHC indica enfraquecimento rápido: ventos de 169 km/h na manhã de terça, 129 km/h na noite de terça e rebaixamento a tempestade tropical, com 105 km/h, na noite de quarta-feira, 30 de setembro, no horário do Havaí. Os meteorologistas atribuem a queda a ventos contrários em altitude e à entrada de ar seco e estável, e admitem que o rebaixamento pode vir antes do previsto.
O NWS de Honolulu espera que o sistema fique quase parado a uma distância de 400 a 480 quilômetros a oeste de Kauai na noite de terça e na quarta, já como categoria 1. Depois disso, o Nolo deve seguir para oeste, e a tabela do NHC mostra os ventos voltando a subir no fim da semana, em mar aberto. O próprio centro registra incerteza grande sobre a velocidade do deslocamento depois das primeiras 36 horas.
A melhora do tempo nas ilhas está prevista para o fim da semana. Segundo o NWS, a chuva diminui já na sexta, com a volta do ar mais seco e dos ventos alísios.
O que o Nolo já causou na Big Island e em Maui.
A maior aproximação ocorreu no sábado, 26 de setembro, quando o furacão passou a cerca de 225 quilômetros do extremo sul da Big Island como categoria 2, de acordo com a FOX Weather. Não houve entrada do centro em terra. A AccuWeather registra que muitos pontos da Big Island acumularam mais de 300 milímetros de chuva, com máximo informado de 559 milímetros em Laupahoehoe. Encostas do nordeste de Maui também passaram dos 300 milímetros.
A Highway 11 foi fechada por alagamento perto de Waiohinu, no sul da Big Island, e a Associated Press relatou fechamentos parciais em uma das principais rodovias entre Kailua-Kona e Hilo. O Washington Post lista enchente, um deslizamento e árvores derrubadas entre os danos na ilha. Todos os parques estaduais da Big Island e de Maui foram fechados, segundo o departamento estadual de recursos naturais citado pela CBS News.
Em Maui, um incêndio perto de Olowalu, a cerca de 11 quilômetros ao sul de Lahaina, levou à evacuação obrigatória no sábado, com trechos de rodovia fechados e dois centros de acolhimento abertos, conforme a AP. A FOX Weather informou que o fogo queimou mais de 40 hectares e estava 70% contido, e que mais de 10 mil clientes estavam sem energia no condado de Maui na manhã de segunda-feira.
O presidente Donald Trump aprovou uma declaração de emergência federal na sexta-feira, 25, segundo o governador Josh Green. Cerca de 400 membros da Guarda Nacional foram ativados no estado, mais de 120 deles na Big Island.
Estamos acostumados com muita chuva. "Não estamos acostumados com vento", disse à AP Andrea Gill, moradora de Hilo.
Quarto sistema tropical no Havaí em 2026.
O Nolo é o quarto sistema tropical a afetar o Havaí neste ano, depois do furacão Lala, em meados de agosto, da tempestade tropical Moke e do furacão Lowell, em setembro. A AccuWeather lembra que, na maioria dos anos, o estado não registra nenhum.
O Lala passou a cerca de 48 quilômetros ao sul da Big Island, segundo a FOX Weather, e arrancou cerca de 100 casas das fundações, conforme a AP e a CBS News. O Lowell chegou à categoria 5 no pico, informa o Weather Channel, e teve o centro a 80 quilômetros de Kauai como categoria 2. O Washington Post contabiliza dez casas destruídas e danos graves em pelo menos 67.
O jornal relaciona a sequência ao El Niño, que descreve como o mais forte já registrado. Os furacões costumam enfraquecer antes de alcançar o arquipélago por causa de águas mais frias e ventos hostis, o que torna raro o impacto direto. Bob Oravec, previsor-chefe do NWS, disse à AP que a atividade no Pacífico está acima da média, padrão coerente com anos de El Niño.
O que vem depois
A temporada de furacões vai até novembro, e o Washington Post aponta que o El Niño aumenta o risco de tempestades tardias. O NHC monitora outra área de instabilidade a leste-sudeste do Havaí, com 90% de chance de virar depressão tropical em 48 horas. As condições para o desenvolvimento dela ficam menos favoráveis no fim da semana.
No Atlântico, as tempestades tropicais Fay e Hanna estão em mar aberto, perto dos Açores e das Bermudas, e o NHC não espera a formação de novos ciclones nos próximos sete dias.
Quem tem viagem marcada para o Havaí nesta semana encontra as orientações oficiais nos canais da agência estadual de emergências e do NHC. As fontes consultadas não trazem informação atualizada sobre a reabertura dos parques estaduais e da Highway 11.
Onde confirmar: NHC, boletim público nº 35 do furacão Nolo (28/09); NHC, discussão técnica nº 35 (28/09); NWS Honolulu, Area Forecast Discussion (28/09); AccuWeather (atualizado em 29/09); The Washington Post (29/09); AP via PBS NewsHour (26/09); FOX Weather (28/09); CBS News (28/09); Hawaii Emergency Management Agency (28/09); The Weather Channel (28/09).
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