A temporada de furacões do Atlântico entrou em outubro sem ter produzido um único furacão. O balanço do Centro Nacional de Furacões (NHC), atualizado em 1º de outubro, registra oito tempestades com nome, duas a menos que a média de 1991 a 2020, nenhum furacão (a média para a data é cinco) e nenhum furacão de grande porte (média de dois).
A energia acumulada da temporada, o índice ACE que soma a força e a duração das tempestades, está em 10,8, valor 89% abaixo do normal. Nenhuma morte direta e nenhum prejuízo nos EUA foram registrados até agora.
Oito tempestades, nenhuma virou furacão
A lista do NHC vai de Arthur, em junho, a Hanna, no fim de setembro. A mais forte foi Fay, que durou de 19 a 29 de setembro e chegou a ventos de 60 nós, cerca de 110 km/h. Segundo o especialista em furacões Bryan Norcross, da FOX Weather, Fay ficou apenas 8 km/h abaixo da força de furacão. Ele lembra que o NHC revisa todos os dados ao fim da temporada e que essa reanálise ainda pode mudar a classificação.
A FOX Weather contabiliza que setembro, o pico climatológico da temporada, terminou sem furacão no Atlântico pela segunda vez na era dos satélites. O último furacão formado na bacia foi Melissa, em 13 de outubro de 2025, há mais de 330 dias. Se 2026 terminar sem nenhum, será apenas a terceira vez no registro histórico, ao lado de 1914 e 1917, e a primeira na era moderna. A emissora ressalva que, naqueles anos antigos, furacões longe da terra e das rotas de navios podem ter passado sem registro.
O papel do El Niño
A explicação, segundo a FOX Weather, está nos ventos fortes em altitude provocados pelo El Niño, que desmancham as tempestades antes que se organizem. A emissora define o chamado Super El Niño como o período em que a água na região de referência do Pacífico Central fica pelo menos 2 °C acima da média por três meses seguidos.
Em outubro, a atividade costuma migrar para o Golfo e o Caribe, alimentada por uma grande área de baixa pressão sobre a América Central. O Centro de Previsão da FOX constatou, porém, que nos anos de Super El Niño desde 1960 nenhum sistema tropical se formou no Golfo ou no Caribe em outubro.
O que o NHC acompanha no Atlântico agora
O único ponto monitorado na tarde de 1º de outubro eram os restos da antiga tempestade Fay, a algumas centenas de milhas a sudeste das Bermudas. O NHC dá chance baixa, de 10%, de o sistema voltar a se organizar nas próximas 48 horas e nos próximos sete dias, por causa do ar seco e dos ventos fortes em altitude. A possibilidade deve acabar até domingo.
Norcross não espera nenhuma formação na próxima semana. Ele observa que o sudoeste do Golfo deve ficar um pouco mais favorável em sete ou oito dias, mas os modelos de longo prazo mostram chance baixa de algo se desenvolver, e menor ainda de ameaçar a terra.
No Pacífico, Rachel ganha força
O cenário é outro do lado do Pacífico. No boletim das 14h (horário da montanha) de 1º de outubro, o NHC informou que o furacão Rachel chegou a ventos sustentados de 195 km/h, categoria 3 na escala Saffir-Simpson, a cerca de 390 km ao sul da ponta da Baja California. O furacão anda devagar para oeste, a 6 km/h, e deve ganhar mais força por cerca de um dia antes de enfraquecer aos poucos no fim de semana.
Não há alerta costeiro em vigor. O NHC avisa, porém, que as ondulações geradas por Rachel atingem a costa centro-oeste do México e a Baja California até o fim da semana, com risco de mar perigoso e correntes de retorno que podem matar. Norcross acrescenta que essas ondas devem chegar às praias do sul da Califórnia no começo da semana que vem e que a umidade do furacão deve deixar ainda mais abafada a onda de calor na região.
Mais a oeste, a tempestade tropical Nolo, com ventos de 95 km/h, está a cerca de 630 km a oeste de Lihue, no Havaí, e mantém aviso de tempestade tropical para atóis do monumento marinho de Papahānaumokuākea. As ilhas principais do Havaí não estão sob alerta. O NHC também vê 80% de chance de uma nova depressão tropical se formar ao sul do México nos próximos sete dias; se ganhar nome, será Simon, segundo Norcross.
E no Colorado
Para quem está em Denver, o tempo segue seco. A discussão de previsão do Serviço Meteorológico Nacional (NWS) de Denver/Boulder, publicada na tarde de 1º de outubro, prevê a noite mais fria da estação até agora, com mínimas na casa dos 40 °F (4 °C a 9 °C) nas planícies, seguida de aquecimento: máximas perto de 80 °F (27 °C) na sexta-feira e entre a metade e o alto da casa dos 80 °F na segunda-feira.
O NWS diz que Denver vai se aproximar do recorde para a data na segunda, que é de 87 °F (31 °C), marcado em 2024. Um sistema fraco pode trazer pancadas leves na noite de segunda e na terça. Não havia nenhum alerta, aviso ou vigilância do NWS em vigor para a região de Denver/Boulder no boletim.
O que vem a seguir
A temporada oficial do Atlântico vai até 30 de novembro. Pela análise de Norcross, o ambiente sobre o Atlântico, o Caribe e o Golfo deve continuar, na média, hostil à formação de tempestades. Para quem tem viagem marcada ao litoral do México, os boletins do NHC sobre Rachel e sobre o possível sistema ao sul do país são a referência a acompanhar nos próximos dias.
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!