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Governo federal corta 1,25 milhão de acres-pé do Rio Colorado, e Colorado fica fora do corte obrigatório

O Departamento do Interior assinou em 21 de agosto o plano de operação do Rio Colorado para 2027 e 2028, com reduções concentradas em Arizona, Califórnia e Nevada. Lake Mead e Lake Powell estão em mínima histórica.

Redação Brazuca News 24 de August de 2026, 11:15 1 visualizações
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Governo federal corta 1,25 milhão de acres-pé do Rio Colorado, e Colorado fica fora do corte obrigatório
Foto: Steve Tarr / Pexels License

O Departamento do Interior assinou em 21 de agosto o registro de decisão que define como os dois maiores reservatórios do Rio Colorado serão operados em 2027 e 2028. O documento impõe corte de 1,25 milhão de acres-pé por ano no consumo dos três estados da Bacia Baixa e deixa os quatro estados da Bacia Alta, entre eles o Colorado, sem redução obrigatória.

Um acre-pé equivale a cerca de 1,23 milhão de litros. A conta total do corte, portanto, sai da ordem de 1,5 trilhão de litros por ano.

Quem corta quanto?

Pela divisão apresentada no anúncio do Interior, o Arizona reduz 760 mil acres-pé, a Califórnia corta 440 mil e Nevada, 50 mil. As três parcelas somam o 1,25 milhão de acres-pé previsto para cada um dos dois anos.

O secretário do Interior, Doug Burgum, resumiu a dimensão do que está em jogo no comunicado oficial: “Quarenta milhões de pessoas, milhões de acres de terra agrícola e de pecuária, indústrias que movem o Oeste americano e algumas das áreas metropolitanas que mais crescem no país dependem do Rio Colorado.”

A secretária assistente Andrea Travnicek afirmou no mesmo comunicado que as diretrizes “oferecem uma estratégia de gestão da água para que os interessados na bacia respondam à seca prolongada”.

A Bacia Alta ficou de fora.

Colorado, Novo México, Utah e Wyoming não têm corte obrigatório no plano. A Colorado Public Radio registrou a decisão como alívio para o estado. Os quatro formam a Bacia Alta, onde o rio nasce e onde a água chega principalmente pelo derretimento da neve nas montanhas, e não por entrega represada, como acontece rio abaixo.

Essa diferença geográfica não significa folga. A oferta na Bacia Alta depende do que a natureza entrega em cada inverno, e o inverno de 2025-2026 fechou com neve acumulada em nível recorde de baixa.

Os reservatórios em mínima histórica

Lake Mead, na fronteira entre Nevada e Arizona, bateu recorde de nível baixo em 7 de agosto, ao marcar 1.040,46 pés acima do nível do mar, segundo o Las Vegas Review-Journal. O recorde anterior, de 1.040,50 pés, era de 28 de julho de 2022. O reservatório fornece cerca de 90% da água potável do sul de Nevada.

A projeção federal citada pelo jornal é de que Lake Mead estabeleça novo mínimo praticamente todo mês até 2028, sem considerar futuras realocações entre estados.

O quadro combinado é pior que o de cada represa isolada. O armazenamento somado de Lake Mead e Lake Powell não estava tão baixo desde 1957, quando a barragem de Glen Canyon ainda estava em obras e Lake Powell nem havia começado a encher.

Um plano de dois anos dentro de uma moldura de dez.

As diretrizes para 2027 e 2028 são a primeira etapa de um arranjo maior. O Bureau of Reclamation registra que o mesmo documento adotou uma estrutura de decisão para a operação coordenada de Lake Powell e Lake Mead entre 2027 e 2036.

Segundo o comunicado do Interior, essa moldura de dez anos foi desenhada para absorver acordos negociados entre os estados, que poderiam ser incorporados às diretrizes já no terceiro ou quarto ano. O plano federal chegou depois de anos de negociação entre os sete estados da bacia, sem acordo fechado.

Para Lake Powell, o texto do Interior fixa elevação mínima de 3.510 pés e projeta o início do ano hidrológico, em 1º de outubro, entre 3.540 e 3.510 pés.

Por que isso chega à conta de quem mora no Oeste?

O Rio Colorado abastece cidades, lavouras e usinas hidrelétricas em sete estados. A água que sai da conta de um estado agrícola volta na forma de preço de alface, de alfafa para o gado e de tarifa de energia gerada nas barragens.

Para o morador de Denver, o efeito direto do plano é nenhum corte imposto neste ciclo. O efeito indireto aparece no debate que vem: a moldura de dez anos deixa a porta aberta para que os estados negociem uma divisão diferente, e a Bacia Alta entra nessa mesa com a neve das Montanhas Rochosas como principal ativo e como principal incerteza.

O que vem a seguir

As diretrizes de 2027-2028 começam a valer no ano hidrológico que se inicia em outubro. A estrutura de decisão de 2027 a 2036 segue aberta a acordos consensuais entre os estados da bacia, conforme o Interior. Até lá, cada mês sem recuperação de armazenamento tende a empurrar os reservatórios para um novo piso.

Onde confirmar?

  • U.S. Department of the Interior — comunicado de 21/08/2026 sobre as operações do Rio Colorado em 2027-2028.
  • Bureau of Reclamation — página oficial das operações pós-2026 do Rio Colorado.
  • Las Vegas Review-Journal — recorde de nível baixo em Lake Mead.
  • Colorado Public Radio — Colorado sem cortes obrigatórios nas novas regras federais.
  • NPR — cobertura sobre os cortes de água na Bacia Baixa.

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