O Atlântico chega ao trecho mais movimentado da temporada de furacões sem nenhum ciclone tropical em formação. No boletim das 14h desta terça-feira (18), o Centro Nacional de Furacões (NHC) informou que não espera formação de ciclone tropical nos próximos sete dias no Atlântico Norte, no Caribe e no Golfo. Faltam menos de três semanas para o pico climatológico da temporada, que a NOAA situa no início de setembro.
Duas tempestades e nenhum furacão até agora.
A temporada de 2026 produziu até aqui duas tempestades tropicais nomeadas, Arthur e Bertha, e nenhum furacão, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). As duas se formaram no Golfo, e não no corredor clássico que vem da costa africana.
Arthur foi a primeira da temporada. Nasceu em meados de junho nas águas quentes do Golfo, na altura da costa do Texas, despejou chuva recorde sobre partes da Louisiana e gerou tornados ao longo da costa. Bertha também se formou no Golfo, ao sul do panhandle da Flórida, e tocou o continente em St. Bernard Parish, na Louisiana.
A previsão oficial segue abaixo da média.
Em 6 de agosto, a NOAA manteve o prognóstico de temporada abaixo do normal. Os meteorologistas do Serviço Nacional de Meteorologia atualizaram a faixa esperada para 7 a 13 tempestades nomeadas, com ventos de 63 km/h ou mais. Dessas, de 2 a 6 podem virar furacões, com ventos de 119 km/h ou mais, e de 0 a 2 podem alcançar a categoria de furacão de grande intensidade, com ventos a partir de 178 km/h.
As faixas cobrem toda a temporada, de 1º de junho a 30 de novembro, e já incluem Arthur e Bertha. A agência calcula 75% de chance de atividade abaixo do normal, 20% de temporada dentro da média e apenas 5% de temporada acima do normal. Para comparação: uma temporada típica no Atlântico rende 14 tempestades nomeadas, sete furacões e três furacões de grande intensidade.
A conta que a Colorado State faz
A equipe de pesquisa em ciclones tropicais da Universidade Estadual do Colorado (CSU), referência antiga nesse tipo de previsão sazonal, chegou a números parecidos. Na atualização de 5 de agosto, o grupo do Departamento de Ciência Atmosférica manteve a projeção de temporada bem abaixo da média: 9 tempestades nomeadas, das quais quatro viraram furacões e uma alcançaria a categoria 3 ou superior na escala Saffir-Simpson.
As 9 tempestades já contam Arthur e Bertha. A trajetória da previsão da própria CSU mostra o encolhimento: em 9 de abril, a estimativa inicial era de 13 tempestades nomeadas, seis furacões e dois de grande intensidade, e o time reduziu o prognóstico em junho, julho e agosto.
O El Niño explica boa parte do freio.
Os pesquisadores da CSU apontam a alta probabilidade de um El Niño forte como fator principal do prognóstico contido. O fenômeno esquenta as águas do Pacífico tropical central e leste e reforça os ventos de oeste em altitude sobre o Caribe e o Atlântico tropical.
O resultado é mais cisalhamento do vento, a variação de direção e velocidade conforme se sobe na atmosfera. Ciclone tropical precisa de coluna organizada para crescer, e cisalhamento forte desmancha essa estrutura antes que a tempestade se firme. Na previsão inicial de abril, a equipe já projetava que um El Niño de moderado a forte seria o cenário mais provável no pico da temporada, entre agosto e outubro.
Temporada fraca não é temporada segura.
Contagem baixa de tempestades diz pouco sobre o estrago que uma delas pode causar. O diretor do Serviço Nacional de Meteorologia, Ken Graham, resumiu o ponto ao comentar a atualização de agosto: "A chuva terra adentro é uma das principais causas de dano de tempestades tropicais e furacões, como Arthur demonstrou". Segundo ele, é por isso que vale se preparar para qualquer tempestade prevista para a sua área, mesmo que ela nunca alcance força de furacão.
Arthur ilustrou o argumento sem virar furacão: chuva recorde na Louisiana e tornados na costa do Golfo. Alagamento e vento de tempestade tropical não pedem categoria alta para tirar telhado, interditar estrada e alagar garagem.
O próximo nome da lista é Cristobal.
Um sistema só ganha nome quando os ventos sustentados alcançam 63 km/h, o piso da tempestade tropical. A lista de 2026 foi definida pela Organização Meteorológica Mundial e segue a ordem alfabética divulgada pela NOAA: depois de Arthur e Bertha, o próximo batismo será Cristobal.
É por esse detalhe que a contagem de tempestades nomeadas funciona como termômetro público da temporada. Ela mede quantos sistemas chegaram a um patamar mínimo de organização, e não o tamanho do estrago que cada um deixou em terra.
O que observar até 30 de novembro:
A temporada vai até 30 de novembro, e a janela mais ativa começa agora. O NHC atualiza o boletim de perspectiva tropical várias vezes ao dia e sinaliza áreas de possível desenvolvimento antes de qualquer sistema ganhar nome — é o produto a acompanhar para quem tem família, imóvel ou viagem marcada no Golfo, na Flórida ou no Caribe.
Para quem mora longe da costa, o efeito costuma chegar indireto, por preço de combustível, cancelamento de voo e interrupção de rota de transporte. Uma temporada quieta em agosto não garante setembro e outubro parados: o próprio calendário climatológico coloca o pico logo à frente.
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