A Starbucks vai cortar 224 postos de trabalho ligados à sede em Seattle e a funções remotas, segundo notificação entregue ao estado de Washington e publicada em 20 de agosto. As demissões começam a valer em 19 de outubro e devem estar concluídas até 1º de novembro.
O aviso foi apresentado sob a Worker Adjustment and Retraining Notification, a lei que obriga grandes empregadores a comunicar demissões em massa com antecedência. É esse documento, revisado pelo Seattle Times, que traz os números.
Quem entra na conta dos 224
O corte se divide em dois grupos. O primeiro reúne 120 funcionários corporativos que recusaram a oferta de transferência para o novo escritório da empresa em Nashville, no Tennessee. A Fox 13 Seattle descreve esse grupo como formado principalmente por profissionais de tecnologia da informação.
O segundo grupo tem 104 pessoas da equipe que cuida do projeto e da construção das lojas. Esse corte vem depois de uma troca de comando na área: em abril, a Starbucks contratou Stephen Piacentini, ex-diretor de desenvolvimento do Chipotle, para liderar a reforma das cafeterias dentro do plano interno chamado "Back to Starbucks".
O fim de uma reestruturação anunciada em maio
A empresa afirma que essa leva encerra a reestruturação global anunciada em maio, que já havia eliminado 252 postos corporativos. Em janeiro, o presidente-executivo Brian Niccol prometeu a investidores um corte de US$ 2 bilhões em custos ao longo de dois anos. "Vamos ser implacáveis", disse na ocasião.
Niccol assumiu a Starbucks em 2024, depois de comandar o Chipotle. Desde então, a companhia combinou demissões corporativas com fechamento de lojas.
O plano "Back to Starbucks" que orienta essa reorganização quer recuperar a experiência tradicional da cafeteria, com lojas reformadas e tempo de espera menor no balcão. Foi para tocar essa reforma que Piacentini foi contratado — e é a equipe que projeta e constrói essas lojas que perde 104 postos agora.
Nashville de um lado, Sodo do outro
Em março, a Starbucks anunciou a abertura de um escritório corporativo em Nashville com 2 mil funcionários, que passa a conviver com a sede histórica no Starbucks Center, no bairro de Sodo, onde trabalham 2.800 pessoas. A empresa disse na época que boa parte das vagas de Nashville seria nova, ligada a crescimento futuro, e que outras assumiriam tarefas hoje feitas em Seattle ou por prestadores externos.
Procurada pelo Seattle Times, a companhia não informou quantos funcionários de Seattle vão migrar para o novo escritório. A Starbucks sustenta que segue comprometida com a cidade.
US$ 30 milhões de incentivo do Tennessee
O Tennessee ofereceu US$ 30 milhões em incentivos em troca do compromisso de gerar empregos e investimento. Em contrapartida, a Starbucks prometeu levar cerca de US$ 250 milhões em salários anuais e US$ 100 milhões em aluguel de escritório para Nashville nos próximos cinco anos, segundo o departamento de desenvolvimento econômico e comunitário do estado.
O que o governo de Washington anotou
A movimentação chamou atenção do governo estadual. Um documento interno preparado pela equipe do governador Bob Ferguson em 10 de abril registrou a preocupação em termos diretos: "A aquisição de Nashville e as demissões e fechamentos contínuos em Washington seguem levantando dúvidas públicas sobre se a Starbucks está gradualmente deslocando seu centro de gravidade."
Mais de 2.500 demissões no estado desde fevereiro de 2025
Os números acumulados ajudam a dimensionar o movimento. Desde fevereiro de 2025, a Starbucks demitiu mais de 2.500 pessoas em Washington, somando funções corporativas e de loja, segundo dados estaduais. Só em outubro do ano passado foram quase mil demissões, principalmente de cargos corporativos em Seattle e em Kent, dentro de uma reestruturação de US$ 1 bilhão. A rede também fechou mais de 31 lojas no estado.
O economista Nick Huntington-Klein resumiu o quadro à Fox 13 Seattle: "Vimos bastante emprego da Starbucks saindo de Seattle", dentro de uma perda mais ampla de vagas no setor de tecnologia na região.
O efeito chega à calçada
Comércios próximos à sede já falam em queda de movimento. Uma consultora de arte ouvida pela Fox 13 Seattle disse que o fluxo de pedestres é determinante para os negócios da região e que funcionários da Starbucks formam parte da clientela que entra sem hora marcada. Restaurante, cafeteria, salão e loja de conveniência perto de um prédio corporativo vivem desse fluxo — e boa parte desses negócios na cidade é tocada por imigrantes.
O caminho de quem foi notificado
Trabalhador demitido em Washington pode solicitar o seguro-desemprego junto ao Employment Security Department do estado, e o pedido pode ser aberto já na primeira semana após a data de desligamento. Quem tem visto de trabalho vinculado ao empregador enfrenta prazos próprios e mais curtos. Nesse caso, procurar orientação jurídica antes da data efetiva do desligamento, e não depois, costuma ser a diferença entre ter e não ter alternativa.
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