O ano letivo em Seattle começa na quarta-feira (2), mas nada garante que a aula aconteça. As negociações entre o distrito escolar e o sindicato dos educadores travaram na noite de sábado (29), e não havia nova rodada marcada.
Uma greve atingiria cerca de 50 mil alunos das escolas públicas da cidade e adiaria o início do ano letivo por tempo indeterminado.
O que aconteceu no sábado
"O SPS levantou da mesa hoje à noite", afirmou a Seattle Education Association (SEA) em comunicado, referindo-se ao distrito Seattle Public Schools. "As conversas travaram, e não há negociações agendadas."
O contrato coletivo em vigor expira nesta segunda-feira, 31 de agosto — dois dias antes do primeiro sinal.
Quem está na mesa
O sindicato representa cerca de 6 mil professores e funcionários das escolas públicas de Seattle. Do outro lado está o distrito, comandado pelo superintendente Ben Shuldiner.
As duas partes já realizaram 24 rodadas de negociação. Segundo o sindicato, fecharam acordo em cerca de 12% dos itens do contrato.
O que os educadores pedem
Os pontos em aberto são salário, tamanho das turmas, carga de trabalho e equipe para atender alunos da educação especial. Em remuneração, a SEA pede reajuste de 1% a 2% acima da inflação.
Reduzir o número de alunos por sala e ampliar o quadro de apoio à educação especial aparecem, nas falas do sindicato, com peso equivalente ao do salário. O argumento é que uma turma cheia demais e uma equipe de educação especial incompleta afetam diretamente o atendimento ao aluno — e não apenas a condição de trabalho do professor.
As rodadas de negociação vêm de junho. Chegar ao fim de agosto com acordo em apenas cerca de um oitavo dos itens, e sem data para retomar a conversa, é o que colocou a data de 2 de setembro em risco real, e não apenas retórico.
O que o distrito ofereceu
Em atualização publicada em 29 de agosto, o Seattle Public Schools afirmou que sua proposta aumenta a remuneração dos educadores em quase 9% ao longo de três anos, amplia o apoio à saúde mental dos alunos e à educação especial e investe em formação profissional, mantendo a estabilidade fiscal.
O distrito diz permanecer comprometido em chegar a um acordo que atenda aos estudantes, apoie os funcionários e seja fiscalmente prudente.
Um rombo de US$ 87 milhões no meio da conta
A disputa acontece enquanto o distrito tenta fechar um buraco de US$ 87 milhões no orçamento, resultado de anos de queda de matrículas — foram milhares de alunos a menos ao longo do período.
É esse número que o distrito usa para justificar o limite da proposta, e é contra ele que o sindicato argumenta que a conta não pode recair sobre o tamanho das turmas.
Greve de professor é ilegal em Washington — e mesmo assim acontece
Um detalhe do direito estadual costuma confundir quem chegou de fora: no estado de Washington, servidores públicos, professores incluídos, não têm direito legalmente protegido de greve. É o que diz um parecer da Procuradoria-Geral do estado de 2006, e mais de uma dezena de juízes já declararam ilegais paralisações de professores desde 1976.
Na prática, isso não impede a greve. A lei estadual não prevê punição específica para o servidor público que cruza os braços, e essa lacuna explica por que as paralisações continuam acontecendo mesmo depois de decisões judiciais contrárias. O distrito pode pedir a um juiz uma liminar para encerrar o movimento — em 2015, a diretoria do Seattle Public Schools chegou a autorizar o superintendente a acionar a Justiça, mas o distrito decidiu não levar o caso adiante.
O precedente de 2022
A última greve de professores em Seattle foi em 2022 e atrasou o início do ano letivo em uma semana. É o parâmetro concreto de quanto tempo uma paralisação pode custar: não um dia solto, mas a primeira semana inteira de aula.
O calendário que está em jogo
Pelo calendário oficial do distrito, o primeiro dia de aula do 1º ao 12º ano é 2 de setembro. A pré-escola e o kindergarten começam depois, em 8 de setembro. Entre as duas datas fica o feriado do Labor Day, em 7 de setembro, sem aula.
Uma paralisação a partir de quarta-feira empurraria todo esse calendário para a frente, incluindo a data de entrada das crianças menores.
O que a família precisa acompanhar
Enquanto não há acordo nem greve declarada, as duas datas seguem valendo oficialmente. O distrito mantém uma página de atualizações sobre a negociação no próprio site, e é por ali que sai a comunicação formal às famílias sobre suspensão ou manutenção do primeiro dia.
Para a família brasileira que organiza trabalho, transporte e cuidado das crianças em torno do calendário escolar, a diferença entre começar na quarta-feira e não começar se decide em menos de 48 horas — e depende de uma negociação que, no domingo, não tinha nem data para ser retomada.
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