As escolas públicas de Seattle e o sindicato que representa seus educadores fecharam um acordo provisório por volta das 23h de terça-feira, 1º de setembro, a menos de uma hora do prazo em que a greve começaria. O distrito confirmou em seguida que o ano letivo de 2026-27 abriria como previsto na quarta-feira, 2 de setembro.
A decisão tirou cerca de 50 mil alunos da incerteza em que passaram a última semana de férias. Para a 1ª à 12ª série, a aula começou nesta quarta. Pré-escola e jardim de infância entram em 8 de setembro.
O prazo estourava à meia-noite.
A Seattle Education Association, que representa aproximadamente 6.000 professores, paraprofissionais, secretários, conselheiros e demais funcionários, havia autorizado a paralisação com 91,2% dos quase 2.000 votos depositados. O sindicato marcou o início da greve para o primeiro dia de aula, caso não houvesse contrato até o fim do dia de terça.
Horas antes do prazo, mais de 300 educadores, estudantes e familiares se reuniram na sede do distrito. Um mediador acompanhou a reta final, e o superintendente Ben Shuldiner creditou a ele parte do destravamento ao dizer que o mediador ajudou a fazer o ponteiro andar.
O que estava na mesa
O sindicato pedia reajuste de 1% a 3% para o quadro certificado, que reúne professores e conselheiros, e de 3% a 5% para o quadro classificado, que inclui paraprofissionais, auxiliares e secretários. Os dois porcentuais viriam somados ao reajuste de custo de vida de 2,6% definido pelo estado.
Dinheiro não foi o único ponto. A vice-presidente e negociadora-chefe da SEA, Davina Diaz, resumiu a pauta como um acordo que trouxesse melhorias no apoio à educação especial, pagamento respeitoso e alívio no tamanho das turmas. A presidente do sindicato, Ibijoke Idowu, havia dito na semana passada que a categoria não queria parar: a prioridade, segundo ela, era um acordo que colocasse o aprendizado do aluno em primeiro lugar.
A conta que apertou o distrito
Seattle administra um orçamento de US$ 1,34 bilhão e entrou no ano letivo com US$ 87 milhões de déficit em aberto, dos quais cerca de US$ 50 milhões precisariam sair de cortes. O salário médio do quadro classificado é de US$ 67.858 por ano.
Foi esse aperto que a administração usou como limite durante as negociações, ao mesmo tempo em que dizia trabalhar para abrir as portas na data marcada. "Nossa intenção é abrir no prazo, e estamos planejando de acordo", afirmou Shuldiner antes do desfecho.
O que o distrito havia colocado por escrito
Em 28 de agosto, a rede divulgou publicamente a proposta que levava à mesa: aumento de cerca de 9% em três anos, distribuído em 2,6% em 2026-27, 3,6% em 2027-28 e 2,6% em 2028-29, além dos avanços anuais de carreira, que, segundo o distrito, somam em média cerca de 4%. Entravam também contribuições mensais de US$ 10 e US$ 15 para conta de reembolso de saúde nos dois últimos anos.
No pacote de pessoal, a proposta previa 40 novas vagas de paraprofissional e de professor certificado para apoio preventivo de comportamento, 70 vagas em equipes regionais de comportamento, seis psicólogos escolares adicionais e ampliação de conselheiro ou assistente social nas escolas de ensino fundamental com mais de 350 alunos.
O item que mexe com a família imigrante
Um ponto específico do pacote afeta diretamente quem chegou há pouco. A proposta do distrito reduz a razão de assistente de instrução para alunos multilíngues de 35 para 33 estudantes por profissional.
A diferença parece pequena no papel e não é. É o profissional que senta ao lado da criança que ainda está aprendendo inglês, traduz enunciado, acompanha a leitura e faz a ponte com a professora regente. Dois alunos a menos por assistente significam mais minutos de atenção por criança ao longo do dia.
Educação especial foi o nó.
O apoio a alunos com plano educacional individualizado, o IEP, apareceu como o tema mais duro da negociação. A proposta do distrito fala em melhorar a relação entre profissionais e alunos para quase 70% de todos os estudantes com IEP, e a rede diz querer reduzir as 300 a 500 mudanças anuais de colocação por meio de um modelo mais inclusivo.
Professora de educação especial na Pathfinder K-8, Timmesha Watson traduziu a queixa da categoria em uma frase durante o ato de terça: "Um IEP sem gente é só papel."
O acordo ainda não está fechado.
O que saiu na terça é um acordo provisório. Para virar contrato, precisa ser ratificado em votação pelos filiados da SEA e aprovado pelo conselho escolar. As datas dessas votações não foram divulgadas, e os termos finais também não vieram a público até esta quarta-feira.
Diaz afirmou que o sindicato espera uma relação nova, mais positiva e colaborativa com a administração daqui para frente. Shuldiner, perguntado sobre o que faria depois do anúncio, respondeu que subiria e continuaria trabalhando.
O precedente de 2022
Seattle já viu a conta não fechar. Em 2022, a categoria autorizou greve com 95% dos votos e parou, o que empurrou o início do ano letivo em cinco dias. O contrato que encerrou aquela paralisação previu 7% no primeiro ano, 4% no segundo e 3% no terceiro.
Para quem tem filho na rede, o calendário desta semana já está definido: aula desde a quarta para o fundamental e o médio, e 8 de setembro para os menores. O resto depende das duas votações de ratificação, que ainda não têm data.
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