A National Association of Insurance Commissioners (NAIC), que reúne os reguladores estaduais de seguro dos Estados Unidos, publicou em 5 de agosto o primeiro estudo nacional sobre o mercado de seguro residencial. O retrato de sete anos, de 2018 a 2024, mostra duas curvas subindo juntas: o preço e a chance de a seguradora simplesmente não renovar a apólice.
Descontada a inflação, o prêmio médio subiu entre 18,3% e 43,3% no período, o equivalente a altas anuais de 2,4% a 5,3%. As não renovações iniciadas pela própria seguradora cresceram entre 96% e 216%, dependendo da região.
Para o brasileiro que comprou casa nos Estados Unidos, isso apareceu na conta do mês. O seguro residencial costuma ser cobrado dentro da parcela do financiamento, na conta de escrow, e é uma das razões pelas quais a prestação sobe mesmo com juro fixo.
Sete anos de dados, quatro regiões.
O estudo usa o Market Conduct Annual Statement, um relatório que as seguradoras entregam aos departamentos estaduais. Em 2024, 715 companhias ofereciam cobertura residencial no país. A NAIC também registrou aumento da frequência e da severidade dos sinistros, com piora concentrada entre 2021 e 2024.
"Este relatório traz uma leitura confiável e baseada em dados sobre as condições de mercado" no país, afirmou Scott White, comissário de seguros da Virgínia.
O Oeste é onde o preço mais subiu.
Pelos números da NAIC compilados pela Newsweek, o aumento real do prêmio entre 2018 e 2024 foi de 18% no Nordeste, 25% no Meio-Oeste, 27% no Sudeste e 43% no Oeste — a região que inclui Colorado e Washington.
A revista aponta ainda alta adicional de 7% desde o início de 2025, sinal de que a curva não parou onde o estudo terminou.
Não renovação: o problema maior que o preço.
O salto mais duro do levantamento não está na mensalidade. No Sudeste, a taxa de não renovação cresceu 216% em sete anos. No Nordeste, 147%. No Meio-Oeste, 96%. No Oeste, a taxa passou de 8 apólices não renovadas a cada mil em 2022 para 25,1 a cada mil em 2024.
"Um aviso de não renovação pode ser um problema maior do que um prêmio mais alto. A conta mais cara dói, mas pelo menos você continua coberto", disse John Espenschied, dono do Insurance Brokers Group, à Newsweek.
Quem tem financiamento não pode ficar sem seguro: o banco exige a cobertura e, se ela cair, pode contratar uma apólice forçada, geralmente mais cara e com proteção menor.
Quanto o seguro deve custar em 2026?
Projeção da Insurify, divulgada pela Insurance Journal, aponta alta de 4% em 2026, levando o prêmio médio anual do país para cerca de US$ 3.057 — o quinto ano consecutivo de aumento. Desde 2021, a alta acumulada chega a 46%, aproximadamente o triplo da inflação.
A Flórida segue no topo, com prêmio médio se aproximando de US$ 8.500, mais que o dobro da média nacional. Entre as maiores altas de 2025 estão Minnesota, com 34%, e Colorado, com 33%, seguidos de Nebraska, com 25%, e Oklahoma, com 24%.
O motor não é só furacão. Tempestades convectivas severas — as que produzem tornado, granizo e vento destrutivo — geraram perdas seguradas acima de US$ 42 bilhões por três anos seguidos.
No Colorado, quem manda na conta é o granizo.
Levantamento da Divisão de Seguros do Colorado, divulgado pelo gabinete do governador Jared Polis, mostrou que o granizo responde, em média, por 26% a 54% do prêmio residencial, conforme o condado. Ao longo do Front Range e nas planícies do leste, região mais populosa do estado, o granizo corresponde a cerca de metade do que o morador paga por ano.
O órgão pediu dados a 20 seguradoras, que somam 80% do mercado estadual, e calculou o prêmio médio em 11 condados, separando o peso do granizo e do incêndio florestal e mapeando os descontos disponíveis para quem faz mitigação. Em Denver, o incêndio florestal responde por cerca de 1% do prêmio.
A conclusão prática é direta: no Colorado, telhado resistente a granizo tende a mexer mais no preço do que qualquer outra medida.
Quem acaba ficando sem seguro
A Newsweek registra que, no período de 2007 a 2017, antes da escalada recente, 6% dos proprietários americanos não tinham seguro do imóvel, e que as maiores taxas de imóveis sem cobertura estavam entre proprietários negros e hispânicos. É um dado anterior ao pico de preços, o que sugere que a pressão atual encontra um grupo que já era o mais exposto.
O que dá para fazer antes da renovação?
Algumas medidas dependem só do morador. Pedir à seguradora a lista de descontos de mitigação e verificar quais se aplicam ao imóvel é o primeiro passo, sobretudo material de telhado e proteção contra granizo em estados como o Colorado. Cotar com mais de uma companhia a cada renovação virou rotina necessária, já que os reajustes variam muito entre empresas.
Vale também revisar a franquia: uma franquia maior reduz a mensalidade, mas exige reserva em caixa para o dia do sinistro. E, se chegar um aviso de não renovação, o prazo para procurar outra apólice começa a correr na hora — deixar para a última semana é o caminho mais rápido para a apólice forçada do banco.
Onde confirmar?
- NAIC — NAIC Releases First-of-Its-Kind National Analysis of Homeowners Insurance Market Trends, 5 de agosto de 2026.
- Newsweek — Map Reveals Regions Where Insurers Are Dropping Homeowners at Record Rates, 19 de agosto de 2026.
- Insurance Journal — US Home Insurance Prices Set to Keep Rising With Severe Weather, 18 de março de 2026.
- Colorado Division of Insurance / gabinete do governador — dados sobre o peso do granizo no prêmio residencial
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!