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Saúde e Bem Estar

Sarampo passa de 3.200 casos nos EUA, o pior ano desde 1991, e a Pensilvânia confirma a quarta morte

O CDC contou 3.294 casos até 10 de setembro, contra 2.289 em todo o ano passado. A Opas revisa em novembro se o país perde o status de livre da doença, e a proteção vem das duas doses da tríplice viral.

Redação Brazuca News 18 de September de 2026, 11:12 1 visualizações
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Sarampo passa de 3.200 casos nos EUA, o pior ano desde 1991, e a Pensilvânia confirma a quarta morte
Foto: DΛVΞ GΛRCIΛ / Pexels License

Os Estados Unidos somavam 3.294 casos confirmados de sarampo em 2026 até 10 de setembro, segundo o CDC, o centro de controle de doenças do governo americano. É o maior número desde 1991, de acordo com a NBC News e o site especializado STAT. Nesta semana, a Pensilvânia confirmou a quarta morte ligada à doença no ano, a de um jovem de 18 anos que não tinha sido vacinado.

O salto é grande mesmo em relação ao ano passado, que já tinha sido ruim. Em todo o ano de 2025, o CDC contou 2.289 casos. Em 2024, foram 285.

Os números do CDC

Dos 3.294 casos de 2026, 3.278 foram registrados em 47 jurisdições do país e 16 em visitantes internacionais. O CDC contabiliza 38 surtos novos no ano, e 95% dos casos confirmados (3.123) estão ligados a algum desses surtos.

Segundo a Newsweek, com base nos dados do CDC, 95% dos doentes deste ano não eram vacinados ou não tinham a situação vacinal conhecida. A revista comparou os números por estado e mostrou que 23 estados e a capital, Washington D.C., já passaram em 2026 o total de casos do ano inteiro de 2025.

Quatro mortes na Pensilvânia

A Pensilvânia virou o centro do problema. O estado registrou 693 casos confirmados em 38 condados até segunda-feira (14), com 99 casos novos só na semana anterior, segundo a NBC. São as primeiras mortes por sarampo no estado em 35 anos, informa o STAT.

A morte mais recente é a do jovem de 18 anos do condado de Mifflin, no centro do estado. Segundo o legista do condado, citado pelo STAT, ele teve encefalomielite disseminada aguda, uma complicação neurológica rara e grave do sarampo.

Antes dele, morreu uma mulher de 40 anos no condado de Jefferson, no oeste do estado. Ela tinha asma e doença pulmonar obstrutiva crônica, usava oxigênio 24 horas por dia e morreu em casa na manhã de sábado (12), de acordo com a NBC. Morava com pessoas que também tinham sintomas e teve contato direto com um caso confirmado em outra casa. O exame de secreção nasal confirmou infecção ativa por sarampo. "Ela tinha um histórico médico bem extenso", disse à NBC o legista-adjunto do condado, Jason Stiver.

As outras duas mortes foram de bebês no condado de Lancaster, no sudeste do estado. Nenhuma das quatro vítimas era vacinada. Os bebês ainda não tinham idade para receber a vacina pelas recomendações atuais, segundo o STAT.

"Seguimos comprometidos a trabalhar com nossos parceiros em toda a Pensilvânia para conter este surto e evitar mais mortes", afirmou a secretária de Saúde do estado, Debra Bogen, em declaração reproduzida pelo STAT.

A ajuda federal que não foi pedida

A diretora do CDC, Erica Schwartz, divulgou nota dizendo que a agência está pronta para mandar uma equipe de apoio epidemiológico à Pensilvânia assim que o estado fizer o pedido formal, o que ainda não tinha acontecido, segundo a NBC. O Departamento de Saúde da Pensilvânia respondeu que mantém uma "relação de trabalho forte" com a equipe técnica do CDC.

O status de país livre do sarampo está em jogo

Os Estados Unidos declararam o sarampo eliminado em 2000, graças às altas taxas de vacinação, lembra o STAT. Esse título agora está sob revisão. Em novembro de 2025, as Américas como região perderam o status de livres do sarampo depois que o Canadá teve transmissão contínua do vírus por pelo menos 12 meses, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

A Opas adiou para novembro de 2026 a análise da situação dos Estados Unidos e do México. A revisão vai acontecer na reunião anual da comissão regional que verifica a eliminação do sarampo e da rubéola. No caso americano, o período analisado é de um ano a partir de 20 de janeiro de 2025, data de início do surto. Segundo a Opas, o adiamento serve para que as autoridades de saúde dos EUA concluam a análise que estão fazendo, incluindo o sequenciamento genético do vírus.

Alerta de exposição no Colorado

O Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente do Colorado (CDPHE) confirmou nesta semana um caso de sarampo em um visitante internacional que passou pelo estado no início de setembro, segundo a emissora KJCT. A lista de possíveis locais de exposição inclui o Pearl Street Mall, em Boulder, na noite de 8 para 9 de setembro, das 21h45 às 0h30; o hotel Westin de Westminster, durante a feira de pedras e minerais, em 9 e 10 de setembro, do meio-dia às 19h; e o pronto-socorro do hospital Good Samaritan, em Lafayette, em 11 de setembro, das 19h30 às 20h30.

O CDPHE orienta quem esteve nesses lugares a observar sintomas por 21 dias depois da exposição, com atenção especial a quem não tomou a vacina tríplice viral (MMR, na sigla em inglês) e a bebês com menos de um ano. Quem tiver sintomas deve ligar para o médico antes de ir ao consultório e avisar que pode ter sido exposto, para não contaminar outras pessoas.

Quem está protegido e quem deve se vacinar

A proteção vem da tríplice viral, que cobre sarampo, caxumba e rubéola. Pelas recomendações do CDC, as crianças devem tomar duas doses: a primeira entre 12 e 15 meses de idade e a segunda entre 4 e 6 anos. Uma dose protege contra o sarampo em 93% dos casos; duas doses, em 97%. Segundo o CDC, a vacina costuma proteger a vida inteira contra sarampo e rubéola.

Para adultos, a orientação geral é ter pelo menos uma dose documentada. Quem não tem comprovação de imunidade e está em grupo de maior risco pode precisar de duas. Quem vai viajar para fora do país deve completar a vacinação antes da viagem. Bebês de 6 a 11 meses que vão viajar devem tomar uma dose antes do embarque e, depois de completar um ano, as duas doses do esquema normal.

Quem trouxe do Brasil a caderneta de vacinação pode conferir se há registro da tríplice viral e levar o documento ao médico ou à farmácia na hora de tirar a dúvida.

O que vem a seguir

A revisão da Opas sobre o status dos Estados Unidos está marcada para novembro. Até lá, o CDC segue atualizando a contagem nacional, e a Pensilvânia registrou perto de cem casos novos só na última semana. "O único jeito de os surtos de sarampo pararem de vez é aumentar as taxas de vacinação", disse à Newsweek a pesquisadora Jennifer Nuzzo, da Universidade Brown.

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