Os Estados Unidos registraram 2.566 casos confirmados de sarampo em 2026 até 13 de agosto, segundo o CDC. É o maior número em mais de três décadas — o país já havia superado, ainda em julho, o total de 2025, que por sua vez tinha sido o pior ano recente, com mais de 2.200 casos.
Entre os infectados, 93% não estavam vacinados.
Onde a doença está concentrada
Os maiores surtos do ano estão na Carolina do Sul, com 669 casos, seguida por Utah, com 484, Texas, com 182, e Flórida, com 139. Na metade do ano, 12 estados e o Distrito de Columbia já tinham mais casos do que haviam registrado em todo o ano anterior.
A coqueluche também subiu, com Ohio e Flórida entre os mais atingidos. As mortes por coqueluche no ano passado chegaram a 22, o maior número desde 2010 segundo dados provisórios do CDC.
A conta da cobertura vacinal
A explicação apontada pelos epidemiologistas está na queda da vacinação infantil. Cerca de 92,5% das crianças de jardim de infância estavam vacinadas contra sarampo no ano letivo de 2024-2025, contra 95,2% em 2019-2020. Apenas dez estados alcançaram o patamar de 95% no ano passado.
Esse número não é arbitrário. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, e é a partir de cerca de 95% de cobertura que a transmissão em comunidade trava. Abaixo disso, um único caso importado encontra terreno para se espalhar.
O que a família brasileira precisa checar
Com o ano letivo começando, dois pontos merecem atenção de quem chegou há pouco.
O primeiro: a caderneta de vacinação brasileira costuma ser aceita pelas escolas americanas, mas precisa estar traduzida e ter as datas legíveis de cada dose. A vacina tríplice viral, que no Brasil protege contra sarampo, caxumba e rubéola, corresponde à MMR americana. Levar o documento original à consulta pediátrica evita repetir dose desnecessária — e evita a criança ser barrada na matrícula.
O segundo: adulto que nasceu depois de 1957 e não tem comprovação de duas doses pode precisar completar o esquema. Vale especialmente para quem viaja ao Brasil com frequência, já que a maioria dos casos americanos começa com alguém que se infectou em viagem.
A vacina é oferecida de graça ou a baixo custo em departamentos de saúde locais e em programas federais para crianças sem plano de saúde, independentemente do status migratório da família.
Os sintomas aparecem de 7 a 14 dias após a exposição: febre alta, tosse, coriza, olhos vermelhos e, depois, manchas que começam no rosto e descem pelo corpo. Diante da suspeita, a orientação é telefonar antes de ir ao consultório — para que a clínica evite expor outros pacientes na sala de espera.
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