O CDC, o centro de controle de doenças dos EUA, publicou em 23 de setembro a orientação clínica para a temporada 2026-27 e recomenda a vacina atualizada contra a covid-19 para "todas as pessoas com 18 anos ou mais". Para crianças e adolescentes de 6 meses a 17 anos, a vacina é recomendada a quem tem imunossupressão moderada ou grave; para os demais, a decisão fica compartilhada entre pais ou responsáveis e o profissional de saúde. O documento explica que, "por causa de incertezas legais e questionamentos", valem para esta temporada as recomendações do calendário de imunização de julho de 2025.
O que diz a orientação de 23 de setembro?
A página do CDC voltada a profissionais de saúde lista quatro vacinas com a fórmula 2026-27, todas baseadas na linhagem JN.1 da ômicron: Spikevax e mNexspike, da Moderna; Comirnaty, da Pfizer-BioNTech; e Nuvaxovid, a vacina de proteína da Novavax, hoje fabricada pela Sanofi. Entre os grupos de maior risco, o texto cita profissionais de saúde e moradores e funcionários de instituições de longa permanência. Na decisão compartilhada para crianças sem imunossupressão, o CDC afirma que a relação risco-benefício é "mais favorável para quem tem risco aumentado de COVID grave e menor para quem não tem".
O próprio documento admite que parte das orientações representa uso fora da bula que não foi revisado pelo ACIP, o comitê consultivo de imunização, para as fórmulas de 2026-27, sobretudo na troca de vacina quando a criança muda de faixa etária.
Por que a agência fala em "incertezas legais"?
Em 16 de março, o juiz federal Brian Murphy, de Massachusetts, suspendeu as mudanças feitas no ACIP pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que havia substituído os integrantes do comitê em 2025. A decisão, relatada pela revista TIME, congelou as deliberações do comitê reconstituído, entre elas a retirada da recomendação de hepatite B para recém-nascidos e as alterações nas orientações de gripe e covid, e devolveu a vigência ao calendário anterior às mudanças. Reuniões marcadas para 18 e 19 de março foram adiadas.
"Seu médico agora volta a ser guiado pelo calendário de rotina do CDC", disse à TIME a professora Sara Rosenbaum. O médico Tyler Evans ponderou na mesma reportagem: "Isso é só uma suspensão, não uma decisão final."
Com o comitê travado, a agência chegou a setembro sem uma recomendação formal para a nova temporada. Em 22 de setembro, um dia antes da atualização, o site TODAY registrava que o CDC "não emitiu recomendações oficiais" para 2026-27 porque o ACIP fora "deixado de lado na primavera".
O que o FDA aprovou e para quem?
Em 27 de agosto, o FDA aprovou as quatro vacinas atualizadas, voltadas à variante XFG, segundo o Pharmacy Times. A bula da Comirnaty cobre adultos de 65 anos ou mais e pessoas de 5 a 64 anos com ao menos uma condição de saúde que eleve o risco de COVID grave. A mNexspike e a Nuvaxovid são indicadas a partir dos 65 anos e, entre 12 e 64 anos, a quem tem condição de risco. A recomendação do CDC de 23 de setembro alcança todos os adultos, faixa mais ampla do que a das bulas.
O que dizem as sociedades médicas?
Enquanto o CDC não se pronunciava, quatro entidades publicaram em 2 de setembro orientações próprias, informou o Healthline: a Academia Americana de Pediatria, a Academia Americana de Médicos de Família, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas e a Sociedade de Doenças Infecciosas da América. Para a COVID, elas recomendam a vacina a todos os adultos a partir de 19 anos, com duas doses para quem tem 65 anos ou mais, com intervalo de seis meses; a crianças de 6 a 23 meses; a crianças e adolescentes de 2 a 18 anos com risco elevado; e a gestantes, mulheres que planejam engravidar e lactantes.
Para a gripe, a recomendação é para todos a partir de 6 meses, com fórmula reforçada para quem tem 65 anos ou mais. Para o vírus sincicial respiratório, a proteção é indicada a partir de 75 anos, entre 50 e 74 anos com risco aumentado, na gestação e para bebês de até 8 meses na primeira temporada. "A ciência está tão forte quanto sempre. O que mudou é que CDC e ACIP não forneceram orientação baseada em evidência", disse ao Healthline o epidemiologista Benjamin Lopman, da Emory University.
Plano de saúde e farmácia.
Segundo o TODAY, a maioria das seguradoras cobre a vacina de COVID, incluindo Medicare e Medicaid. O mesmo site alertou que cerca de metade das crianças do país ficou sem acesso porque o programa federal Vaccines for Children ainda não distribuiu as novas doses. O infectologista William Schaffner, ouvido pela reportagem, resumiu o motivo para se vacinar: "Isso mantém você fora do cemitério."
Como fica no Colorado?
No Colorado, o caminho já estava aberto antes da decisão federal. Em 4 de setembro, o Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente do estado (CDPHE) reeditou a ordem permanente que autoriza farmacêuticos e outros profissionais a aplicar a vacina atualizada sem receita individual. A ordem original entrou em vigor em setembro de 2025 e vencia em 4 de setembro de 2026; a nova vale por mais um ano. Pelo Colorado Sun, qualquer pessoa a partir de 6 meses pode receber a dose no estado sem pedido médico.
O que muda para o brasileiro
Para quem tem entre 18 e 64 anos e nenhuma doença de base, a diferença prática está na etiqueta oficial: a vacina passa a ser recomendada pelo CDC. Quem trabalha em hospital, casa de repouso ou cuidado domiciliar aparece na lista de maior risco. Para pais de crianças saudáveis, a conversa com o pediatra continua sendo o passo obrigatório. Quem mora no Colorado pode ir direto à farmácia.
As sociedades médicas e o CDC convergem no essencial: adulto se vacina. A diferença entre elas está na idade de corte, 18 ou 19 anos, e no fato de as entidades acrescentarem uma segunda dose para quem tem 65 anos ou mais. A parte judicial continua em aberto: a decisão de março é uma suspensão provisória, e o próprio CDC deixou registrado que a orientação desta temporada foi escrita sob incerteza legal.
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