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Tecnologia

Ring vai apagar em 24 horas a chave dos vídeos e diz que não poderá mais abrir a imagem para autoridade.

A criptografia TAKE vira padrão mundial das câmeras Ring a partir de setembro: as chaves trocam a cada cinco minutos e a cópia da empresa é apagada em 24 horas, sem desligar os recursos de nuvem.

Redação Brazuca News 29 de August de 2026, 11:15 1 visualizações
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Ring vai apagar em 24 horas a chave dos vídeos e diz que não poderá mais abrir a imagem para autoridade.

A Ring anunciou um sistema de criptografia que apaga em 24 horas a cópia que a empresa guarda da chave dos vídeos gravados pelas câmeras e campainhas dela. O nome é TAKE, sigla para "Throw Away the Key Encryption" — algo como "jogue a chave fora". Segundo a companhia, depois desse prazo ela não consegue mais abrir o vídeo, nem para atender a um pedido legal de autoridade.

A empresa, que pertence à Amazon, diz que o recurso passa a ser o padrão para todos os clientes no mundo, com liberação em fases a partir de setembro.

O que muda na prática

Hoje, quem quisesse o máximo de privacidade em uma câmera Ring precisava ligar a criptografia ponta a ponta e abrir mão de funções que dependem da nuvem. Com o TAKE, a empresa promete manter os alertas inteligentes, a busca por vídeo e a descrição automática das imagens funcionando, e ainda assim se desfazer da chave.

O usuário não precisa ativar nada: o sistema chega ligado por padrão à medida que o lançamento avança.

Como funciona o "jogue a chave fora"?

Cada vídeo é protegido por chaves que trocam a cada cinco minutos. Nos aparelhos mais novos, a chave é gerada no próprio dispositivo; nos mais antigos, na chegada à nuvem. A Ring guarda uma cópia temporária dentro de um enclave isolado na infraestrutura da Amazon, com acesso restrito e só para rodar os recursos de nuvem, e apaga essa cópia em definitivo depois de 24 horas.

Passado esse prazo, a chave fica apenas nos aparelhos autorizados do cliente. Quando alguém abre uma gravação antiga, o aplicativo reenvia temporariamente a chave necessária à empresa, que a descarta de novo ao terminar o processamento. A base técnica é o Messaging Layer Security, padrão aberto mantido pela IETF.

Quem perde o celular ou o aparelho consegue recuperar as chaves em um dispositivo novo, ficando perto de uma câmera Ring compatível.

O que a Ring diz que ainda entrega à polícia.

A empresa afirma que continua respondendo a demandas legalmente válidas do governo — mandado de busca, intimação e ordem judicial. A diferença está no conteúdo. Com o TAKE ativo, segundo a política de privacidade da companhia, ela pode fornecer informações que não são vídeo, como dados básicos de cadastro do assinante. Um porta-voz confirmou que o arquivo de vídeo também pode ser entregue, mas criptografado — sem a chave para abrir.

O morador continua podendo entregar o vídeo por conta própria.

A mudança não fecha o caminho voluntário. O usuário segue podendo compartilhar imagens com autoridades quando quiser, pelo aplicativo Neighbors e pelo programa de pedidos à comunidade da empresa. A criptografia limita o que a Ring entrega; não limita o que o dono da câmera decide entregar.

Por que isso virou assunto?

A Ring carrega um histórico de atrito com o tema. Em 2019, o site Gizmodo revelou que a empresa havia firmado parceria com centenas de departamentos de polícia nos Estados Unidos, chegando a fornecer aos órgãos roteiros de fala e modelos de comunicação. Mais recentemente, a companhia cancelou uma integração planejada com a Flock em seu programa de pedidos à comunidade, depois de reação negativa, e seguiu com a Axon nesse mesmo programa — que substituiu um sistema anterior no qual a polícia pedia imagens direto aos usuários próximos.

A criptografia ponta a ponta continua existindo.

Quem quiser o nível mais fechado ainda pode escolher a criptografia ponta a ponta, que permanece como opção. O preço é o de sempre: com ela ligada, os recursos que dependem da nuvem deixam de funcionar, incluindo busca por vídeo, descrição de imagens e o compartilhamento com usuários de confiança.

Quando chega, o que fazer?

O lançamento é em fases, começando em setembro de 2026, até virar o padrão de todos os clientes da Ring no mundo. Quem usa câmera da marca em casa ou no comércio faz bem em manter o aplicativo atualizado e conferir, nas configurações de privacidade, qual modo está ativo no aparelho — TAKE ou ponta a ponta — antes de contar com um ou com outro.

O que os críticos apontam

Especialistas em privacidade reconhecem o avanço técnico, mas questionam se ele dá conta do histórico da empresa no compartilhamento de dados com forças de segurança. A ressalva mais repetida é que a arquitetura protege o conteúdo do vídeo, e não o resto — dados de cadastro, metadados e o que o próprio usuário decide compartilhar continuam ao alcance de um pedido.

Vale a distinção: a mudança altera o que a Ring guarda, e não o alcance de um mandado. Um pedido judicial continua válido e continua sendo respondido — o que muda é que, passadas as 24 horas, a empresa afirma não ter mais como transformar aquele arquivo em imagem assistível.

Onde confirmar?

Comunicado oficial da Amazon sobre o Ring TAKE, 26 de agosto de 2026; Gizmodo, 26 de agosto de 2026; TechCrunch, 26 de agosto de 2026; gHacks, 28 de agosto de 2026.

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