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Acordo de sigilo esconde negociação de data center, e ao menos dez estados querem proibir a prática

Um centro de dados de US$ 3,6 bilhões na Louisiana tramitou sob os codinomes Project Lightning e Project Pixel. Pelo menos dez estados já apresentaram projetos para restringir os acordos de confidencialidade.

Redação Brazuca News 27 de August de 2026, 21:22 2 visualizações
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Acordo de sigilo esconde negociação de data center, e ao menos dez estados querem proibir a prática
Foto: panumas nikhomkhai / Pexels License

O acordo que trouxe um centro de dados de US$ 3,6 bilhões para Boyce, cidade de cerca de mil habitantes na Louisiana, tramitou por meses sob dois codinomes: "Project Lightning" e "Project Pixel". Só depois de fechado o negócio o empreendimento ganhou nome público — Delta Forge 1, da empresa Applied Digital Corp., sediada em Dallas. A apuração é do repórter Drew Hawkins, do Gulf States Newsroom, publicada nesta quinta-feira pela NPR.

Pelo menos cinco senadores estaduais, o avaliador de imóveis da paróquia de Rapides e todos os membros do conselho de desenvolvimento industrial criado pelo estado assinaram acordos de confidencialidade — os NDAs — antes de negociar o projeto. Os contratos proibiam a divulgação de informações ao público.

O tamanho do consumo

A primeira fase do Delta Forge 1 vai puxar 300 megawatts da rede elétrica, o suficiente para abastecer cerca de 200 mil casas em um dia de verão. O projeto promete mais de 300 empregos na construção e 200 postos permanentes.

Documentos obtidos por pedidos de acesso à informação mostram que ao menos 54 acordos de confidencialidade foram assinados por autoridades eleitas da Louisiana desde que o governador Jeff Landry assumiu, no início de 2024.

Moradores souberam depois.

Foster Hensel, apicultor da região, descreveu à NPR sua reação ao descobrir como o negócio foi conduzido: "Tem alguma coisa podre na Dinamarca. Tem alguma coisa errada nisso." O morador Robert Maddox foi mais direto: "Nossos políticos foram eleitos para nos representar, não para representar a indústria."

Shannon McManus, ex-agente do escritório do xerife, resumiu a queixa: "Continua sendo sobre não ser transparente com as pessoas."

A Virgínia como espelho

Na Virgínia, que concentra a maior densidade de centros de dados do mundo, o professor Eric Bonds identificou o uso de acordos de confidencialidade em pelo menos 25 de 31 projetos analisados. Levantamento da organização Public Citizen aponta que 80% das localidades virginianas com centros de dados propostos ou já instalados têm NDAs em vigor, enquanto a demanda por eletricidade no estado pode triplicar até 2050.

David Cuillier, diretor do Brechner Freedom of Information Project, ligou os pontos à NPR: "Informação é poder, e essas pessoas são poderosas e querem ganhar muito dinheiro, então vão controlar a informação."

A resposta legislativa

Legisladores estaduais apresentaram mais de 300 projetos no primeiro semestre de 2026 para regular a expansão dos centros de dados, segundo a Public Citizen. Ao menos 15 estados discutem moratórias, e pelo menos dez apresentaram propostas para restringir ou proibir os acordos de confidencialidade. Michigan, Oklahoma, Kentucky e Ohio estão entre eles.

A mesma organização registra que sete em cada dez americanos se opõem à instalação de centros de dados de inteligência artificial em suas comunidades.

O que a Pensilvânia decidiu em 18 de agosto?

O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, assinou em 18 de agosto uma ordem executiva que proíbe as agências sob seu comando de assinar NDAs em projetos de centro de dados, segundo apuração de Katie Meyer para o Spotlight PA. A ordem não alcança prefeituras e autoridades locais, e os acordos já firmados pelo estado continuam valendo.

O texto também condiciona novos projetos a um conjunto de exigências: energia de fontes firmes e limpas, começando em 10% e chegando a 32% até 2035; investimento mínimo de US$ 250 milhões; ao menos 200 empregos de construção com piso salarial da categoria; e pelo menos 50 vagas pagando 125% ou mais da média salarial do estado até o quarto aniversário do empreendimento. Shapiro afirmou haver relatos de mais de cem centros de dados planejados no estado, embora tenha classificado a maioria das propostas como especulativa.

O que dizem a empresa e o estado?

Ralph Hennessy, diretor executivo do distrito de desenvolvimento industrial que negociou o projeto da Louisiana, defendeu a prática à NPR: "NDAs não são ilegais, ok? Então você não vai mudar minha cabeça sobre NDAs." A secretária de Desenvolvimento Econômico do estado, Susan Bourgeois, apresentou outra leitura: "A ironia é que usamos NDAs não para sermos mais encobertos, usamos NDAs para sermos mais francos."

Wes Cummins, presidente-executivo da Applied Digital, admitiu o desgaste: "Eu adoraria me livrar dessa parte do NDA, porque para as pessoas parece sorrateiro." Kenny Havard, presidente da paróquia de West Feliciana, disse que não vê necessidade do sigilo, "a menos que eles vão te levar para uma sala e compartilhar alguma informação proprietária".

Por que isso importa para quem paga a conta de luz?

Cada megawatt contratado por um centro de dados entra na mesma rede que abastece as casas da região, e o custo de ampliar essa rede é decidido em audiências públicas de tarifa. Quando a negociação corre sob sigilo, o morador descobre o tamanho do projeto depois que a decisão já foi tomada — e paga a conta pelas décadas seguintes de contrato.

Onde confirmar?

  • NPR / WFDD — "NDAs are hiding data center deals, drawing ire from locals — and attention from lawmakers", por Drew Hawkins (27 de agosto de 2026): wfdd.org/national/2026-08-27/ndas-are-hiding-data-center-deals-drawing-ire-from-locals-and-attention-from-lawmakers
  • Public Citizen — "The Secret Data Center Buildout: How States Can Stop Big Tech's Abuse of NDAs", por Deanna Noël (8 de julho de 2026): citizen.org
  • Spotlight PA — "Bad actors can still skirt Shapiro's new data center rules, but he's betting they won't", por Katie Meyer (25 de agosto de 2026): spotlightpa.org

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