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Falta de memória puxada pela IA já encareceu Mac e iPad, e o J.P. Morgan projeta chip 400% mais caro até dezembro

A corrida por data centers de inteligência artificial drenou o estoque mundial de memória. A Apple reajustou Macs, iPads e outros aparelhos em junho, e bancos e consultorias projetam eletrônico mais caro até o fim de 2026.

Redação Brazuca News 26 de August de 2026, 21:13 1 visualizações
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Falta de memória puxada pela IA já encareceu Mac e iPad, e o J.P. Morgan projeta chip 400% mais caro até dezembro
Foto: Valentine Tanasovich / Pexels License

A conta da inteligência artificial chegou à prateleira. Os fabricantes de memória redirecionaram produção para os chips que abastecem data centers de IA, o estoque de memória comum encolheu e o preço do componente que existe dentro de todo celular, notebook e tablet disparou. O J.P. Morgan Research estima que o preço da DRAM terá subido mais de 400% entre o início de 2024 e o fim de 2026.

Não é projeção distante. Em 25 de junho, a Apple reajustou de uma vez a linha de Macs, iPads e aparelhos domésticos, com aumentos que valeram globalmente a partir daquele dia, segundo a Bloomberg. A empresa atribuiu a alta ao custo de memória e armazenamento.

O que a Apple mexeu

Os reajustes vieram em bloco. O MacBook Neo passou de US$ 599 para US$ 699. O MacBook Air de 13 polegadas saiu de US$ 1.099 para US$ 1.299. O MacBook Pro de 14 polegadas foi de US$ 1.699 para US$ 1.999, e a versão de 16 polegadas, de US$ 2.499 para US$ 2.999.

Nos tablets, o iPad Air subiu de US$ 599 para US$ 749 e o iPad Pro, de US$ 999 para US$ 1.199. Fora da linha principal, o Apple TV foi de US$ 129 para US$ 199, o HomePod de US$ 299 para US$ 349, e o Vision Pro ganhou US$ 200, chegando a US$ 3.699.

O que ficou de fora

iPhone, Apple Watch e AirPods não foram reajustados nessa rodada, segundo a Bloomberg e a TechRepublic. A empresa sinalizou, porém, que outros produtos podem ser ajustados adiante, o que deixa a linha de celulares no radar.

O mercado reagiu mal ao anúncio. As ações da Apple caíram 6,15% no dia, fechando a US$ 275,15, na maior queda intradiária em mais de quatro meses.

Por que a memória sumiu?

A explicação está na disputa por capacidade de fábrica. Os grandes fabricantes deslocaram linhas para memória de alta largura de banda e para DDR5 de alta capacidade, os tipos usados em servidores de IA, o que apertou a oferta dos módulos comuns que vão para celular e computador pessoal.

A própria Apple usou uma linguagem incomum para descrever o choque. Segundo a TechRepublic, a empresa afirmou nunca ter visto o preço de um componente subir tanto, tão rápido, e o presidente-executivo Tim Cook comparou a situação a uma "enchente de um século".

A conta que chega na inflação

O efeito não para no aparelho. O J.P. Morgan Research calcula que cada alta de 10% no custo de hardware acrescenta cerca de 0,1 ponto percentual aos índices de inflação subjacente medidos pelo CPI e pelo PCE. No caso específico do choque de memória, o banco atribui entre 0,2 e 0,4 ponto percentual de pressão inflacionária.

Os índices oficiais já mostram o movimento. Desde o fim de 2024, o CPI de software e acessórios subiu 23%, o índice de preços ao produtor de dispositivos de armazenamento subiu 23% e o índice de preço de importação de computadores, periféricos e peças subiu 37%, segundo o levantamento do banco.

O que as consultorias projetam

A consultoria IDC montou cenários de risco para 2026. No cenário moderado, o mercado de celulares encolhe 2,9% e o de computadores pessoais, 4,9%, com preço médio de venda subindo de 3% a 5% nos celulares e de 4% a 6% nos PCs. No cenário pessimista, a retração vai a 5,2% e 8,9%, com alta de preço médio de 6% a 8% nos dois segmentos.

A IDC registrou ainda que fabricantes de PC vinham sinalizando reajustes de 15% a 20% ao canal. A consultoria fez questão de marcar que esses números são cenários de risco de baixa, e não sua previsão oficial.

O que isso muda na hora de comprar?

Para quem precisa trocar de equipamento nos próximos meses, três pontos saem dos dados publicados. O primeiro: os reajustes da linha da Apple já aconteceram, então o preço visto hoje na loja é o preço novo, não o antigo. O segundo: memória e armazenamento passaram a ser o item que mais encarece o aparelho, o que muda o cálculo de quanto vale pagar pelo upgrade de RAM ou de SSD. O terceiro: as projeções do J.P. Morgan e da IDC apontam pressão continuada até o fim do ano, sem sinal de reversão no curto prazo.

Um ponto não mudou: telefone, relógio e fone da Apple seguiam com preço anterior até a apuração das fontes citadas. Quem tinha compra planejada nessas categorias está menos exposto ao choque do que quem precisa de notebook ou tablet.

Onde confirmar?

  • J.P. Morgan Research, análise sobre a escassez de DRAM puxada pela IA, publicada em 6 de agosto de 2026 (jpmorgan.com).
  • Bloomberg, reportagem sobre o reajuste de Macs e iPads em 25 de junho de 2026 (bloomberg.com).
  • TechRepublic, detalhamento dos preços novos e das declarações da Apple (techrepublic.com).
  • IDC, análise de cenários do impacto da crise de memória nos mercados de celular e PC em 2026 (idc.com).

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