O real acumulou queda de cerca de 2% na semana e teve desempenho pior que o de outras moedas emergentes. Bancos atribuem o movimento principalmente ao aumento da percepção de risco eleitoral, com a campanha presidencial iniciada em 16 de agosto e o primeiro turno marcado para 4 de outubro.
Quem está comprando dólar
O fluxo explica o movimento. Investidores sistemáticos, fundos de hedge e gestores de ativos reais têm comprado dólares, enquanto as empresas seguem vendendo — mas a saída de recursos do país tem superado essa oferta corporativa.
Na frente dos juros, o mercado discute qual será o próximo passo do Comitê de Política Monetária: continuidade do ciclo de cortes ou pausa. A ata divulgada nesta semana deixou as portas abertas para a próxima decisão.
O que muda para quem envia dinheiro?
Dólar mais forte significa mais reais no destino. Uma remessa de mil dólares rende hoje algo em torno de 100 reais a mais do que renderia com a cotação de duas semanas atrás.
Para quem sustenta família no Brasil, é uma janela — mas uma janela instável. Até outubro, a cotação tende a oscilar ao sabor das pesquisas eleitorais e das sinalizações fiscais, o que torna arriscado apostar num momento "ideal" para remeter.
Três cuidados que valem mais que acertar o pico.
Comparar a cotação oferecida pelo aplicativo ou pela casa de câmbio com a cotação comercial do dia. A diferença entre as duas é a margem real cobrada, e ela costuma pesar mais que a variação diária do dólar.
Conferir a taxa fixa por operação. Em remessa pequena, ela representa uma fatia grande do custo total — às vezes compensa juntar dois meses numa transferência só.
Para quem envia todo mês, dividir a remessa em duas datas dentro do mês costuma proteger melhor da volatilidade do que tentar adivinhar o melhor dia.
O outro lado da moeda
Dólar alto favorece quem ganha em dólar e gasta em real. Prejudica quem tem dívida em dólar e receita em reais, e encarece a viagem ao Brasil paga em moeda americana apenas na parte convertida.
Para quem planeja passar as festas de fim de ano no Brasil, vale observar que a passagem aérea acumula alta expressiva no ano — e essa despesa é em dólar, sem benefício do câmbio.
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!