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Economia

Confiança do consumidor americano cai ao menor nível em quatro meses, e a expectativa de inflação para um ano sobe para 4,6%

O índice da Universidade de Michigan fechou setembro em 48,1, 15% abaixo de janeiro, com famílias relatando piora de 10% nas finanças pessoais. A gasolina a US$ 4,48 e a disputa comercial pesam no humor, enquanto a inflação oficial está em 3,4%.

Redação Brazuca News 27 de September de 2026, 21:18 7 visualizações
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Confiança do consumidor americano cai ao menor nível em quatro meses, e a expectativa de inflação para um ano sobe para 4,6%
Foto: Erik Mclean

O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan fechou setembro em 48,1 pontos, o menor nível em quatro meses e 15% abaixo da leitura de janeiro de 2026, informou a instituição em 25 de setembro. Em agosto, o índice estava em 51,7. A leitura final ficou um pouco acima da preliminar, de 47,8, e da mediana de 47,6 esperada por economistas consultados pela Reuters.

O que mais chamou a atenção foi a inflação esperada. As famílias projetam alta de preços de 4,6% nos próximos 12 meses, contra 4,0% em agosto, a maior expectativa desde junho. Em fevereiro, antes do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a projeção era de 3,4%. Para o horizonte de cinco anos, a expectativa subiu de 3,3% para 3,4%.

Como a pesquisa funciona

A Universidade de Michigan entrevista consumidores ao longo do mês e publica duas leituras: uma preliminar, na metade do mês, e a final, no fim. Em setembro, a preliminar apontou 47,8 e a final subiu para 48,1, o que a Trading Economics descreveu como uma melhora modesta que ainda deixa o índice "perto de níveis historicamente fracos". Hsu observou que a queda de setembro foi de menos de quatro pontos, mas suficiente para levar o indicador ao piso de quatro meses.

O levantamento pergunta às famílias sobre a situação financeira atual, a expectativa para o próximo ano, as condições para comprar bens duráveis e a inflação que esperam. São essas quatro respostas que aparecem nos números abaixo.

Os números por dentro

O índice de condições atuais ficou em 50,9, queda de 1,9% em relação a agosto e de 15,7% em um ano. O índice de expectativas caiu mais: 46,3 pontos, recuo de 10,1% no mês e de 10,4% em 12 meses. No total, o sentimento caiu 7% em relação a agosto e 12,7% em relação a setembro de 2025.

Joanne Hsu, diretora da pesquisa, escreveu que as avaliações das famílias sobre a própria situação financeira, tanto a atual quanto a esperada para o próximo ano, pioraram cerca de 10%, e que a preocupação com preços elevados continuou se intensificando.

Combustível e comércio no centro da queixa.

Segundo Hsu, a perspectiva de curto prazo para as condições dos negócios se deteriorou de forma significativa por causa dos preços dos combustíveis e das tensões comerciais. A Reuters, em texto de Lucia Mutikani, atribui a queda à preocupação de que a inflação em alta corroa o poder de compra.

Os dados da AAA de 27 de setembro dão a medida do problema na bomba: a gasolina comum custa em média US$ 4,48 o galão no país, contra US$ 4,10 há um mês e US$ 3,14 há um ano. O diesel está em US$ 6,47.

Inflação oficial: 3,4% no ano; gasolina 27,4% mais cara.

O índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) em 11 de setembro, subiu 0,4% no mês e 3,4% em 12 meses. A energia ficou 16,3% mais cara em um ano, com a gasolina em alta de 27,4%. Alimentos subiram 2,7%, e o núcleo, que exclui alimentos e energia, 2,4%. A moradia subiu 0,3% em agosto e acumula 3,0% em 12 meses.

A distância entre o núcleo de 2,4% e a expectativa das famílias, de 4,6%, é grande, e a pesquisa de Michigan indica onde ela nasce: nas preocupações com preços elevados citadas pelos entrevistados, com combustível à frente.

Compre agora para fugir do preço de depois.

Um detalhe do levantamento: as condições para a compra de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, melhoraram um pouco em setembro. Segundo a pesquisa, parte dos entrevistados avalia que comprar agora pode evitar preços mais altos adiante.

Pessimismo dos dois lados da política.

A queda não tem cor partidária. Desde janeiro, o sentimento dos eleitores republicanos caiu 20%, e o dos democratas, 13%. "No geral, as entrevistas revelam amplo acordo em todo o espectro político de que a perspectiva para a economia enfraqueceu desde o início do ano", escreveu Hsu, em trecho citado pela Reuters.

O que isso muda para o brasileiro nos EUA?

Para quem vive de salário nos Estados Unidos, o quadro de setembro se resume a três números. A gasolina está US$ 1,34 mais cara do que há um ano, segundo a AAA. A inflação oficial roda a 3,4%, com energia 16,3% acima de 2025, segundo o BLS. E as famílias ouvidas por Michigan dizem que a própria situação financeira piorou cerca de 10% em um mês. Quem planeja uma compra grande, como carro ou eletrodoméstico, encontra na pesquisa o retrato de outros consumidores fazendo a mesma conta: antecipar ou esperar.

O que vem a seguir

O próximo CPI, referente a setembro, sai em 14 de outubro, segundo o calendário do BLS. A Universidade de Michigan publica a leitura preliminar de outubro ainda no mês que vem. A AAA atualiza o preço médio da gasolina diariamente.

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