A economia americana abriu 165 mil vagas de trabalho em outubro, bem acima das 59 mil esperadas pelos economistas consultados pela Dow Jones, segundo o relatório oficial de emprego divulgado nesta sexta-feira (6) e noticiado pela CNBC. A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%.
O resultado também mudou o retrato dos meses anteriores. O dado de setembro, que tinha saído muito fraco, foi revisado de 29 mil para 60 mil vagas, e o de agosto subiu 53 mil para 186 mil. Somadas, as revisões acrescentaram 84 mil empregos aos dois meses, informou a Fox Business.
Onde surgiram as vagas?
O setor privado respondeu por 159 mil vagas, e o governo por 6 mil. Pelos números da Fox Business, os maiores ganhos vieram de:
- Serviços profissionais e empresariais: 70 mil vagas, contra uma média mensal de 15 mil nos últimos 12 meses. Serviços administrativos, de apoio e de limpeza e coleta de lixo abriram 28,1 mil postos;
- Saúde: 41,6 mil, com 16 mil em hospitais e 10,5 mil em atendimento domiciliar (home care);
- Transporte e armazenagem: 24,8 mil, dos quais 17,4 mil em entregas e mensageiros;
- Indústria: 19 mil, contra 5 mil previstas.
Salário sobe, mas há sinais de alerta.
O salário médio por hora subiu 0,4% no mês e 3,1% em 12 meses, acima do previsto, segundo a CNBC. A semana média de trabalho ficou estável em 34,4 horas.
O relatório tem pontos fracos. O número de pessoas que trabalham meio período porque não acham emprego de tempo integral cresceu 339 mil para 4,8 milhões, segundo a Fox Business. A taxa mais ampla de subutilização, que soma desalentados e esses trabalhadores de meio período, subiu de 7,6% para 7,9%.
Quem perde o emprego também demora mais para voltar. O tempo médio de desemprego subiu 2,3 semanas para 27,1 semanas, o maior desde setembro de 2021, e os desempregados há 27 semanas ou mais chegaram a 1,96 milhão, o maior número desde dezembro de 2021, informou a CNBC.
O efeito nos juros.
O Federal Reserve, presidido por Kevin Warsh, volta a se reunir em 8 e 9 de dezembro. Depois do relatório, a ferramenta CME FedWatch passou a mostrar 76,8% de chance de alta de 0,25 ponto percentual, contra 66,9% uma semana antes, segundo a Fox Business. Se confirmada, a taxa básica americana iria para a faixa de 4% a 4,25%. A inflação segue acima da meta de 2% do Fed.
Juros mais altos costumam encarecer o cartão de crédito, o financiamento de carro e o de imóvel, mas também melhoram o rendimento de contas de poupança de alto rendimento e de títulos do Tesouro.
"O relatório de emprego de hoje é uma resposta forte ao medo de que a economia esteja caminhando para uma desaceleração significativa", disse Seema Shah, estrategista-chefe global da Principal Asset Management, à CNBC. Para Lindsay Rosner, da Goldman Sachs Asset Management, o número "tirou o semáforo do cruzamento de dezembro" para o Fed, e um novo aperto no primeiro trimestre é possível se a inflação continuar forte, segundo a Fox Business.
Na manhã de sexta, o S&P 500 subia 0,65% e o Nasdaq, 1,25%, enquanto o Dow Jones caía 0,2%.
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