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Economia

Dólar abre a R$ 5,42 após reeleição de Lula; pela cotação de mercado, US$ 1.000 enviados ao Brasil valem R$ 431,80 a mais que na sexta

O dólar abriu a segunda-feira (26) em alta de 8,65%, cotado a R$ 5,4248 perto das 9h de Brasília, depois de uma noite de quedas fortes dos ativos brasileiros negociados no exterior. Para quem manda dinheiro dos EUA, a cotação de mercado ficou bem mais favorável que a de sexta.

Redação Brazuca News 26 de outubro de 2026, 12:22 1 visualizações
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Dólar abre a R$ 5,42 após reeleição de Lula; pela cotação de mercado, US$ 1.000 enviados ao Brasil valem R$ 431,80 a mais que na sexta
Foto: Engin Akyurt / Pexels License

O dólar abriu a segunda-feira (26) em alta de 8,65% no mercado à vista brasileiro, cotado a R$ 5,4248 perto das 9h de Brasília (8h em Nova York), segundo o g1. É a primeira sessão depois da reeleição de Lula (PT) no domingo (25), resultado que contrariou as visões do mercado, que davam mais chance de vitória a Flávio Bolsonaro (PL), segundo o InfoMoney. Na sexta-feira (23), a moeda americana tinha fechado a R$ 4,993, de acordo com a Agência Brasil.

Para quem mora nos EUA e manda dinheiro para a família, a alta do dólar é favorável. Pelo cálculo do Brazuca News, US$ 1.000 convertidos na cotação de fechamento de sexta davam R$ 4.993,00. Na cotação de abertura desta segunda, o mesmo valor vira R$ 5.424,80, uma diferença de R$ 431,80. O pregão ainda estava aberto quando este texto foi escrito, e a cotação muda ao longo do dia; os números acima não são de fechamento.

O que significa cada número que circulou desde domingo

As manchetes da noite de domingo e da madrugada desta segunda trouxeram percentuais de mercados diferentes, abertos em horários diferentes. Só o último item abaixo é a cotação do dólar no Brasil.

  • "Real cai 10% no mercado futuro". O número vem dos contratos futuros do real negociados na CME, a bolsa de Chicago, que funciona enquanto o mercado brasileiro está fechado. Às 3h38 de Brasília, o contrato com vencimento em novembro caía 10,09%, o que levava o dólar implícito a R$ 5,56, segundo o InfoMoney. O g1 ressalta que esse preço é uma referência das expectativas dos investidores e não representa a cotação oficial do dólar no Brasil.
  • "Fundo de ações brasileiras despenca 19% nos EUA". É o EWZ, fundo de índice (ETF) negociado em Nova York que acompanha ações de grandes empresas brasileiras. A queda de cerca de 19% foi registrada na noite de domingo, no after hours, o horário estendido da bolsa americana. Na manhã desta segunda, por volta das 7h41 de Brasília, o fundo caía 26,02% no pré-mercado, a US$ 31,51, contra US$ 42,59 no fechamento de sexta, segundo o g1.
  • "ETF brasileiro no Japão despenca 13%". Trata-se do NEXT Funds Ibovespa Linked, negociado em Tóquio, que caiu 13% na abertura da sessão japonesa, ainda noite de domingo no Brasil, segundo a Bloomberg Línea. Em texto publicado na manhã desta segunda, a Bloomberg informou que a perda do fundo de Tóquio chegou a 15%, a maior em um único dia desde 2008.
  • "Queda de até 27%" no exterior. A Bloomberg registrou queda de 27% do ETF de ações brasileiras em Nova York no pré-mercado. Entre as ações de empresas brasileiras listadas nos EUA, a Reuters, em texto publicado pela CNN Brasil, apontou no pré-mercado recuo de 28,5% do Itaú Unibanco, 26,8% do Bradesco, 24% do Nubank e 20% da Petrobras.
  • Dólar no Brasil. É a cotação do mercado à vista, que abriu às 9h com o dólar a R$ 5,4248, segundo o g1. No mercado futuro da B3, o dólar avançava 9,16%, a R$ 5,43, informou o InfoMoney em texto publicado às 9h06.

As ações na B3 só começam a ser negociadas às 10h. Antes disso, o Ibovespa Futuro, contrato que antecipa o movimento do índice e começa a ser negociado às 9h, caía 14,84% por volta das 9h04, aos 177.215 pontos, segundo o InfoMoney. Em seguida, o contrato chegou a 15% de queda, o limite de baixa que a B3 tinha ampliado pouco antes da abertura, e a bolsa acionou o circuit breaker no índice futuro, informou O Globo às 9h10. No Ibovespa à vista, uma queda de 10% paralisa os negócios por 30 minutos, pelas regras da B3. O mecanismo foi acionado pela última vez em 2020, durante a pandemia, lembra o g1.

O que muda para quem manda dinheiro dos EUA

A conta do Brazuca News usa a cotação de mercado, a mesma que aparece no noticiário. O valor que chega ao Brasil depende da taxa e das tarifas de cada empresa de remessa ou banco, por isso convém conferir o total em reais na tela antes de confirmar o envio. Remessas de valores maiores seguem a mesma proporção: a cada US$ 100, a diferença em relação à sexta é de R$ 43,18.

Quem paga a remessa com dinheiro vivo, money order ou cashier's check recolhe ainda, desde 1º de janeiro de 2026, o imposto federal de 1% sobre remessas, segundo o IRS, a Receita Federal americana.

O ganho de hoje pode diminuir ou aumentar nos próximos pregões, e os analistas divergem sobre o rumo do câmbio depois do choque inicial.

O que os analistas esperam para os próximos dias

"Vai ser um dia difícil. O mercado vai reavaliar tudo", disse Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management, à Bloomberg, em texto reproduzido pelo InfoMoney. "Todos foram pegos de surpresa."

Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, disse ao InfoMoney que "o mercado não estava posicionado para este desfecho". Ele espera "forte volatilidade" até que o novo governo reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal.

O JPMorgan trabalha com um cenário em que o dólar chega a R$ 5,50 e estima que o Ibovespa possa recuar cerca de 20% nos próximos dias, segundo relatório citado pelo InfoMoney. O banco não descarta uma reação do Banco Central para estabilizar os mercados. Entre os pontos a acompanhar, os estrategistas citam a reação da oposição ao resultado, a composição da nova equipe de governo e a resposta dos próprios mercados.

Antes da abertura, Gabriel Pinheiro, sócio da GT Capital, estimou ao Poder360 que o dólar abriria entre R$ 5,30 e R$ 5,50. "Veremos a Bolsa sangrar como há muito tempo não se via", afirmou. William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, disse à Reuters que "a vitória surpreendente de Lula vai frustrar as esperanças de reformas que melhorariam as finanças públicas e fortaleceriam as perspectivas de crescimento".

Há também quem espere acomodação depois do choque. Simon Quijano-Evans, estrategista sênior para mercados emergentes da Macro Hive, prevê que o dólar pode subir inicialmente para R$ 5,20 ou mais, mas espera uma recuperação gradual do real, citando os juros reais elevados no Brasil, segundo O Globo. Cathy Hepworth, que chefia a equipe de dívida de mercados emergentes da gestora PGIM, prevê uma reprecificação "talvez por um tempo". "Mas ainda é o Brasil, e Lula é um animal político, então as coisas acabarão se estabilizando", disse ela, segundo o jornal.

Para um prazo mais longo, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, estima o dólar perto de R$ 5,40 em 2027, segundo o Poder360. Ele lembra que, depois da eleição de 2022, a aprovação do novo arcabouço fiscal melhorou o humor dos investidores. "É preciso observar como as pautas econômicas vão avançar no médio prazo", afirmou.

O que observar a seguir

Economistas do Goldman Sachs escreveram que, passado o ajuste desta segunda, "a direção dos mercados dependerá provavelmente das declarações sobre a política econômica", além da escolha do ministro da Fazenda, segundo O Globo. Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management, avaliou à Bloomberg que "Lula poderia eventualmente adotar uma abordagem mais cautelosa em relação aos gastos, mas é improvável que o mercado lhe dê o benefício da dúvida".

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