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Economia

Inflação nos EUA acelera para 3,7% em setembro, com a gasolina 34% mais cara em um ano, e nova alta de juros volta à mesa do Fed

O BLS informou em 14/10 que os preços subiram 0,6% em setembro e 3,7% em 12 meses, com a gasolina respondendo por mais da metade da alta do mês. Passagem aérea, aluguel e o risco de juro maior no cartão e no financiamento de carro estão no centro do bolso do brasileiro nos EUA.

Redação Brazuca News 16 de outubro de 2026, 15:24 2 visualizações
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Inflação nos EUA acelera para 3,7% em setembro, com a gasolina 34% mais cara em um ano, e nova alta de juros volta à mesa do Fed
Foto: Erik Mclean / Pexels License

A inflação nos Estados Unidos acelerou para 3,7% nos 12 meses encerrados em setembro, informou o Bureau of Labor Statistics (BLS) na quarta-feira, 14 de outubro. Para o brasileiro que vive no país, o dado pesa em quatro frentes ao mesmo tempo: o tanque de gasolina, a passagem de fim de ano para o Brasil, o aluguel e o custo de quem deve no cartão ou financia carro, já que o resultado reacendeu a chance de o Federal Reserve subir os juros de novo ainda em outubro.

Os preços ao consumidor subiram 0,6% de agosto para setembro, depois de 0,4% no mês anterior. Em agosto, a taxa anual estava em 3,4%. Economistas consultados pela FactSet esperavam 3,6%, segundo a CBS News.

Gasolina explica mais da metade da alta.

O índice da gasolina subiu 9,1% em setembro e respondeu por mais da metade do aumento geral do mês, de acordo com o BLS. Em 12 meses, a gasolina ficou 34,2% mais cara, e o grupo energia acumula alta de 20,4%. O óleo de aquecimento subiu 74,2% no período.

Na bomba, o galão de gasolina comum custava em média US$ 4,33 em 15 de outubro, segundo a AAA, cerca de dois centavos abaixo da semana anterior. A associação informou que a média nacional está acima de US$ 4 desde o fim de julho e supera em mais de um dólar o valor de um ano atrás. O barril de petróleo voltou a se aproximar de US$ 100, e a AAA registrou recordes sazonais de preço neste ano, num período em que o outono costuma trazer gasolina mais barata.

Segundo a CBS News, o galão custava US$ 2,98 antes do começo da guerra no Irã, conflito que a Reuters descreve como a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. A CBS atribui a disparada da energia desde o início do ano a essa guerra e à guerra da Rússia contra a Ucrânia. A média nacional do diesel, que bateu recorde no fim de setembro, estava em US$ 6,29 o galão em 14 de outubro, de acordo com a CBS. O diesel encarece o frete de mercadorias, e a Reuters registrou o temor de que esse custo chegue às prateleiras dos supermercados. O item outros combustíveis automotivos, que inclui o diesel, subiu 11,9% em setembro e 60,9% em um ano, segundo a agência.

"A inflação estava claramente quente, e não há muitas formas de suavizar isso", escreveu aos investidores o analista de Wall Street Adam Crisafulli, chefe da Vital Knowledge, segundo a CBS. Para Crisafulli, a energia teve papel enorme no resultado, e os preços altos por tanto tempo começam a se espalhar pelo resto da economia.

Passagem, aluguel e mercado.

Para quem planeja passar o Natal no Brasil, o número mais sensível do relatório está nas passagens aéreas. O índice de tarifas aéreas do BLS subiu 1,2% em setembro e acumula alta de 22,4% em 12 meses. O índice mede as passagens em geral e não separa rotas, então não mostra o preço específico de um voo para São Paulo ou Belo Horizonte. A Reuters atribuiu a alta do mês ao combustível de avião mais caro.

O grupo moradia subiu 0,4% em setembro e 3,2% em 12 meses. Dentro dele, o aluguel teve alta de 0,2% no mês.

A comida deu algum alívio. O índice de alimentos ficou estável em setembro, com o mercado recuando 0,1% e a refeição fora de casa subindo 0,2%. A carne bovina caiu 1,0% e o leite, 2,0%. Frutas e verduras, por outro lado, subiram 0,5% no mês. Em 12 meses, os alimentos acumulam 2,5%: o mercado subiu 1,8% e restaurantes e lanchonetes, 3,5%.

O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, acima dos 2,4% de agosto. Carros usados (mais 0,7%), educação (mais 0,6%), vestuário e seguro de veículo também ficaram mais caros, segundo o BLS. Para a Reuters, o relatório mostrou a pressão de preços se espalhando além da energia, o que preocupa economistas com o risco de a inflação de fundo ficar mais persistente.

A chance de nova alta de juros em 28 de outubro

Em setembro, o Fed subiu os juros pela primeira vez desde 2023, para a faixa de 3,75% a 4%, e sinalizou que espera nova alta ainda neste ano. O comitê do Banco Central se reúne de novo em 27 e 28 de outubro e, depois, em 8 e 9 de dezembro, segundo a CBS.

O mercado reagiu ao dado de inflação, mas as estimativas variaram ao longo dos dias. Stephen Brown, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, disse em relatório citado pela CBS que o mercado passou a ver 50% de chance de alta em outubro, contra 20% antes da divulgação. Na tarde de 14 de outubro, a Reuters registrou probabilidade de cerca de 37% pela ferramenta FedWatch, do CME Group, ante 22% antes do relatório. A maioria dos economistas, segundo a Reuters, ainda espera que o Fed mantenha os juros em outubro e suba em dezembro.

Na manhã de quinta-feira, 15 de outubro, o índice de preços ao produtor de setembro também veio acima do previsto: alta de 1,3% no mês e 6,3% em 12 meses. Depois desse dado, o FedWatch apontava 33,8% de chance de alta em outubro, segundo a InvestmentNews, e 63,2% de chance de os juros chegarem à faixa de 4% a 4,25% na reunião de dezembro. Esses números mudam várias vezes por dia e refletem apostas do mercado, e não uma decisão do Fed.

O que uma nova alta faz com cartão, carro e hipoteca?

O cartão de crédito sente primeiro. A maioria dos cartões tem juro variável atrelado à taxa prime, que reage em até um mês a uma decisão do Fed, segundo pesquisadores do Federal Reserve de Boston citados pela Associated Press em setembro. Na mesma reportagem, Matt Schulz, analista-chefe de finanças do consumidor da LendingTree, estimou que a alta de setembro elevaria o juro da maioria dos cartões em um quarto de ponto percentual em poucos meses. O impacto atinge quem carrega saldo de um mês para o outro.

Na mesma entrevista de setembro, Schulz ponderou que uma alta isolada pesa pouco. "Quando isso tudo começa a ter impacto para as pessoas, é quando você empilha algumas dessas altas ao longo do tempo", afirmou à AP.

No financiamento de carro, o Fed influencia o juro de forma indireta, pela taxa prime. Em agosto, o juro médio era de 7% para carro novo e de 10,6% para usado, segundo a Edmunds, e a prestação média ficou em US$ 765 no segundo trimestre, segundo a Experian, números reunidos pela AP.

A hipoteca segue outra régua. As taxas de financiamento imobiliário acompanham o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano, mais do que a decisão do Fed. Na semana anterior à alta de setembro, a taxa fixa de 30 anos estava em 6,76%, a maior em mais de 14 meses, segundo a Freddie Mac. Quem já tem hipoteca de taxa fixa não muda de prestação. A hipoteca de taxa ajustável (ARM) pode subir. A AP também apontou o outro lado: o rendimento de poupança e de certificados de depósito tende a acompanhar a alta.

Os próximos dados

A decisão de juros sai na reunião de 27 e 28 de outubro. Para a meta de 2%, o Fed usa como referência outro índice, o de gastos com consumo (PCE), segundo a Reuters. Economistas consultados pela agência estimam que o núcleo do PCE de setembro fique entre 0,3% e 0,4% no mês, o que levaria a taxa anual a 3,1%. O BLS divulga o índice de preços ao consumidor de outubro em 10 de novembro, uma semana depois das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.

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