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Economia

Dólar fecha a semana do 1º turno a R$ 4,98 e US$ 1.000 enviados ao Brasil rendem R$ 232 a menos; IPCA de setembro sobe 0,82%

A moeda americana caiu 4,44% entre 2 e 9 de outubro, encolhendo o valor em reais de cada remessa feita dos EUA. No mesmo dia 9, o IBGE informou que a inflação de 12 meses voltou a passar do teto da meta, puxada pela conta de luz.

Redação Brazuca News 11 de outubro de 2026, 16:32 2 visualizações
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Dólar fecha a semana do 1º turno a R$ 4,98 e US$ 1.000 enviados ao Brasil rendem R$ 232 a menos; IPCA de setembro sobe 0,82%
Foto: Goran Grudić / Pexels License

Quem mora nos Estados Unidos e manda dinheiro para a família no Brasil sentiu no bolso a semana seguinte ao 1º turno das eleições. O dólar à vista fechou a sexta-feira (9) a R$ 4,9856, queda de 4,44% na semana e de 9,17% no ano, segundo a CNN Brasil, e cada US$ 1.000 enviados passou a valer cerca de R$ 232 a menos do que valia uma semana antes.

No mesmo dia, o IBGE divulgou que a inflação oficial de setembro foi de 0,82% e que o acumulado de 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta. Para a família que recebe a remessa, a combinação é desfavorável: menos reais chegando e preços subindo mais rápido no Brasil.

O tombo de segunda-feira

O movimento começou na segunda-feira (5), primeiro dia útil depois da votação de domingo (4). O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o 1º turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os dois disputam o 2º turno em 25 de outubro. De acordo com a Agência Brasil, o dólar à vista encerrou aquele pregão em queda de 4,12%, a R$ 5,0022, depois de tocar a mínima de R$ 4,95 ainda pela manhã, por volta das 10h30. Foi a menor cotação de fechamento desde 21 de maio.

Na sexta-feira anterior (2), a moeda havia fechado a R$ 5,2175. No mesmo dia 5, o Ibovespa subiu 7,85%, para 207.190,44 pontos, e passou pela primeira vez dos 200 mil pontos, informou a agência.

A leitura do mercado, segundo a Agência Brasil, foi de redução do prêmio de risco dos ativos brasileiros, o que favoreceu o real e derrubou as taxas futuras de juros. Pelo registro do Jornal do Comércio, nenhuma das moedas mais negociadas do mundo se valorizou tanto quanto o real naquela segunda.

Nos dias seguintes, o dólar oscilou em torno de R$ 5. Segundo o Jornal do Comércio, a moeda fechou acima de R$ 5 na quarta-feira (7) e na quinta-feira (8), quando subiu 0,26%, para R$ 5,0241, num dia de ajuste de posições. Na sexta (9), recuou 0,76% e voltou para baixo dos R$ 5, de acordo com a CNN Brasil, que atribuiu o movimento à repercussão das pesquisas de 2º turno. O Ibovespa fechou a sexta a 209.066,90 pontos, novo recorde, e acumulou alta de 8,82% na semana, segundo a B3.

A conta da remessa

Com os dois fechamentos de sexta-feira, a diferença fica assim, sempre pela cotação do dólar comercial:

  • US$ 500: R$ 2.608,75 em 2 de outubro e R$ 2.492,80 em 9 de outubro, perda de R$ 115,95.
  • US$ 1.000: R$ 5.217,50 antes e R$ 4.985,60 depois, perda de R$ 231,90.
  • US$ 2.000: R$ 10.435,00 antes e R$ 9.971,20 depois, perda de R$ 463,80.

O valor que de fato chega à conta no Brasil é menor do que esses números, porque bancos e empresas de remessa aplicam a própria taxa de câmbio, com margem sobre o comercial, e cobram tarifa. A proporção da perda na semana, porém, é a mesma: 4,44%.

Para quem faz o caminho inverso, a conta favorece. Um brasileiro que vendeu um imóvel ou tem uma reserva em reais e pretende trazer o dinheiro para os EUA compraria cerca de US$ 95.831 com R$ 500 mil na cotação de 2 de outubro. Na cotação de 9 de outubro, o mesmo valor compraria cerca de US$ 100.289, uma diferença de aproximadamente US$ 4.457.

A inflação que chega à família

O IPCA de setembro veio acima do previsto. Segundo a Agência Brasil, o boletim Focus do Banco Central projetava 0,60% para o mês. Em agosto, o índice tinha registrado deflação de 0,32%, e o acumulado em 12 meses estava em 4,22%.

O principal motivo foi a conta de luz, que subiu 7,98% em setembro e respondeu sozinha por 0,32 ponto percentual do índice. A explicação está no Bônus de Itaipu, desconto creditado nas faturas de agosto, que deixou de existir em setembro. Como o IPCA compara um mês com o anterior, a fatura cheia de setembro ficou bem acima da fatura com desconto de agosto, e o salto entrou no índice.

Outros itens pesaram. As passagens aéreas subiram 9,66%, os combustíveis ficaram 1,41% mais caros e a alimentação no domicílio avançou 0,96%, depois de três meses seguidos de queda no grupo de alimentos e bebidas. O analista do IBGE Fernando Gonçalves atribuiu a alta da comida a problemas de oferta ligados ao clima. "Com mais frio, o tomate demora mais a amadurecer. A chuva atrapalhou a plantação de batatas", exemplificou, segundo a Agência Brasil.

No acumulado de 2026, o IPCA soma 3,95%, segundo a CNN Brasil. A meta perseguida pelo Banco Central é de 3%, com tolerância até 4,5%, e é considerada descumprida se a inflação de 12 meses ficar acima do intervalo por seis meses seguidos. Antes de setembro, a última vez em que o acumulado de 12 meses havia passado do teto tinha sido em junho, com 4,64%. O mercado projeta inflação de 5,01% para o fim do ano, de acordo com o Focus citado pela Agência Brasil.

Há sinal de alívio para outubro. A bandeira tarifária vigente no mês é a verde, sem cobrança adicional na conta de luz. O economista Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras, classificou a alta de setembro como um "efeito pontual, com influência limitada sobre o próximo mês". O economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, disse à CNN Brasil que os números trouxeram surpresas apenas localizadas e não mudam o cenário para a inflação.

O que os analistas esperam até o 2º turno

Os economistas citados pelo Jornal do Comércio divergem sobre o fôlego do real. Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Econômica do banco Pine, vê espaço para nova queda do dólar se a equipe econômica indicada por um eventual governo Flávio apontar para reformas estruturais. "O real ainda está depreciado segundo algumas medidas relevantes", afirmou.

William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, foi mais contido. "Minha impressão, dada a apreciação tanto hoje quanto antes da eleição, é que já vimos a maior parte dos ganhos", disse, ressalvando que o rali pode continuar um pouco se o candidato detalhar seus planos.

Brendan McKenna, estrategista de mercados emergentes do Société Générale, afirmou, segundo o Jornal do Comércio, que vai usar a data do 2º turno "como um cronograma aproximado" para manter posições contra o dólar. Ele alertou que uma postura mais dura do Federal Reserve ou a escalada de tensões geopolíticas podem tornar o ambiente externo "a principal influência" para o real "mais cedo do que o esperado".

Até 25 de outubro, data do 2º turno, as pesquisas eleitorais seguem no centro das decisões do mercado de câmbio, como mostrou a reação da sexta-feira, quando o dólar voltou para baixo dos R$ 5 no mesmo dia em que a inflação veio acima do esperado.

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