Agentes de imigração à paisana passaram a abordar passageiros em aeroportos americanos, em balcões de check-in, portões de embarque e terminais de desembarque. Advogados relatam pelo menos 27 prisões com essa tática, em ao menos nove estados, da Califórnia à Virgínia, e ações em pelo menos 15 aeroportos nas últimas semanas.
A mudança de método é o que chama atenção. Em vez das operações de vigilância prolongada usadas antes, o ICE tem trabalhado com a TSA e localizado pessoas por correspondência de nome nos pontos de checagem.
Quem está sendo abordado
O foco recente inclui pessoas com visto vencido que estejam viajando. Mas advogados relataram à CNN que, entre os detidos, havia clientes que entraram legalmente no país e estavam com processo de asilo em andamento — ou seja, gente com pedido em análise, não com ordem de deportação.
É por isso que a Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes (CHIRLA) passou a recomendar que quem tem pedido de green card ou de asilo pendente consulte um advogado antes de viajar de avião dentro dos Estados Unidos.
O que isso não significa
Não é proibição de viajar, e não vale para todo mundo. Cidadão americano e residente permanente com green card válido seguem com direito pleno de circular pelo país.
O que mudou é o cálculo de risco para quem está no meio de um processo: o aeroporto passou a ser um lugar onde o nome é conferido contra bases de dados federais.
O que levar e o que saber.
Em voo doméstico não existe controle de imigração, mas existe verificação de identidade. Quem tem documento de autorização de trabalho válido, green card ou comprovante de processo em andamento deve portar o original — não a foto no celular, que pode ficar inacessível se o aparelho descarregar.
Os direitos em uma abordagem não mudaram: a pessoa pode dizer que prefere permanecer em silêncio, pode pedir para falar com advogado e não é obrigada a assinar documento que não entendeu ou que não pôde ler. Assinar papel sob pressão, sem leitura, é o erro que mais atrapalha caso depois.
Vale ter à mão o telefone de um advogado licenciado ou de representante credenciado pelo Departamento de Justiça, anotado em papel, e combinar com alguém da família quem avisar se houver problema.
Antes de comprar a passagem,
Para quem tem processo em aberto, a orientação das entidades é simples: pergunte ao seu advogado se a viagem vale o risco naquele momento do processo. A resposta muda conforme a etapa — e é uma conversa de dez minutos que pode evitar meses de transtorno.
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!