As seguradoras que vendem planos pelo marketplace do Affordable Care Act pediram um aumento mediano de 15% para 2027. O número vem do levantamento da KFF com 276 seguradoras que tinham pedidos públicos disponíveis nos 50 estados e no Distrito de Columbia, e representa o segundo ano seguido de reajuste de dois dígitos.
Para quem compra plano por conta própria porque trabalha como autônomo, presta serviço ou está em empresa pequena sem cobertura, esse é o preço que vai aparecer na tela quando a inscrição abrir, em 1.º de novembro.
O tamanho do pedido
A mediana de 15% esconde uma variação grande. Segundo o Peterson-KFF Health System Tracker, os pedidos vão de uma queda de 1% até uma alta de 54%. Cerca de 63% das seguradoras pediram aumento entre 10% e 25%. No quartil de baixo, o pedido é de 11%, e no de cima, de 22%.
São pedidos, não valores finais. Cada estado revisa os números pelo seu departamento de seguros antes de aprovar, e o valor pode cair no caminho. Em 2026, porém, o movimento foi ao contrário: a mediana proposta era de 18% e o reajuste finalizado ficou em 20%.
Por que os custos subiram?
A análise detalhada de 77 seguradoras em 16 estados e no Distrito de Columbia aponta uma alta mediana de 10% no custo subjacente de serviços de saúde e medicamentos, acima da média de 8% dos anos anteriores. As empresas citam internações, consultas médicas e remédios de alto custo, incluindo os medicamentos da classe dos GLP-1, além de escassez de mão de obra e inflação geral, que pressionam os valores pagos a prestadores.
O peso do fim dos créditos ampliados
Cerca de 4 pontos percentuais do aumento pedido para 2027 são atribuídos à piora do perfil de risco da carteira, consequência do fim dos créditos fiscais ampliados no último dia de 2025. A lógica das seguradoras é a seguinte: quando o plano encarece, quem está saudável sai primeiro, e o grupo que fica consome mais.
O efeito já apareceu em 2026. O valor que o beneficiário subsidiado paga do próprio bolso subiu 58% em média, e as franquias aumentaram cerca de US$ 1.000 por pessoa. Quem tem renda acima de 400% da linha de pobreza federal, o equivalente a US$ 62.600 para uma pessoa sozinha em 2026, perdeu o subsídio inteiro.
Um exemplo em dólar.
O Peterson-KFF acompanhou o caso de uma pessoa de 40 anos em Indianápolis. O pagamento mensal saiu de US$ 316 em 2025, com os créditos ampliados em vigor, foi a US$ 477 em 2026 e chega a US$ 546 na projeção para 2027. São 41% de aumento acumulado em dois anos para a mesma pessoa.
O valor varia por idade, renda, estado e plano escolhido, então esse número serve como ordem de grandeza, não como previsão individual.
O que já aparece nos estados
O Center on Health Insurance Reforms, da Universidade Georgetown, analisou em junho os pedidos protocolados primeiro, em dez estados. Washington aparecia com a maior média estadual daquele grupo, de 22,4%, enquanto Vermont registrava 6,5%.
Na justificativa entregue aos reguladores, algumas seguradoras quantificaram a parcela ligada ao fim dos créditos. A Fallon Community Health Plan, de Massachusetts, atribuiu 3,3 pontos percentuais do seu pedido de 25,7% a mudanças de política pública, incluindo o fim dos créditos ampliados. A ConnectiCare, de Connecticut, vinculou 5% do reajuste ao encerramento de subsídios estaduais ligados ao mesmo programa.
Porque o número ainda pode mudar.
A fotografia atual é de pedidos em revisão. Quando o Center on Health Insurance Reforms publicou sua análise, em 18 de junho, nenhum estado havia finalizado as tarifas de 2027, e a maior parte dos pedidos sequer tinha chegado aos reguladores federais, com prazo de entrega em meados de julho e divulgação pública prevista para o fim daquele mês.
O levantamento da KFF acompanhou esse calendário: saiu em 8 de julho e foi atualizado em 3 de agosto para incluir os pedidos de todos os estados e do Distrito de Columbia. A revisão estadual pode derrubar percentuais, e é por isso que o preço que aparece no site em novembro nem sempre bate com a manchete de julho.
As datas que decidem o preço
Pelo calendário do HealthCare.gov, a inscrição aberta para a cobertura de 2027 começa em 1º de novembro. Quem se inscrever até 15 de dezembro tem o plano valendo a partir de 1º de janeiro. O prazo final é 15 de janeiro, e, nesse caso, a cobertura só começa em 1.º de fevereiro.
Depois de 15 de janeiro, só entra no marketplace quem se qualificar para um período especial de inscrição, aberto por eventos como perda do plano do emprego, casamento, nascimento de filho ou mudança de estado.
O que fazer antes de novembro?
Renovar automaticamente é o caminho mais caro em ano de reajuste desigual, porque o plano barato de 2026 pode ter sido justamente um dos que pediram 30% ou 40%. Comparar os planos disponíveis na própria região durante a inscrição aberta é o único momento do ano em que a troca é livre, sem exigência de evento especial.
Vale também revisar a estimativa de renda informada no aplicativo, porque é ela que define o tamanho do subsídio. Renda declarada abaixo da real gera cobrança na declaração de imposto do ano seguinte, e renda acima do necessário reduz o crédito recebido durante o ano.
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