Os Estados Unidos vivem o maior surto de ciclosporíase já registrado. Segundo o balanço do CDC divulgado em 11 de agosto, foram 13.895 casos confirmados em laboratório de pessoas que adquiriram a infecção dentro do país desde 1º de maio, espalhados por 47 estados, o Distrito de Columbia e Porto Rico. Há 740 internações e duas mortes, ambas em Michigan.
A agência informou ainda ter conhecimento de outros 10.455 casos suspeitos. Em paralelo, 46 estados relataram 1.530 casos confirmados associados a viagem ao exterior, com 58 internações.
De onde veio ?
Uma parte do surto foi rastreada até alface iceberg produzida no centro do México e fornecida pela Taylor Farms de Mexico, que fez recolhimento voluntário de todo o produto no mercado americano. A investigação partiu da alface servida em unidades do Taco Bell em nove estados: Indiana, Kentucky, Michigan, Ohio, Virgínia Ocidental, Kansas, Oklahoma, Illinois e Pensilvânia.
Esse ramo específico do surto soma pelo menos 6.358 casos adquiridos no país, em 15 estados. O FDA continua investigando outros focos em que ainda não foi possível ligar os casos a um alimento específico.
Em Washington, o Departamento de Saúde estadual contabilizou 61 casos entre 1º de maio e 7 de agosto, com uma internação e nenhuma morte. Dois deles têm ligação com o surto do Taco Bell em Michigan. O estado informou que a alface recolhida não foi distribuída ali.
Como reconhecer.
A ciclosporíase é causada por um parasita microscópico e não se transmite de pessoa para pessoa. O quadro típico é de diarreia aquosa prolongada, acompanhada de fadiga, perda de apetite, cólica abdominal, náusea e perda de peso.
O detalhe que costuma atrasar o diagnóstico é o tempo: os sintomas aparecem cerca de uma semana após a exposição, variando de 1 a 14 dias. Quando a pessoa adoece, já não lembra o que comeu.
Diarreia que não passa depois de alguns dias merece consulta médica com menção explícita à suspeita — o exame de fezes comum nem sempre procura esse parasita, e o tratamento é feito com antibiótico específico.
O que reduz o risco ?
As recomendações das autoridades sanitárias são diretas: lavar frutas, verduras e legumes em água corrente antes do consumo, manter limpas as superfícies de preparo e separar os vegetais crus das carnes.
Para quem viaja a regiões onde o parasita é endêmico, a orientação é consumir apenas alimentos cozidos e água engarrafada.
Vale também conferir se o produto comprado consta em alguma lista de recolhimento antes de descartar a embalagem, já que os avisos costumam identificar lote e data de validade.
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