O eleitor do Colorado vai encontrar uma cédula longa em novembro. São pelo menos oito medidas estaduais já encaminhadas, e o número pode chegar perto de quinze.
Três delas mexem no bolso de quem mora no estado, independentemente de ter direito a voto.
Imposto de renda: duas propostas em rota de colisão
Hoje o Colorado cobra alíquota única de 4,4% sobre a renda, igual para todo mundo.
A Iniciativa 195 quer trocar isso por faixas. Pela proposta, quem ganha acima de US$ 500 mil passaria a pagar mais, e quem ganha abaixo disso pagaria menos. Renda acima de US$ 1 milhão seria taxada em 8,4%, e os primeiros US$ 25 mil cairiam para 3,7%.
Na direção oposta corre a Iniciativa 232, apoiada por grupos conservadores, que quer proibir por lei que a alíquota suba acima dos 4,4% atuais.
Se as duas forem aprovadas, a disputa provavelmente termina nos tribunais.
Devolução do TABOR ou dinheiro para escola
O Colorado tem uma regra constitucional, o TABOR, que obriga o estado a devolver ao contribuinte parte da arrecadação que passa de um teto. É o cheque de restituição que muita família recebe.
Uma medida encaminhada pela Assembleia pergunta se o eleitor aceita abrir mão de bilhões dessas devoluções para bancar educação básica e outros programas voltados a crianças. Pelo texto, ao menos metade do excedente retido iria para as escolas de ensino fundamental e médio.
É uma escolha direta: dinheiro de volta no seu bolso ou dinheiro na escola pública onde seu filho estuda.
Gás natural na Constituição
A Iniciativa 177 quer inscrever na Constituição estadual um "direito ao gás natural", impedindo que o estado ou as cidades proíbam ou limitem a venda e o uso do combustível no Colorado.
A discussão parece técnica, mas chega em casa: é o gás do fogão, do aquecedor e do aquecimento de água na maioria das residências da região metropolitana de Denver. Do outro lado da disputa estão políticas de transição energética adotadas por municípios.
As outras medidas
A cédula também deve trazer a Iniciativa 175, que obrigaria a Assembleia a destinar um valor mínimo por ano para estradas.
Duas medidas tratam de jovens transgênero: uma proibiria a participação em esportes femininos por atletas cujo sexo biológico não corresponde à categoria, e outra proibiria cirurgia em crianças para alteração de características sexuais. Uma terceira pergunta se tráfico sexual de criança no estado deve ser punido com prisão perpétua sem possibilidade de condicional.
Quem vota e por que isso importa a quem não vota
Só cidadão americano registrado pode votar. Mas as decisões valem para todos os moradores.
Imposto de renda estadual é descontado de quem trabalha com carteira e paga imposto, inclusive de quem declara com ITIN. Escola pública atende criança independentemente de status migratório. Conta de gás chega igual em toda casa.
Quem é cidadão e ainda não se registrou pode fazê-lo pelo site da Secretaria de Estado do Colorado. O estado envia a cédula pelo correio para todo eleitor registrado, e o período de votação vem se alongando a cada ciclo.
Para quem não vota, vale acompanhar mesmo assim: o resultado de novembro define o custo de viver no estado nos próximos anos.
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