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Política

Major da Força Aérea é acusado sob artigo raro do código militar por pedir impeachment de Trump

Jason Watson, 40 anos e 17 de serviço, responde a dez acusações sob o Código Uniforme de Justiça Militar depois de aparecer fardado na escadaria do Capitólio pedindo o impeachment do presidente. Ele está em prisão preventiva e aguarda audiência preliminar.

Redação Brazuca News 25 de August de 2026, 21:16 1 visualizações
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Major da Força Aérea é acusado sob artigo raro do código militar por pedir impeachment de Trump
Foto: Enil yugto / Pexels License

A Força Aérea dos Estados Unidos formalizou nesta terça-feira dez acusações contra o major Jason Watson, de 40 anos, por declarações públicas contra o presidente Donald Trump. Ele está em prisão preventiva enquanto aguarda a etapa seguinte do processo militar.

São três especificações do Artigo 88 do Código Uniforme de Justiça Militar, que trata de palavras desrespeitosas contra autoridades civis; cinco do Artigo 92, por descumprimento de ordens; e duas do Artigo 133, por conduta imprópria a um oficial.

Quem é o oficial acusado?

Watson é formado pela Academia da Força Aérea e tem 17 anos de serviço. Sua última lotação foi como oficial de estado-maior em Bydgoszcz, na Polônia. Pai de dois filhos, ele acumula mais de uma dezena de medalhas e condecorações e está a três anos de completar o tempo necessário para se aposentar pela corporação.

Um dos advogados dele afirmou à CNN que o cliente é o primeiro major da história das Forças Armadas americanas a ser acusado sob o Artigo 88; a CBS News registra que ele é tido como um dos primeiros oficiais dessa patente a responder pelo dispositivo.

A cena na escadaria do Capitólio

Watson ganhou projeção nacional em 1º de julho, quando foi detido enquanto protestava fardado na escadaria do Capitólio, em Washington. Ele segurava um cartaz com três palavras: “Impeach. Convict. Remove.” — em português, algo como “impeachment, condenação, remoção”.

Na ocasião, disse a jornalistas: “Quem eu sou não importa. No quadro geral, sou apenas um zé-ninguém. O que importa muito mais do que quem eu sou é o que eu tenho a dizer.”

A entrevista que precedeu a nova detenção

Em junho, Watson havia dado uma primeira entrevista ao Substack Defenders of Our Republic. Em 17 de agosto, falou à CNN e afirmou que Trump “não só é um fracasso como presidente, ele está violando flagrantemente a Constituição, descumprindo a lei, envolvido em corrupção desenfreada e matando americanos”. No mesmo dia da entrevista, foi detido novamente. Em 18 de agosto, passou à prisão preventiva, e as acusações formais só saíram uma semana depois.

O que é o Artigo 88?

O Artigo 88 pune oficiais que usem palavras desrespeitosas contra o presidente, o vice-presidente, membros do Congresso, secretários do Executivo e governadores. É um dispositivo antigo e pouco acionado — o uso raro é justamente o que dá ao caso repercussão fora do meio militar.

A lógica por trás dele é a subordinação das Forças Armadas ao poder civil: o militar da ativa aceita, ao vestir a farda, restrições de fala que não se aplicam ao cidadão comum. É por isso que a Primeira Emenda não resolve sozinha a situação de Watson.

A resposta da Força Aérea

O secretário da Força Aérea, Troy Meink, escreveu que espera dos militares o cumprimento de “todas as leis e políticas sobre conduta de governo, conduta pessoal, participação política e o uso do uniforme”. Segundo ele, a corporação trata má conduta com seriedade, em especial a que compromete o caráter apartidário das Forças Armadas.

A instituição confirmou as acusações e informou que Watson permanece em confinamento preventivo. Um de seus advogados disse que o major “sustenta que fez isso para que outros não precisassem fazer”.

A aposta do advogado

Christopher Mutimer, que defende Watson, tratou o caso como escolha consciente. “O major Watson agiu sabendo dos riscos para a carreira e para a liberdade dele”, disse. “Minha esperança é que outros americanos que se sentem impotentes neste momento tirem alguma medida de coragem da disposição dele de falar e de sustentar as próprias convicções.”

A defesa aposta na raridade do dispositivo. Um artigo pouco usado tem pouca jurisprudência recente — e isso corta para os dois lados, porque também deixa a acusação com menos precedentes em que se apoiar.

O que acontece agora?

O próximo passo é uma audiência preliminar, que examina se há causa provável, se a jurisdição militar se aplica e se as acusações estão formuladas corretamente. Só depois se decide se o caso segue para corte marcial. A data do julgamento ainda não foi marcada.

As penas possíveis, em caso de condenação, incluem anos de prisão, desligamento das Forças Armadas e perda de soldo e de benefícios — inclusive a aposentadoria que ele estaria a três anos de conquistar.

Por que o caso importa fora do quartel?

Para quem chegou de fora e está aprendendo como funciona o sistema americano, o episódio mostra uma distinção que costuma passar batida: os Estados Unidos operam dois regimes jurídicos paralelos. O civil que critica o presidente em praça pública está amparado pela Constituição. O oficial da ativa que faz o mesmo, fardado, responde a um código próprio, num tribunal próprio, com penas que não existem na esfera civil.

O caso Watson vai medir até onde esse código alcança quando a crítica é dirigida ao comandante-em-chefe — e a resposta virá de um tribunal militar, não de um juiz federal.

Onde confirmar?

  • Stars and Stripes — reportagem sobre as acusações contra o major Jason Watson, 25 de agosto de 2026.
  • CBS News — cobertura do processo sob o Artigo 88 do Código Uniforme de Justiça Militar.
  • Newsweek — entrevista com o advogado de defesa e perfil do oficial, 25 de agosto de 2026.

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