O Serviço Postal dos Estados Unidos fechou a versão final da regra que muda o trajeto das cédulas de votação dentro do correio. O texto tem 95 páginas, obriga os estados a repassar dados dos eleitores à agência antes de despachar cédulas de eleição federal e autoriza o USPS a recusar a entrega em estados que não cumprirem a exigência, segundo o jornal The Philadelphia Inquirer.
A norma entrou em vigor em 21 de agosto e tem publicação no Federal Register marcada para 26 de agosto, informou a Straight Arrow News. Mesmo assim, o próprio Correio avisou que não vai cobrar as novas exigências na eleição de 3 de novembro enquanto as liminares da Justiça continuarem valendo.
O que a regra exige dos estados
Pelo texto final, os estados passam a informar nome, endereço e o código de barras de cada eleitor por um canal novo, o Federal Ballot Mail Portal, antes de a remessa de cédulas entrar no fluxo postal. Os envelopes precisam trazer o logotipo oficial de Election Mail, e funcionários do Correio conferem cada remessa contra os dados enviados ao portal — o que estiver fora do padrão volta para correção, descreveu a Straight Arrow News.
O Inquirer resume o efeito prático: o USPS examinaria todo envelope de cédula, checaria se o destinatário está cadastrado para receber a cédula pelo correio e recusaria a entrega em estados que não repassassem os dados.
“Se isso se sustentar na Justiça, os funcionários do Correio deixam de ser transportadores neutros e passam a ser guardiões federais da correspondência eleitoral que sai dos estados”, disse Michael McNulty, da organização Issue One, à Straight Arrow News.
Por que nada muda em 3 de novembro?
Em manifestação judicial citada pelo Inquirer, o Correio afirmou que não vai tomar medidas para implementar a regra especificamente para a eleição de 2026, a não ser que, e até que, o governo consiga suspender as liminares. O Departamento de Justiça repetiu a mesma posição: a cobrança só começa se a Suprema Corte decidir a favor do governo.
Da ordem executiva de março à fila de liminares
A regra nasceu de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em março de 2026, que mandou os estados entregarem ao Correio a lista de eleitores habilitados a votar pelo correio e deu à agência poder para barrar a entrega a quem não estivesse nessa lista, registrou o Votebeat.
Em junho, a Justiça Federal de Massachusetts suspendeu a implementação. A juíza Indira Talwani assinou duas liminares: uma barra os pontos centrais da ordem executiva para a eleição de 3 de novembro, e outra impede especificamente que o USPS aplique a norma em 2026 nos estados que foram à Justiça, detalhou a Straight Arrow News. Em julho, o próprio Correio disse em juízo que estava ficando sem tempo para executar as mudanças antes da eleição.
O caso chegou à Suprema Corte.
Em 27 de julho, o governo entrou com recurso de emergência na Suprema Corte. Em 3 de agosto, a ministra Ketanji Brown Jackson mandou os estados autores responderem, segundo o Votebeat. A pergunta em julgamento é estreita: se os tribunais inferiores bloquearam a ordem cedo demais, antes de as agências federais fecharem as regras de execução. “O tribunal distrital decidiu antecipadamente que qualquer coisa que as agências viessem a fazer seria necessariamente ilegal”, argumentou o governo.
Especialistas em administração eleitoral duvidam que a mudança caiba no calendário. “Acho que todo mundo concorda que não vai ser implementado em 2026. “A logística é horrível”, disse Derek Muller, da Universidade de Notre Dame, ao Votebeat.
O Inquirer lembra que Trump ligou publicamente a restrição ao voto pelo correio à estratégia eleitoral, ao dizer a parlamentares que medidas desse tipo garantiriam as eleições de meio de mandato para os republicanos — embora ele mesmo tenha votado pelo correio várias vezes.
Colorado e Washington entregam a cédula na caixa de correio.
A disputa pesa mais em dois estados onde vive boa parte da comunidade brasileira. No Colorado, todo eleitor ativo recebe a cédula pelo correio, e quem se registra até oito dias antes do dia da eleição também recebe a sua, informa a Secretaria de Estado do Colorado. Em Washington, todos os eleitores registrados recebem a cédula pelo correio, enviada ao menos 18 dias antes da eleição, e o voto precisa ser postado ou entregue até o dia da eleição, segundo a Secretaria de Estado de Washington.
A secretária de Estado do Colorado, Jena Griswold, classificou a ordem executiva em março como “antidemocrática, inconstitucional e perigosa” e afirmou que “a Constituição é clara: quem administra as eleições são os estados, não Trump”.
O que olhar se você vai votar pela primeira vez?
Para o eleitor naturalizado que vota em novembro, o procedimento segue o de sempre: a cédula chega pelo correio no endereço do cadastro eleitoral. O ponto de atenção é justamente o endereço — a Secretaria de Estado de Washington avisa que a cédula só chega se o endereço de correspondência do registro estiver atualizado. Mudança de casa depois da última eleição costuma ser o motivo mais banal de cédula que não aparece.
O que observar nas próximas semanas.
Três marcos organizam o calendário: a publicação da regra no Federal Register em 26 de agosto, a decisão da Suprema Corte sobre o pedido de emergência, ainda sem data, e o início do envio das cédulas pelos estados, que, nos estados de voto postal, acontece semanas antes de 3 de novembro. Enquanto as liminares estiverem de pé, a regra fica no papel.
Onde confirmar?
- The Philadelphia Inquirer — “Postal Service publishes finalized plan to restrict mail ballots” (22/08/2026)
- Straight Arrow News — “Postal Service finalizes mail ballot rule as courts block enforcement” (22/08/2026)
- Votebeat — “Trump wants the Supreme Court to let him put new restrictions on mail ballots in the midterms” (03/08/2026)
- Secretaria de Estado do Colorado — nota oficial sobre a ordem executiva de eleições (31/03/2026).
- Secretaria de Estado de Washington — perguntas frequentes sobre voto pelo correio.
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