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Economia

Inflação nos EUA fecha agosto em 3,4% no ano com gasolina 27,4% mais cara, e o Fed decide os juros na quarta

O índice de preços ao consumidor subiu 0,4% em agosto e acumula 3,4% em 12 meses, puxado pela gasolina. Depois do dado, a aposta de alta de juros na reunião do Federal Reserve que termina na quarta-feira saltou para perto de 90%.

Redação Brazuca News 11 de September de 2026, 21:17 1 visualizações
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Inflação nos EUA fecha agosto em 3,4% no ano com gasolina 27,4% mais cara, e o Fed decide os juros na quarta
Foto: Erik Mclean / Pexels License

O Departamento do Trabalho divulgou nesta sexta-feira (11) o índice de preços ao consumidor de agosto, e o número frustrou quem esperava alívio. Os preços subiram 0,4% no mês e acumulam alta de 3,4% em 12 meses, segundo o Bureau of Labor Statistics. É o último grande dado de inflação que o Federal Reserve vê antes de decidir os juros na reunião que termina na próxima quarta-feira.

Para quem vive nos Estados Unidos, o recado prático é direto: a conta do posto de gasolina puxou o índice para cima, o aluguel voltou a acelerar e o crédito pode ficar mais caro daqui a poucos dias.

O que o índice de agosto mostrou

A alta de 0,4% no mês veio em linha com a expectativa do mercado, assim como os 3,4% em 12 meses. O chamado núcleo da inflação, que tira comida e energia da conta para enxergar a tendência de fundo, subiu 0,3% no mês, 0,1 ponto percentual acima do previsto. Em 12 meses, o núcleo ficou em 2,4%.

A diferença entre os dois números conta a história: a inflação cheia está bem acima da meta de 2% do Fed por causa da energia, e o núcleo mostra que a pressão começou a se espalhar para outros itens.

A gasolina explica mais de um terço da alta.

O preço da gasolina subiu 3,9% em agosto e respondeu sozinho por mais de um terço do avanço do índice geral, informou o Bureau of Labor Statistics. Em 12 meses, a gasolina está 27,4% mais cara. O grupo de energia, como um todo, subiu 2,1% no mês e 16,3% no ano. O óleo combustível, usado para aquecimento em parte do país, disparou 52% em 12 meses.

A CNBC atribuiu a pressão recente sobre energia ao agravamento das tensões no Oriente Médio, que empurrou o petróleo para cima nas últimas semanas. No dia da divulgação, o movimento se inverteu e o petróleo caiu forte na manhã de sexta.

Aluguel e comida: o que subiu dentro de casa.

O grupo de habitação, que inclui aluguel e o custo estimado da casa própria, subiu 0,3% em agosto, depois de dois meses mais comportados. Em 12 meses, a alta é de 3,0%, segundo a Fox Business. O aluguel puro avançou 0,2% no mês.

Comida subiu 0,1% no mês, e os alimentos consumidos em casa ficaram estáveis. No acumulado de 12 meses, o grupo de alimentos está 2,7% mais caro. Um item foi na direção contrária: o ovo está 23% mais barato do que há um ano, com a oferta se recuperando da gripe aviária.

O que ficou mais barato

Nem tudo subiu. Os cuidados médicos caíram 0,2% no mês e o seguro de automóvel recuou 0,8%. A eletricidade ficou 0,2% mais barata. Roupas e calçados não tiveram variação, apesar de serem uma categoria sensível a tarifas de importação.

No lado dos veículos, carros usados subiram 0,4% e carros novos, 0,3%. Serviços de transporte avançaram 0,5%.

Por que o dado empurra o Fed para uma alta de juros?

A taxa básica americana está na faixa de 3,50% a 3,75% desde o começo do ano. Depois do índice de agosto, os operadores elevaram a aposta de que o Comitê Federal de Mercado Aberto vai aumentar a taxa em 0,25 ponto percentual. A probabilidade saltou para perto de 90% na ferramenta FedWatch, do CME Group, segundo a CNBC. A Fox Business registrou 85,6%, contra 72,4% no dia anterior.

"Não há garantia de que o Fed vai subir os juros na semana que vem, mas é difícil ver como o banco central pode justificar deixar as taxas paradas", disse Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, à CNBC.

Kathy Bostjancic, economista-chefe da Nationwide, foi na mesma linha. Segundo ela, o presidente do Fed, Kevin Warsh, e outros dirigentes sinalizaram que os juros só ficariam parados se a desinflação continuasse, "e o relatório de agosto não entregou isso". A Nationwide passou a projetar alta de um quarto de ponto.

Nem todo mundo tem certeza. Alexandra Wilson-Elizondo, do Goldman Sachs, disse à Fox Business que o dado veio em geral como esperado, mas que isso transforma a decisão da semana que vem em uma disputa em aberto.

O que uma alta de juros faz com o seu bolso?

A taxa do Fed serve de referência para vários empréstimos ao consumidor. Quando ela sobe, tendem a subir também o juro do cartão de crédito, o custo do financiamento de carro e as linhas de crédito ligadas à taxa básica. O financiamento imobiliário segue outra lógica, mais colada nos juros dos títulos longos do Tesouro, mas também sente o movimento.

Quem paga só o mínimo da fatura do cartão é o mais exposto, porque a taxa anual variável acompanha esse índice de perto. Quem está juntando dinheiro, por outro lado, costuma ver rendimento um pouco maior em conta poupança de alto rendimento e em certificados de depósito.

No mercado, a reação foi mista. Os futuros das bolsas subiram com a queda do petróleo, enquanto o rendimento do título do Tesouro de dois anos, o mais sensível à política monetária, avançou 4,6 pontos-base e foi a 4,594%.

O que vem a seguir

A reunião do Fed termina na quarta-feira, com a votação da taxa e a divulgação das projeções dos dirigentes. Warsh já disse publicamente que está comprometido em levar a inflação de volta aos 2% e que, se os números não melhorarem, "temos trabalho a fazer".

Para o planejamento doméstico, vale acompanhar duas coisas nas próximas semanas: o preço do galão na sua região, que hoje é o principal motor do índice, e a fatura do cartão, que responde rápido a qualquer mudança na taxa básica. O próximo índice de preços ao consumidor, referente a setembro, sai em outubro.

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