O Federal Reserve divulgou na terça-feira, 8 de setembro, que o crédito ao consumidor nos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 4,2% em julho. É o ritmo mais forte desde abril e vem quase todo de empréstimo para carro e para estudo, não de cartão.
O relatório mensal, chamado G.19, separa duas famílias de dívida. O crédito rotativo, que é essencialmente o cartão, subiu a 2,5% ao ano em julho. O não rotativo, que reúne financiamento de veículo e empréstimo estudantil, avançou a 4,8%. Em junho, o total tinha crescido 3,4%; em maio, apenas 0,5%.
Quanto os americanos devem hoje?
O estoque total de crédito ao consumidor chegou a US$ 5,186 trilhões em julho, com ajuste sazonal. Desse montante, US$ 1,357 trilhão está no rotativo e US$ 3,829 trilhões no não rotativo. O fluxo do mês, projetado para o ano, foi de US$ 216,7 bilhões, dos quais US$ 183,1 bilhões vieram do crédito não rotativo.
Esses números não incluem hipoteca. O G.19 mede o crédito de consumo sem garantia imobiliária, que é exatamente a fatia com a qual a maioria das famílias convive no dia a dia.
O cartão continua sendo o dinheiro mais caro.
A taxa média cobrada pelos bancos comerciais em contas de cartão que pagam juros ficou em 22,15% no segundo trimestre de 2026, acima dos 21,52% do primeiro trimestre. Considerando todas as contas, inclusive as de quem paga a fatura integral e não é cobrado, a média foi de 20,94%.
Para efeito de comparação, o mesmo levantamento mostra empréstimo pessoal de 24 meses a 11,86% e financiamento de carro novo em 60 meses a 7,14% nos bancos comerciais. Rolar saldo no cartão custa cerca de três vezes o juro de um empréstimo pessoal.
O carro puxou o crédito em julho.
Nas financeiras ligadas a montadoras, o valor médio financiado por carro novo ficou em US$ 41.705 no segundo trimestre, com prazo médio de 67 meses e juro de 6,3%. Ou seja, a média do mercado hoje é um carro pago em cinco anos e meio.
O Federal Reserve de Nova York já tinha registrado movimento parecido: no segundo trimestre, a concessão de novos financiamentos de veículo somou US$ 211 bilhões, o maior volume da série. O saldo total de financiamento de carro subiu US$ 28 bilhões e chegou a US$ 1,71 trilhão.
Quem está pegando esse crédito?
A qualidade do crédito concedido caiu junto com o volume. A pontuação mediana de crédito de quem tomou financiamento de veículo recuou sete pontos do primeiro para o segundo trimestre, e uma fatia maior das novas operações foi para tomadores com pontuação abaixo de 720, segundo análise do American Banker sobre os dados do Fed de Nova York.
Isso importa para quem está construindo histórico de crédito nos Estados Unidos. Financiamento mais acessível a pontuação baixa costuma vir com juro mais alto e prazo mais longo, o que aumenta o total pago no fim.
O quadro maior: US$ 18,8 trilhões.
Somando tudo, inclusive hipoteca, a dívida das famílias americanas fechou o segundo trimestre em US$ 18,8 trilhões, uma queda de US$ 13 bilhões, ou 0,1%, segundo o relatório trimestral do Fed de Nova York, publicado em 11 de agosto.
Dentro desse total, o saldo de cartão subiu US$ 21 bilhões e chegou a US$ 1,26 trilhão. O empréstimo estudantil caiu US$ 7 bilhões, para US$ 1,65 trilhão.
Onde a inadimplência aperta
No segundo trimestre, 4,7% de toda a dívida das famílias estava em algum estágio de atraso. A entrada em inadimplência grave, com 90 dias ou mais de atraso, ficou em 6,97% no cartão, 3,00% no financiamento de veículo, 1,52% na hipoteca e 1,15% na linha de crédito com garantia da casa.
“As taxas de inadimplência na maioria dos produtos se mantiveram estáveis nos últimos dois anos”, afirmou Joelle Scally, assessora de política econômica do Federal Reserve de Nova York, ao apresentar o relatório, acrescentando que os novos atrasos seguem elevados e continuam sendo monitorados.
O que vem em seguida
O comitê de política monetária do Federal Reserve se reúne em 15 e 16 de setembro, encontro que traz também a atualização das projeções econômicas da autoridade. A decisão de juros dessa reunião é o que empurra, com alguma defasagem, a taxa do cartão de crédito e do financiamento de carro nos meses seguintes.
O G.19 sai normalmente no quinto dia útil de cada mês. A próxima leitura, com dados de agosto, chega em outubro e vai mostrar se o avanço de julho foi ponto fora da curva ou início de tendência.
Onde confirmar?
- Federal Reserve — relatório G.19 de crédito ao consumidor referente a julho de 2026, divulgado em 8 de setembro.
- Federal Reserve — calendário de reuniões do comitê de política monetária em 2026.
- Federal Reserve de Nova York — relatório trimestral de dívida e crédito das famílias, 11 de agosto de 2026.
- American Banker — análise sobre o aumento das concessões de financiamento de veículo e a queda no padrão de crédito.
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