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Economia

Diesel bate recorde de US$ 5,85 o galão nos EUA e vai encarecer frete, supermercado e entregas

Preço médio do diesel superou na sexta (4) o pico de junho de 2022, empurrado pela guerra com o Irã. Custo de combustível responde por até 30% do preço dos alimentos, e Amazon, UPS e FedEx já cobram taxa extra nas entregas.

Redação Brazuca News 06 de September de 2026, 21:13 1 visualizações
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Diesel bate recorde de US$ 5,85 o galão nos EUA e vai encarecer frete, supermercado e entregas
Foto: Giovanni Spoletini / Pexels License

O preço médio do diesel nos Estados Unidos bateu recorde histórico na sexta-feira, 4 de setembro: US$ 5,85 por galão, segundo levantamento da AAA citado pela Associated Press. A marca supera o pico anterior, de cerca de US$ 5,82, registrado em junho de 2022, meses depois do início da guerra na Ucrânia. Como o diesel move caminhões de carga, trens, tratores e máquinas de construção, o recorde chega ao bolso de quem nem abastece com ele: encarece o frete de praticamente tudo que está na gôndola do supermercado e nas entregas em domicílio — e aperta a margem de quem trabalha dirigindo caminhão ou fazendo delivery, ocupações comuns entre imigrantes.

O essencial confirmado.

Antes do fim de fevereiro de 2026, quando começou o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, o galão do diesel custava em média US$ 3,76, segundo a AP. Em pouco mais de seis meses, o preço subiu mais de US$ 2 por galão. A série semanal oficial da Energy Information Administration (EIA), que mede o diesel de rodovia toda segunda-feira, marcava US$ 5,599 em 31 de agosto — US$ 1,865 acima do mesmo período de 2025.

O mapa regional da EIA mostra diferenças grandes: a Costa Oeste pagava US$ 6,497 por galão em 31 de agosto (na Califórnia, US$ 7,218), enquanto a região das Montanhas Rochosas, que inclui o Colorado, marcava US$ 5,555. A gasolina comum também segue alta: US$ 4,071 na média semanal da EIA, quase US$ 0,90 acima de um ano atrás.

Por que o diesel disparou?

A guerra com o Irã, iniciada no fim de fevereiro, desorganizou o fluxo mundial de combustíveis: houve cortes de produção no Oriente Médio e gargalos no tráfego de navios-tanque no Estreito de Ormuz, segundo a AP. O barril do petróleo Brent, que rondava US$ 70 antes do conflito, passou de US$ 95.

A GasBuddy, empresa que monitora preços de combustível, aponta ainda capacidade reduzida de refino e estoques apertados como fatores do repique, segundo reportagem da emissora KOTA, do grupo Gray Media. Pela medição da própria GasBuddy, o diesel custava US$ 3,70 há um ano — alta de mais de US$ 2,15 em 12 meses. "O diesel é o combustível que move a economia", resumiu Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da empresa.

Do posto ao supermercado.

O custo de combustível responde por 15% a 30% do custo total dos alimentos nos EUA, segundo dados da Independent Grocers Alliance citados pela AP. Caminhoneiros, fazendeiros e transportadoras vêm absorvendo o diesel mais caro desde o início da guerra, mas o repasse já aparece: a inflação de supermercado rodava a 2,7% ao ano em julho, com frutos do mar 7% mais caros e frutas frescas subindo 4,9%.

David Ortega, economista de alimentos da Michigan State University, disse à AP que esses custos acabam chegando à prateleira do supermercado com o tempo. A conta é simples: quase tudo que um imigrante compra — do arroz ao material de limpeza — viajou de caminhão a diesel até a loja.

Taxa extra na entrega.

Parte das empresas já repassou o custo ao consumidor em forma de tarifa. A Amazon adotou uma sobretaxa de combustível de 3,5%, e UPS, FedEx e o correio americano (USPS) acrescentaram taxas sobre pacotes, segundo a AP. Ajesh Kapoor, presidente-executivo da empresa de logística SemiCab, afirmou que o preço do diesel "tem impacto muito direto sobre tudo o que se move".

Quem dirige caminhão sente primeiro.

Para transportadoras pequenas e motoristas autônomos, o diesel é o maior custo variável da operação. A KOTA nota que estados dependentes de agricultura, transporte e construção, caso de South Dakota e Wyoming, ficam especialmente vulneráveis. O tema também virou peso político: dois em cada três adultos americanos desaprovam a condução da economia pelo presidente Donald Trump, segundo pesquisa AP-NORC citada na reportagem.

Recorde com asterisco.

Em valor corrigido pela inflação, o diesel já custou mais caro. O recorde de 2022, de US$ 5,82, equivaleria a cerca de US$ 6,56 em dinheiro de 2026; o pico anterior à crise financeira de 2008 chegaria a US$ 7,20 ajustado, segundo os cálculos da AP. Ou seja: é o maior preço nominal da história, mas o poder de compra já foi mais castigado em crises passadas — o que não muda a conta de quem abastece o tanque de 200 galões de um caminhão hoje.

O que vem a seguir

O analista de energia Neil Atkinson disse à AP que a disparada "não pode continuar para sempre", mas o alívio depende da guerra e do mercado global. A GasBuddy avalia que a sustentação dos preços vai depender dos próximos meses, com a chegada do outono e do inverno — estação em que o diesel disputa refino com o óleo de calefação. O termômetro semanal é público: a EIA atualiza o preço médio do diesel no início de cada semana, e a próxima leitura vai mostrar o tamanho do repique pós-recorde.

O que isso muda para você?

Se você dirige caminhão ou faz entregas com veículo a diesel, reveja o custo por milha e, no caso de autônomos, renegocie contratos com cláusula de sobretaxa de combustível (fuel surcharge) — as grandes transportadoras já cobram a sua. Quem compra frete para enviar mercadorias ou mudanças deve esperar orçamentos mais altos nas próximas semanas.

No supermercado, o efeito vem espalhado e com atraso: alimentos que viajam mais, como frutos do mar e frutas frescas, tendem a subir antes. Nas compras online, confira taxas de entrega adicionadas ao carrinho — a sobretaxa da Amazon e as tarifas de UPS e FedEx já estão em vigor. E, para quem planeja mudança de estado ou viagem longa com carro a diesel, a diferença regional pesa: a Costa Oeste paga quase US$ 1 a mais por galão que a média nacional, enquanto a região das Montanhas Rochosas fica um pouco abaixo dela.

Onde confirmar?

  • PBS NewsHour (Associated Press) — "U.S. diesel prices hit a record high, pushing up transportation costs for a long list of goods" (https://www.pbs.org/newshour/nation/u-s-diesel-prices-hit-a-record-high-pushing-up-transportation-costs-for-a-long-list-of-goods).
  • U.S. Energy Information Administration — "Gasoline and Diesel Fuel Update", preços semanais de 31/08/2026 (https://www.eia.gov/petroleum/gasdiesel/).
  • KOTA (Gray Media) — "Record-high diesel prices could drive up costs" (https://www.kotatv.com/2026/09/04/record-high-diesel-prices-could-drive-up-costs/)

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