A média nacional da gasolina comum nos Estados Unidos chegou a US$ 4,14 por galão às vésperas do feriado do Trabalho, segundo levantamento da AAA divulgado em 3 de setembro. É o valor mais alto já registrado pela entidade para esse feriado. O recorde anterior era de US$ 3,82, marcado em 3 de setembro de 2012, e a média nacional nunca havia passado de US$ 4 num Labor Day.
O preço subiu 4 centavos em uma semana. No feriado do Trabalho de 2025, a média nacional estava em US$ 3,19 — quase um dólar a menos por galão.
O petróleo a US$ 90 explica boa parte da conta
A AAA atribui o preço à volatilidade no Estreito de Ormuz, que manteve o barril de petróleo na faixa dos US$ 90. O detalhe que chama atenção é que isso acontece justamente quando a demanda por gasolina costuma cair, no fim da temporada de viagens de verão. "Depois de um agosto recorde, este fim de semana do Dia do Trabalho também está a caminho de bater recorde na bomba", escreveu a entidade no boletim.
Quando o custo do barril manda mais do que o consumo interno, a conta não cede sozinha com o fim do verão. É a diferença entre um pico sazonal, que passa, e um patamar novo, que fica.
Quem roda para trabalhar sente primeiro
O impacto não é distribuído de forma igual. Quem faz entrega de aplicativo, dirige para plataforma de transporte, trabalha em construção com deslocamento diário entre canteiros ou roda entre casas na limpeza e no cuidado gasta combustível como insumo de trabalho, não como despesa de lazer. Um dólar a mais por galão em relação ao ano passado significa, num tanque de 15 galões, cerca de US$ 15 a mais por abastecimento — e vários abastecimentos por semana para quem roda muito.
Avião e hotel também subiram
Quem trocou a estrada pelo aeroporto não escapou. Segundo os dados da AAA reproduzidos pelo Insurance Journal, a passagem aérea doméstica média ficou 2% mais cara que no ano passado, em US$ 750 a ida e volta. Nos destinos domésticos mais procurados, a alta chega a quase 20%, com média de US$ 790.
Hospedagem doméstica subiu 9% em relação ao feriado do ano passado; no exterior, 12%. Duas categorias ficaram mais baratas: a passagem aérea internacional caiu 4% e os cruzeiros que partem de portos americanos recuaram 4%, com média de US$ 2.700 por reserva.
Entre os dez destinos domésticos mais procurados do feriado estão Seattle e Denver, além de Orlando, Boston, Nova York, Chicago, Los Angeles, Las Vegas, Anchorage e Atlanta.
No exterior, a lista dos dez mais buscados por viajantes americanos neste feriado é dominada pela Europa e pelo Canadá: Roma, Vancouver, Londres, Dublin, Paris, Calgary, Barcelona, Atenas, Amsterdã e Halifax. A queda de 4% na passagem internacional ajuda a explicar por que o destino de fora continua atraente mesmo com hospedagem 12% mais cara.
Os piores horários na estrada
A AAA projetou as janelas de maior congestionamento do feriado. Nos dois dias que restam, os períodos críticos são:
- Sábado, 5 de setembro: das 13h às 17h
- Segunda-feira, 7 de setembro, na volta: das 14h às 17h
Os picos anteriores foram na quinta-feira, 3, das 14h às 19h, e na sexta-feira, 4, do meio-dia às 20h. Sair fora dessas faixas é a forma mais barata de economizar combustível: motor parado no engarrafamento queima gasolina sem avançar um quilômetro.
Carro elétrico ficou estável
Quem trocou o motor a combustão pelo elétrico paga, em média, 42 centavos por quilowatt-hora nos carregadores públicos, valor que não mudou em relação à semana anterior. A conta do elétrico ficou parada justamente na semana em que a gasolina bateu recorde.
Antes de pegar a estrada
A AAA registra que mais de 400 mil motoristas precisaram de assistência na estrada durante o feriado do Trabalho de 2025. Num fim de semana em que o galão está no valor mais alto já visto para a data, ficar parado no acostamento à espera de guincho custa duas vezes: o serviço e o combustível queimado no desvio. Uma checagem prévia é a economia mais barata da viagem.
Vale conferir a calibragem dos pneus antes de sair — pneu murcho aumenta o consumo —, olhar a validade da bateria, checar o nível de óleo e de fluido de arrefecimento e abastecer na região mais barata do trajeto. Aplicativos de comparação de preço de combustível costumam mostrar diferença de dezenas de centavos por galão entre postos de um mesmo corredor.
O que observar depois do feriado
O comportamento do preço nas próximas semanas depende menos do consumo americano e mais do que acontecer no Estreito de Ormuz. Com o barril na faixa dos US$ 90, a queda sazonal típica do outono tende a ser menor do que em anos anteriores. Para quem depende do carro para trabalhar, faz sentido tratar o combustível como custo fixo mais alto no orçamento dos próximos meses, e não como pico passageiro de feriado.
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